A Finlândia enfrenta uma crise econômica que ameaça serviços públicos, benefícios sociais e aposentadorias. Apesar de liderar há nove anos o ranking mundial de felicidade, o país nórdico discute novos cortes nos gastos públicos antes das eleições de abril de 2027. A principal preocupação já não é apenas o valor a economizar, mas quais áreas serão mais afetadas pelas medidas.
A situação fiscal finlandesa se agravou desde a pandemia de covid-19. No segundo trimestre de 2026, a dívida pública chegou a 90,3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o instituto nacional de estatísticas. Antes da crise sanitária, o índice era de aproximadamente 65%.
O endividamento elevado está relacionado a anos de gastos superiores à arrecadação, ao envelhecimento da população e ao crescimento econômico lento. Além disso, a Finlândia ampliou os investimentos em defesa após ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 2023, enquanto precisou buscar alternativas energéticas após a redução da dependência da Rússia.
A União Europeia também aumentou a pressão sobre o governo finlandês para equilibrar as contas. O bloco estabelece como referências um limite de 60% do PIB para a dívida pública e de 3% para o déficit fiscal. Em janeiro de 2026, o Conselho da UE iniciou um procedimento por déficit excessivo contra o país, com prazo até o fim de 2028 para corrigir a situação.
Próximo governo pode ampliar os cortes
O Tesouro Nacional finlandês projetou déficit fiscal de 4,2% do PIB em 2026. Diante desse cenário, o governo do primeiro-ministro Petteri Orpo anunciou a intenção de economizar cerca de 9 bilhões de euros durante a atual legislatura.
Segundo Jarkko Kivisto, assessor do departamento de política monetária e pesquisa do Banco da Finlândia, as estimativas de ajustes adicionais variam entre 8 bilhões e 11 bilhões de euros.
O próximo governo deverá buscar um déficit próximo de 2% do PIB até 2031. Até agora, o Partido da Coalizão Nacional, liderado por Orpo, comprometeu-se com outros 9 bilhões de euros em cortes, enquanto o governo descartou aumentar impostos.
O desemprego também preocupa na Finlândia. Ela registra a maior taxa entre os países da União Europeia, com os jovens especialmente afetados. O cenário amplia a incerteza sobre o futuro dos serviços públicos e da proteção social no país.









