A gigante chilena CMPC avançou em um dos maiores projetos industriais do país após receber a licença prévia para o empreendimento de R$ 27 bilhões no Rio Grande do Sul. A autorização, emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) nesta quinta-feira (22), reconhece a viabilidade ambiental do projeto, previsto para ampliar significativamente a produção de celulose no estado.
O chamado Projeto Natureza prevê a construção de uma nova fábrica em Barra do Ribeiro, além de um terminal próprio para exportação no porto de Rio Grande, obras rodoviárias e outras estruturas. A unidade terá capacidade estimada de produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano, praticamente igualando a produção atual da fábrica de Guaíba, que continuará funcionando.
Construção deve mobilizar 13 mil trabalhadores
A construção deverá durar aproximadamente dois anos e mobilizar cerca de 13 mil trabalhadores. Quando o complexo estiver em operação, a expectativa é de que sejam gerados 6 mil postos de trabalho. Com as duas fábricas, a companhia poderá alcançar uma produção próxima de 5 milhões de toneladas anuais, fortalecendo a presença do Rio Grande do Sul no mercado mundial de celulose.
O investimento também inclui um laboratório de inovação na unidade de Guaíba e melhorias na infraestrutura da região. A ligação rodoviária entre Guaíba e Barra do Ribeiro deverá receber pavimentação para facilitar a integração das operações e o transporte de materiais entre as estruturas da empresa.

Licença ainda não autoriza o início das obras
Apesar de representar um avanço importante, a licença prévia não permite que a construção comece imediatamente. A empresa precisará obter a licença de instalação, etapa necessária para autorizar as obras. Com a viabilidade ambiental reconhecida, porém, o projeto bilionário se aproxima de uma nova fase.
O licenciamento também é alvo de uma ação judicial movida pelo Ministério Público Federal, que questiona a abrangência das consultas realizadas com comunidades indígenas, quilombolas e pescadores. Duas decisões liminares já haviam negado pedidos para suspender o processo.
Anunciado em 2024, o empreendimento foi apresentado como o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul. Além de ampliar a produção industrial, a iniciativa prevê mudanças na infraestrutura regional e milhares de oportunidades de trabalho durante a construção e a operação do complexo.









