Comprar o primeiro carro costuma ser a realização de um sonho, mas a alegria pode durar pouco quando surge um defeito grave e inesperado. Foi o que aconteceu em uma situação que serve de alerta para quem compra veículos usados: poucos meses depois de fechar negócio, o motorista descobre que o motor fundiu e, ao procurar a revenda, ouve que a garantia de 90 dias já terminou.
Sem o dinheiro necessário para arcar com um reparo que pode custar milhares de reais, o comprador fica diante de uma dúvida importante. Será que a loja realmente pode se recusar a pagar o conserto apenas porque o prazo da garantia contratual acabou?
Garantia de 90 dias não encerra todos os direitos
O Código de Defesa do Consumidor prevê 90 dias para reclamar de problemas em produtos duráveis, como automóveis. No entanto, quando se trata de um vício oculto, ou seja, um defeito que não poderia ser identificado facilmente na compra, o prazo começa a contar a partir do momento em que o problema fica evidenciado.
Isso significa que o fim da garantia contratual não elimina automaticamente a responsabilidade da revenda. Se houver indícios de que o motor já apresentava um problema anterior à venda, o consumidor poderá buscar uma solução, desde que as circunstâncias e as provas sustentem a reclamação.
Por outro lado, nem todo motor fundido gera obrigação de reparo por parte da loja. Desgaste natural, falta de manutenção, superaquecimento causado pelo motorista e outros fatores podem influenciar a análise do caso.
O que fazer quando a revenda se recusa a pagar?
Antes de autorizar um conserto caro, o comprador deve guardar notas fiscais, conversas com a loja e documentos do veículo. Um diagnóstico técnico por escrito também pode ajudar a esclarecer a origem do defeito. O ideal é comunicar formalmente a revenda e solicitar uma solução.
Se não houver acordo, o consumidor pode procurar o Procon ou buscar orientação jurídica. O ponto principal é que a garantia de três meses não representa uma autorização automática para a loja ignorar um possível defeito oculto. Cada situação precisa ser analisada conforme as circunstâncias e as evidências disponíveis.









