O carro elétrico tem gerado queixas de mal-estar em passageiros devido à aceleração rápida e ao silêncio do motor. Esse desconforto, cada vez mais relatado em redes sociais, ocorre. Porque o corpo humano reage de forma inesperada a esse novo padrão de movimento.
A causa desse enjoo está ligada à teoria do conflito sensorial, conceito que explica como o cérebro processa pistas contraditórias sobre o movimento. Quando os sentidos não concordam sobre a direção ou velocidade, o organismo dispara um alerta neurológico que provoca náuseas.
Por que a experiência é diferente: carro elétrico
Motores a combustão fornecem ao cérebro pistas auditivas e vibratórias, como o ruído do escapamento ou a troca de marchas. Veículos elétricos, por outro lado, operam de forma silenciosa e entregam torque instantâneo, o que altera a percepção das forças físicas durante o trajeto.
Um trabalho realizado por pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong observou voluntários em situações reais. O estudo revelou que o uso da frenagem regenerativa em níveis elevados aumenta a incidência de sintomas em pessoas propensas a esse tipo de mal-estar.
O papel da aceleração e da Tecnologia
A taxa de variação da aceleração, conhecida como jerk, é outro fator determinante no surgimento da náusea. Monica Jones, do Instituto de Pesquisa em Transportes da Universidade de Michigan. Constatou que os passageiros são extremamente sensíveis a mudanças bruscas de velocidade durante o percurso.
Algumas tecnologias buscam reduzir esse impacto, utilizando avisos sonoros antes dos movimentos do veículo para preparar o cérebro. Em experimentos realizados por Ouren Kuiper e equipe, o uso de alertas sonoros ajudou a reduzir os sintomas relatados pelos voluntários em 17%.
A Universidade de Nagoya também investiga como o ajuste fino na resposta do acelerador pode minimizar esse desconforto. Com o tempo, muitos passageiros tendem a se adaptar ao novo padrão de condução. Isso acaba reduzindo a sensação de enjoo ao longo das viagens habituais.
A cinetose, nome clínico para o enjoo de movimento, afeta 13% dos adultos sadios, com maior incidência entre crianças e mulheres. Embora o banco da frente apresente índices menores de náusea do que o banco traseiro. A sensibilidade individual continua sendo o principal fator determinante para o mal-estar.









