A história da minissaia e o empoderamento feminino

Conhece a história dessa peça clássica da moda? Além de um item fashion, a minissaia também foi símbolo de resistência e liberdade conquistada pelas mulheres. Confira!

Por Julia Rolim

Minissaia na década de 1960

A minissaia, sem dúvidas, é uma das peças mais queridinhas e atemporais do guarda-roupa feminino. Mas você conhece a sua importância histórica na moda? Então fica aqui que eu vou te contar tudo...

Até a década de 60, a imagem da mulher era como a famosa frase "bela, recatada e do lar". Qualquer comportamento diferente disso era visto com maus olhos pela sociedade. E foi nessa época, em meados de 60, que a minissaia surgiu como uma afronta a esse perfil feminino. Por consequência, suas saias longas e comportadas foram substituídas por saias menores - na altura do joelho ou mais curtas. Sim, foi uma rebeldia pra época.

 

Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve uma explosão de nascimentos de bebês, os famosos "baby boomers". Então na década de 60, o mundo estava cheio de jovens querendo mudanças, vivendo o movimento da contracultura, que foi responsável por contestar padrões conservadores da época. Ainda nesse período, outros acontecimentos foram fundamentais para o espírito revolucionário desses jovens: a ida do homem à Lua, a segunda onda do feminismo e a comercialização da pílula anticoncepcional nos Estados Unidos.

A moda e as tendências sempre foram um reflexo do comportamento da época, ao longo de toda a história da humanidade. Ou seja, as roupas mudam conforme surgem novos valores da sociedade e, nesse caso, estamos falando de um contexto jovem de insatisfação política.

Foi também em meados de 1960 que a alta-costura, caracterizada por peças luxuosas feitas sob medida, entrou em decadência, e o prêt-à-porter caracterizado pela produção em larga escala, teve a sua ascensão. Por consequência, a saia longa precisava perder pano para se tornar mais funcional e mais barata para um grupo de mulheres jovens e feministas.

 

No entanto, a origem da minissaia ainda é um tanto incerta. Os historiadores não têm certeza sobre quem realmente quem criou ou começou a produzir as minissaias, que estavam aparecendo em filmes e revistas que abordavam o tema da emancipação feminina da época. Porém, dois estilistas considerados precursores desta peça ficaram em destaque: o francês André Courrèges e a britânica Mary Quant.

E foi entre 1965 e 1970 que a minissaia ficou mais popular. Ela era símbolo fashion da "Swinging London", a febre cultural e o modernismo de costumes que surgiu em Londres (então considerada a capital da cultura pop e da moda), e seguiu para o mundo todo. Nessa época, o desejo de liberdade era enorme. Foi o auge dos Beatles e da queima de sutiãs. E sim, a famosa minissaia estava presente entre as 400 ativistas do grupo Women’s Liberation Movement que se reuniram durante o Miss América de 1968 para queimar sutiãs e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina. Sem dúvidas, um marco histórico!

 

O ano de 1969 marcou o auge da minissaia. Mas o encurtamento da peça atingiu seu ponto de saturação fashion e o retorno de saias e vestidos mais longos se mostrou a melhor alternativa na época. Tem a ver não só com o fator cíclico da moda, mas também com as variações dos valores sociais. Aos poucos, a obsessão jovem e a revolução sexual, iniciada na década de 1960, começou se pluralizar e se distanciar do culto ao corpo quase sempre magro e exposto.

Então, a partir da década de 70, a minissaia foi incorporada novamente à moda, só que dessa vez associada ao estilo punk. Eram combinadas com meias-arrastão, jaquetas de couro, camisetas rasgadas e penteados rebeldes. Na primavera de 1985, Vivienne Westwood revisitou a peça em sua coleção Mini-Crini, com uma versão supercurta das saias vitorianas, estruturadas por crinolinas (por isso o nome).

 

Portanto, desde o seu surgimento e ao decorrer dos anos, a minissaia nunca mais saiu de moda. Se tornou uma peça clássica, carregada de história e empoderamento feminino, que esteve sempre presente em desfiles, editoriais de moda e filmes. E também com a volta das tendências anos 2000, ela está presente nos dias de hoje.

 

AGORA ME DIZ: O que acha da icônica minissaia? E já conhecia a sua história?

Me conte por email (assessoriajuliarolim@gmail.com), vou adorar saber a sua opinião. E me acompanhe também no Instagram (@julia.rolim), posto várias coisinhas por lá. Até a próxima!