Caso Vitória Gabrielly: júri popular condena acusado a 34 anos de prisão

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Júri popular é realizado no Fórum de São Roque. Crédito da Foto: Emídio Marques

Júlio Cesar Ergesse foi condenado a 34 anos de prisão. Crédito da foto: Emídio Marques (21/10/2019)

*Atualizada às 20h44

Júlio Cesar Ergesse, réu acusado de participação no assassinato da jovem Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, foi condenado a 34 anos de prisão pelo crime. Ele foi julgado por júri popular nesta segunda-feira (21) em São Roque.

O julgamento levou quase 11 horas. Ele foi condenado a 18 anos de prisão por homicídio, um ano e seis meses por ocultação de cadáver e três anos por sequestro.

A pena foi aumentada para 34 anos no total porque o crime foi cometido com motivo torpe e meio cruel, agravado pela impossibilidade de defesa da vítima.

A morte da garota de 12 anos ocorreu em junho de 2018, em Araçariguama, também na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS).

Acusado

O público não foi autorizado a acompanhar o depoimento de Júlio, que ocorreu na parte da tarde. Somente os advogados e os integrantes do júri permaneceram no auditório.

O julgamento teve início às 9h e o júri primeiramente ouviu as testemunhas. Uma das quatro testemunhas de acusação disse que o assassinato da adolescente se tratou de uma “queima de arquivo”.

A afirmação está relacionada com a linha de investigação de que a adolescente de 12 anos teria sido morta por engano.

Vitória teria sido confundida por Júlio e o casal Bruno Marcel de Oliveira, de 33 anos, e Mayara Borges de Abrantes, 24 anos, com outra pessoa. Eles teriam sido mandados para cobrar uma dívida de drogas.

Julgamento

Conforme apurado pela reportagem do Cruzeiro do Sul, Júlio chegou ao Fórum cerca de cinco minutos antes do horário da audiência, levado pelo carro da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). O entorno do prédio ganhou um forte esquema de segurança policial.

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Segundo o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), são quatro testemunhas de acusação e nove testemunhas de defesa. Até as 11h30 todas as testemunhas da acusação haviam sido ouvidas e depois duas testemunhas de defesa depuseram.

Cerca de quase três horas após o início do julgamento, foi estabelecida uma pausa, com previsão para ocorrer até as 13h30.

O pai da menina estava presente na audiência, mas disse que só daria entrevista após o término do julgamento.

No primeiro depoimento, dado por um amigo de Júlio, a testemunha disse que quando foi procurada pelo acusado ele estava muito alterado e que precisou “dar água com açúcar para ele”. Após saber da morte da garota, ele teria ido até o batalhão da Polícia Militar de Mairinque para denunciar o crime.

Outra situação apontada durante o júri, seriam supostas agressões por parte de policiais quando o trio foi preso e encaminhado para a delegacia. Essas agressões teriam sido descartadas após exames de corpo de delito feitos por peritos.

Uma das testemunhas presenciou o momento em que Vitória entrou no carro com os acusados. Ele teria visto uma tatuagem no braço de um dos envolvidos. Durante a sessão, o juiz solicitou que a testemunha avaliasse a tatuagem do réu, porém ela não conseguiu se lembrar exatamente do desenho que viu.

O júri é composto por sete pessoas, sendo cinco mulheres e dois homens. O julgamento é presidido pelo juiz Flávio Roberto de Carvalho.

Recurso

Além de Júlio, também são acusados do assassinato da garota de 12 anos o casal Bruno e Mayara. Os réus responderão por sequestro, homicídio qualificado por motivo torpe, fútil, meio cruel, recurso que impediu a defesa da vítima e ocultação de cadáver.

Os outros dois envolvidos no crime haviam solicitado à defesa um recurso para tentar impedir que passassem por júri popular. O Tribunal de Justiça disse ainda que, como o processo corre sob segredo de Justiça, não poderia fornecer mais informações sobre o caso.

Em 26 de fevereiro deste ano, o trio foi convocado para a terceira audiência do caso no fórum de São Roque. Entretanto, Bruno e Júlio não compareceram, quando foi marcada uma nova data para serem ouvidos, em 15 de abril. A audiência durou meia hora e somente a ré Mayara Borges de Abrantes esteve presente, tendo sido interrogada.

O júri acontece sob forte esquema de segurança. Crédito da foto: Emídio Marques

Relembre o caso

Vitória Gabrielly Guimarães Vaz, de 12 anos, foi morta em 8 de junho de 2018, em Araçariguama, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). O corpo da menina, que até estava desaparecida, foi encontrado somente oito dias depois, em 16 de junho. Vitória estava em uma área de mata do município.

O caso ganhou notoriedade pelo fato de se tratar de uma adolescente que, ao ser confundida com a irmã de um rapaz com dívidas de drogas, foi sequestrada pelos três acusados que a agrediram por horas. Após perceberem que o caso havia tomado grandes proporções, eles a assassinaram.

No dia 22 de maio deste ano, a Polícia Civil prendeu o quarto suspeito de envolvimento na morte da estudante. Odilan Alves, de 35 anos, é apontado como comandante do tráfico na região e teria mandado sequestrar a irmã de um usuário de drogas que devia R$ 7 mil ao traficante. (Com informações de Aline Albuquerque)