Desaparecido desde 1799, o mamífero conhecido como antílope-azul desperta grande interesse na ciência atual. Esta iniciativa representa um marco na biotecnologia, visando desextinguir a espécie após mais de dois séculos de seu desaparecimento.
A Colossal Biosciences, especializada em engenharia genética, tem trabalhado silenciosamente para reconstituir o antílope-azul. O plano consiste em utilizar métodos modernos de biotecnologia para restituir a espécie e devolvê-la ao seu habitat natural.
O antílope-azul e sua história
Este antílope, de linhagem esguia e tonalidade azulada, era nativo da África do Sul. Documentos históricos apontam que tal espécie foi o pioneiro entre os grandes mamíferos do continente a desaparecer devido à interferência humana.
O desaparecimento da espécie é atribuído à caça excessiva, à rápida expansão colonial e a bruscas mudanças ambientais. Com peso oscilando entre 120 e 200 quilos, a espécie apresentava por volta de 1,20 metro de altura e alcançava até três metros de comprimento.
Sob a incidência solar, os pelos refletiam tom azul-ardósia devido à mescla entre extremidades escuras e fundo cinza-claro, conforme testemunhos da época. Chifres arqueados e extensos, pavilhões auditivos compactos, crista modesta, dentes específicos para pastejo e pelos claros na barriga e nos membros compunham a anatomia da espécie.
Como o projeto de desextinção funciona
Em 2024, a Colossal Biosciences coletou DNA para restaurar o genoma da espécie e decifrar as mutações responsáveis por seus traços físicos. Com essa pesquisa, foi descoberto que os parentes mais próximos da espécie extinta são o antílope-sable e o antílope-ruão, do gênero Hippotragus.
Com a aplicação do último espécime como sucedâneo celular, o laboratório modificará o material genético do antílope-ruão no embrião para mimetizar o visual do antílope-azul. Beth Shapiro, diretora científica da Colossal Biosciences, explicou em nota que os antílopes africanos foram negligenciados na conservação.
Ela destacou a ausência de infraestrutura dedicada e recursos genômicos, apesar de serem um dos grupos de grandes mamíferos mais diversos e ameaçados. Ela afirmou que o projeto de desextinção permitirá a construção de recursos e o desenvolvimento de ferramentas de conservação para restaurar espécies de antílopes em risco.









