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Bolsonaro desautoriza fala do líder na Câmara

Bolsonaro desautoriza fala do líder na Câmara
O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, participou da live do presidente. Crédito da foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil (10/11/2020)

Após o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), falar em “enquadrar” a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o presidente da República Jair Bolsonaro convocou o presidente da agência, Antônio Barra Torre, para participar de sua live semanal e negou que interfira no órgão regulador. “Eu não interfiro em agência nenhuma”, disse Bolsonaro. “Da minha parte ninguém vai me representar na Anvisa”.

A participação de Barra Torre é uma sinalização ruim para Barros, deputado indicado pelo Centrão para ser o interlocutor entre a Câmara e o Palácio do Planalto. Em entrevista ao Estadão, o parlamentar disse que iria pressionar politicamente a diretoria da agência a eliminar exigências e agilizar a aprovação de vacinas contra a Covid-19. O líder de Bolsonaro afirmou que os diretores da Anvisa estão “fora da casinha” e “nem aí” para a pandemia.

Mais tarde, Torres, reagiu. “Que enquadramento é esse que o deputado se refere? Ele está no dever de formalizar uma denúncia no canal competente ou se retratar. Acho que para ele não tem mais outra saída: Ou ele denuncia ou se retrata”, disse.

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Na live de Bolsonaro, Torres foi questionado sobre qual seria o limite para flexibilizar os procedimentos de aprovação da vacina. “É o da segurança e eficácia”, afirmou. “Nós podemos reduzir uma série de procedimentos, deixar mais útil, mais ágil, mas nunca abrindo mão da segurança”, disse.

Prioridades

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), realizou ontem (4) sua primeira reunião de líderes da Casa para fechar uma agenda de projetos a serem votados pelos deputados na próxima semana. Duas prioridades do governo entraram na pauta, além de medidas relacionadas à vacinação contra a Covid-19. Uma nova fase do auxílio emergencial foi debatida durante o encontro, mas a questão só deve avançar após aprovação do Orçamento 2021.

“Pedimos a autonomia do Banco Central e a lei do superendividamento, dois que estão na lista entregue por Bolsonaro a Lira e ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). De todas as prioridades que lá estão, e são muitas importantes para o Brasil, nós combinamos essas duas para que a gente possa efetivamente votar, na medida em que sabemos que haverá obstrução e temos de vencer”, disse o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), ao deixar a reunião. (Estadão Conteúdo)

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