Uma nova megaferrovia de 319 quilômetros no Brasil avançou mais uma etapa e pode mudar a forma como cargas são transportadas em Santa Catarina. O projeto básico do trecho entre Chapecó e Correia Pinto foi concluído e entregue à Secretaria de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), abrindo caminho para as próximas fases de estruturação da obra.
O empreendimento tem custo estimado em R$ 14,8 bilhões e prevê uma estrutura de grande porte ao longo do trajeto, com 49 pontes e viadutos e 14 túneis. O valor corresponde especificamente ao trecho Chapecó–Correia Pinto, que integra uma proposta maior de corredor ferroviário para conectar o Oeste catarinense ao litoral.
A intenção é criar uma alternativa ao transporte rodoviário de cargas, especialmente para produtos ligados à agroindústria. Milho, soja, farelos, fertilizantes, carnes, ração animal e derivados lácteos estão entre os produtos que podem utilizar os trilhos, reduzindo a dependência dos caminhões em viagens de longa distância.
Um dos principais impactos esperados está no custo do transporte. Dados apresentados pela SPAF apontam que o custo médio ferroviário em Santa Catarina é de R$ 296,81 por mil toneladas-quilômetro útil, enquanto o rodoviário chega a R$ 923,37. Conforme a secretaria, a transferência de determinadas cargas para a ferrovia poderia reduzir o custo unitário em até 68%.
Apesar do avanço, a obra ainda não está contratada. A implantação depende da estruturação do corredor e de definições relacionadas à concessão da Malha Sul. Também está prevista a contratação, pelo BNDES, de uma empresa para elaborar e supervisionar o estudo de viabilidade econômica e social.
Se avançar nas próximas etapas, o projeto poderá conectar o Oeste aos complexos portuários de Itajaí, Navegantes e Imbituba, além de integrar outras ferrovias existentes e reduzir a pressão sobre importantes rodovias catarinenses.









