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Bolsonaro faz apelo ao STF pela nomeação de Ramagem

Após “desabafo” presidente pede para que situação seja revista
Bolsonaro afirma não haver interesse pessoal na indicação para o cargo. Crédito da foto: Evaristo Sá / Arquivo Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na manhã de ontem que ainda “não engoliu” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal. Na ocasião o presidente atacou o ministro do STF, fato que gerou repercussão negativa para o presidente e motivou reações de outros ministros, autoridades e entidades. À noite, em live nas redes sociais, Bolsonaro mudou o tom e afirmou que sua fala pela manhã havia sido um “desabafo” e voltou a defender a nomeação de Ramagem.

“Eu não engoli ainda essa decisão do senhor Alexandre de Moraes. Não engoli. Não é essa a forma de tratar um chefe do Executivo, que não tem uma acusação de corrupção e faz tudo possível pelo seu País”, declarou. Para Bolsonaro, a decisão de Moraes foi “política”.

Segundo o mandatário, a decisão do magistrado quase provocou “uma crise institucional”. Moraes acatou mandado de segurança impetrado pelo PDT que questionava a ligação de Ramagem com a família de Bolsonaro e a possibilidade de interferência do presidente na PF. “Desautorizar o presidente da República com uma canetada dizendo ‘impessoalidade’? Ontem (quarta) quase tivermos uma crise institucional, quase, faltou pouco. Eu apelo a todos que respeitem a Constituição”, frisou o presidente.

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Alexandre de Moraes acatou pedido do PDT para impedir nomeação de Ramagem para PF. Crédito da foto: Arquivo JCS

O presidente afirmou que a Advocacia-Geral da União (AGU) irá recorrer da decisão liminar de Moraes, mas que o governo estuda outros nomes para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

“Eu pretendo o mais rápido possível, né, sem atropelo, indicar o diretor-geral, que é competência minha indicar. Quero o mais rápido possível dar tranquilidade para a Polícia Federal trabalhar”. Bolsonaro fez essas afirmações na saída do Palácio da Alvorada, antes de embarcar para Porto Alegre.

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) divulgou nota de repúdio, ontem, aos ataques de ‘autoridades públicas‘ contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). “O Poder Judiciário é um dos poderes da República, e é inadmissível que uma autoridade pública não reconheça esse princípio basilar ou queira se sobrepor a essa realidade constitucional”, afirma a entidade. Os ministros do STF também saíram em defesa do colega e da instituição.

Live

Mais tarde, em suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro fez um apelo ao Supremo Tribunal Federal (STF), em especial ao ministro Alexandre de Moraes, para que seja revista a liminar que impediu Alexandre Ramagem de tomar posse como diretor-geral da Polícia Federal. “Não é por mim, é pela vida pregressa desse homem, pelo seu passado, por tudo aquilo que ele fez pela pátria. Que revejam essa decisão para que ele possa assumir”, disse.

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Repercutindo falas anteriores sobre o assunto, Bolsonaro disse na live que havia feito “um desabafo hoje de manhã” e que não havia “ofendido ninguém”. Para o presidente, eventual posse de Ramagem como diretor-geral da PF traria ganhos generalizados. “Pensando no Ramagem, que essa decisão seja revista o mais breve possível”, pediu o presidente. (Estadão Conteúdo)

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