Um dos principais problemas não só do Brasil, mas de muitos países do mundo, é a quantidade de pessoas morando nas ruas. Por aqui, a mais recente atualização dos dados chama atenção negativamente: entre 2020 e 2026, o número de seres humanos vivendo desta maneira cresceu cerca de 88%, de acordo com estudo do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG.
Durante esse período, a população sem tento passou de 194.824 para 365.822 – os dados são baseados no Cadastro Único. Por volta de 61% dos moradores de rua estão no Sudeste. As capitais São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte lideram o ranking, sendo o território paulistano responsável por quase 1/3 do total do país.
São estimadas 101.461 pessoas sem-teto em São Paulo. Ainda segundo o estudo, fatores como emergências climáticas e os deslocamentos forçados em curso no país e em outros da América Latina, especialmente na Venezuela, também impactam no crescimento da população em situação de rua, particularmente em estados da região.
Em contrapartida, o aumento dos números também pode estar associado ao fortalecimento do CadÚnico, base utilizada pelo Governo Federal para rastrear pessoas em situação de vulnerabilidade.

Prefeitura de São Paulo contestou os dados
De forma oficial, a Prefeitura de São Paulo discordou do estudo da UFMG. O município argumentou que o Censo da População em Situação de Rua, realizado em 2021, apontou 32 mil pessoas nessa condição na capital paulista. Além disso, destacou que a cidade possui a maior rede socioassistencial do país.
O Governo do Estado, por sua vez, informou que tem trabalhado de forma integrada com os municípios para a redução da população de rua. A gestão afirmou que repassou R$ 633 milhões às prefeituras para a implantação de políticas assistenciais, sendo R$ 145,6 milhões exclusivos para ações voltadas a esse público.









