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Como a alta no dólar impacta o que comemos

Entenda por que o preço do dólar afeta os alimentos que colocamos em nossa mesa

28 de Julho de 2021 às 16:43
Senhor Tanquinho [email protected]
alimentos x dólar
alimentos x dólar (Crédito: pexels)

Você acorda pela manhã, vai até a cozinha...

E, enquanto toma seu café, assiste ao noticiário de que a alta no dólar pressiona o preço dos combustíveis.

Ao chegar no caixa, um aviso chama sua atenção - o preço do pão terá um reajuste de 6%, devido à alta no dólar!

Essas são apenas algumas das situações que vemos no dia-a-dia, quando o assunto é a oscilação na moeda americana frente ao real e seu impacto na mesa dos trabalhadores.

Aliás, a moeda brasileira é a que mais oscilou no mundo durante a crise causada pela pandemia.

Mas por que isso?

Calma! Você não precisa ser um economista tão pouco andar com um dicionário de economia debaixo dos braços para entender.

Bem, o dólar americano é usado como referência mundial, mesmo em países onde a moeda oficial é outra, como no Brasil. Assim, quando há uma flutuação no preço dessa moeda, há também uma variação nos preços de diversos itens que tem seus insumos atrelados à moeda norte-americana.

No Brasil, isso não é diferente! Ainda mais quando enfrentamos uma crise (ou pandemia) na qual estamos presenciando. Investidores internacionais e grandes empresas globais com medo de investir ou precisando recuperar seu caixa, deixam de fazer investimentos aqui no país.

Isso quando não retiram investimentos já feitos por falta de confiança, gerando o que comumente é chamado de “fuga de capitais”.

Com mais investidores e empresas saindo do país, o preço do dólar tende a subir, já que há uma alta procura pela moeda, aumentando assim a paridade cambial entre as duas moedas, dólar e o real.

O aumento no dólar, por sua vez, puxa o preço dos insumos, especialmente os importados. E o Brasil é um grande importador, no cenário mundial.

Por isso, aquele alimento que você tanto gosta de comer todos os dias sofrerá aumento, pois parte dos insumos utilizados em sua produção é importada de outros países, ou seja, é pago em dólar.

Logo, se a moeda estrangeira sobe, o preço daquele item fica mais caro, pois, em tese, o dono do mercado precisa primeiro comprar o dólar para pagar pela farinha importada. Cedo ou tarde, esse impacto será repassado ao consumidor final.

A carne, por exemplo, é outro item importado e que tem seu preço determinado pelo dólar.

Além disso, itens usados na produção desses alimentos e que acompanham a oscilação do dólar também impactam o preço final e consequentemente o bolso do consumidor. É o caso do combustível que tem seu preço atrelado ao valor do barril de petróleo negociado no mercado internacional.

A energia elétrica é outro item muito utilizado na fabricação de produtos, principalmente, de alimentos industrializados e que também influência o preço final desses produtos, uma vez que parte da energia consumida no país, vem de países vizinhos, como Argentina e o Paraguai.

Porém, não é somente isso! O Brasil é líder na produção de alguns itens, tanto em quantidade quanto em qualidade, que passam a ter um ambiente favorável às exportações. São exemplos disso, a produção agropecuária (bovina, suína e frango), a soja, o milho, o açúcar e o café.

Todos esses produtos, são facilmente negociados no mercado externo. Da Ásia a Europa, passando por países vizinhos como o Uruguai, Chile e Argentina. 

Para aumentar seus ganhos, esses produtores optam em destinar essa produção para o mercado externo, aproveitando a alta da moeda americana, reduzindo assim a quantidade destinada ao mercado interno.

A lógica é simples, se determinado produto é vendido no mercado externo a 3 dólares e a moeda americana vale 5 reais, entra no bolso de quem está vendendo essa mercadoria, 15 reais. Por que esse mesmo produtor haveria de vendê-lo no mercado interno por 10 reais?

Claro, o exemplo acima é um caso hipotético pois certamente há impostos, fretes entre outros custos. Mas dá uma noção de como o preço do dólar impacta não somente nossos bolsos, mas o que comemos também.

Com o escoamento de boa parte da produção interna para outros países, o consumo das famílias fica prejudicadas devido a menor oferta desses produtos e até mesmo a falta desses itens nas prateleiras dos supermercados e açougues, que ocasionam a majoração de preços dos mesmos.