Rota do Equilíbrio

Jejum Intermitente Prejudica O Metabolismo?

Um mito muito comum diz que o jejum ativaria algum tipo de “modo de sobrevivência”.

(Em inglês, geralmente isso é chamado de “starvation mode”. Algo como “modo de passar fome” em tradução livre.)

Isto é: o corpo perceberia que está com a vida em risco…

E, para preservá-la, diminuiria seu metabolismo.

Tudo isso é muito bacana, e faz muito sentido.

O único problema é que essa explicação está errada.

Isso porque o nosso metabolismo até se comporta desta maneira — mas só em jejuns realmente longos, da ordem de muitos e muitos dias.

Em intervalos menores de jejum intermitente, o que acontece é justamente o contrário: o nosso metabolismo se acelera.

No caso, esse aumento é mediado por hormônios como adrenalina e noradrenalina — o que nos impele para a ação.

Leia mais  Testes para vacina contra HIV têm resultados promissores

Se pensarmos em termos do nosso passado evolutivo, isso faz todo o sentido.

Pois, se estamos há 16h sem alimento, por exemplo, o nosso corpo identifica que precisamos comer.

E o que ele faz: abaixa nosso metabolismo e nos deixa letárgicos e preguiçosos?

Não.

Ele aumenta nosso metabolismo, e nos deixa prontos para ir à caça (ou coleta) de alimentos.

Esta explicação ajuda a entender de forma fácil o aumento do metabolismo que de fato ocorre — e que é corroborado por estudos.

No entanto, a partir de um certo ponto, essa relação não se verifica mais.

Isto é: após um período suficientemente longo de ingestão calórica baixa, nosso metabolismo passa a diminuir.

Isso acontece tanto em jejuns muito prolongados.

Quanto em dietas de restrição calórica que duram muitos meses.

Mas certamente não acontece em jejuns curtos.

Leia mais  Tecnologia otimiza equipamentos de saúde

Resumindo: Em jejuns curtos, o nosso metabolismo aumenta, e não diminui.

jejuns prolongados (vários e vários dias seguidos sem comer) podem causar uma diminuição do metabolismo.

O que também acontece naturalmente em dietas de restrição calórica, se seguidas por muito tempo (termogênese adaptativa).

Referências:

Zauner, C., Schneeweiss, B., Kranz, A., Madl, C., Ratheiser, K., Kramer, L., et al. (2000). Resting energy expenditure in short-term starvation is increased as a result of an increase in serum norepinephrine. The American Journal of Clinical Nutrition, 71(6), 1511–1515. http://doi.org/10.1093/ajcn/71.6.1511

Mansell, P. I., Fellows, I. W., & Macdonald, I. A. (1990). Enhanced thermogenic response to epinephrine after 48-h starvation in humans. American Journal of Physiology-Regulatory, Integrative and Comparative Physiology, 258(1), R87–R93. http://doi.org/10.1152

Comentários