O mercado automotivo brasileiro pode retomar a comercialização de gasolina sem misturas de biocombustível em breve. A possibilidade surge por meio de duas propostas em análise no Congresso Nacional, que visam garantir uma alternativa aos atuais padrões de combustível distribuídos no país.
Essa iniciativa atende a uma demanda antiga de donos de veículos antigos e importados, que enfrentam dificuldades técnicas com a composição atual. Como muitos desses carros não possuem tecnologia flex, os componentes internos sofrem desgastes acelerados devido à presença do álcool.
No Senado Federal, a Sugestão Legislativa 30/2026 defende a oferta opcional disso pura, conhecida como E0, e de uma versão com teor reduzido de biocombustível, chamada de E10. A intenção é diversificar o leque de opções disponíveis nas bombas para o consumidor final.
A obrigatoriedade da oferta desse elemento sem etanol é o objetivo do Projeto de Lei 4.783/2026, que tramita na Câmara dos Deputados. O texto busca proteger sistemas sensíveis, como mangueiras e carburadores, contra a corrosão causada pela alta concentração de álcool anidro no combustível comum.
Desafios para a implementação
A discussão ganha força após o aumento da mistura obrigatória de etanol nela, que chegou a 32% na E32, com testes para a E35 em estudo pelo governo. Grupos protestam contra essa elevação, relatando prejuízos no desempenho e danos mecânicos constantes.
Para que o Projeto se torne realidade, a ANP precisará redefinir padrões de qualidade, logística e armazenamento para ela A. Atualmente, o produto sai das refinarias sem álcool, mas a estrutura dos postos exige tanques separados para evitar misturas entre as diferentes formulações disponíveis.
O custo ao consumidor tende a ser mais elevado com essa mudança, já que a gasolina A possui preço de produção superior ao etanol. Como o orojeto ainda aguarda aprovações fundamentais para seguir em frente, o valor final na bomba dependerá diretamente da redução do biocombustível em cada tipo de mistura.









