Ucrânia mata 63 soldados russos com armas dos EUA

Por Cruzeiro do Sul

Homem observa destruição num prédio na região de Donetsk

As Forças Armadas da Ucrânia impuseram no domingo (1º) uma das maiores baixas às tropas russas desde o início da guerra. Com o auxílio do Himars, um moderno lançador de foguetes guiado por radar fornecido pelos Estados Unidos, os ucranianos destruíram um alojamento de soldados russos em Makivka, na província de Donetsk, uma das províncias ocupadas por forças do Kremlin.

Ao menos 63 militares morreram, segundo a Rússia reconheceu ontem (2). A Ucrânia diz ter matado mais de 400 homens com o bombardeio. Mas, mesmo o número de vítimas reconhecido oficialmente pelos russos já implica uma das maiores baixas para o Kremlin no conflito.

Os próprios russos reconheceram o duro impacto do ataque ucraniano. Para Danil Bezsonov, porta-voz do governo instalado por Vladimir Putin desde a anexação da província no ano passado, o bombardeio foi um duro golpe para as tropas do Kremlin. Dentro da Rússia, cresceram as críticas à condução da guerra e aos seguidos reveses do Exército.

Desde setembro, a Ucrânia lança uma contraofensiva contra a Rússia que levou à reconquista de territórios estratégicos no sul e no leste do país, principalmente nas províncias de Kharkiv e Kherson. Donetsk, dizem fontes militares ucranianas, seria um alvo maior e mais difícil de atingir, mas que segue na mira das tropas de Volodymyr Zelensky.

Para mudar os rumos do conflito, os ucranianos contam com sofisticadas armas doadas pelos Estados Unidos e outros aliados europeus. Um dos mais eficazes é o lançador de mísseis guiados por satélite Himars, cujo alcance de pelo menos 300 quilômetros permite ataques dentro das linhas russas. De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, ao menos quatro foguetes atingiram o alojamento.

O bombardeio, que ocorreu pouco depois da meia-noite do dia de ano-novo, imediatamente provocou indignação entre alguns dos analistas que defendem a guerra de Putin na Rússia. Alguns blogueiros -- que se tornaram formadores de opinião influentes na Rússia em meio à censura imposta à imprensa local -- disseram que representava o exemplo mais recente da inaptidão dos comandantes militares russos na guerra e seu desrespeito pelas vidas dos soldados.

O prédio do alojamento, que antes da guerra era uma escola, ficou quase completamente destruído, já que também funcionava como armazém de munições, o que ampliou o alcance das explosões. (Das Agências Internacionais)