UNISO CIÊNCIA


Projeto Uniso Ciência lança segunda edição no Cruzeiro do Sul




O tabloide do Uniso Ciência, projeto de divulgação científica da Universidade de Sorocaba, chega à segunda edição com a participação dos leitores na escolha dos temas. Em novembro de 2017, foi realizada uma enquete on-line que teve 231 respostas e definiu quais os temas seriam abordados nessa edição. Dos 12 títulos colocados em votação, foram selecionados quatro: Shiitake é recomendado como opção de suplemento alimentar (56,5%), Estudo comprova que é possível utilizar dois tipos de lodo na fabricação de tijolos ecológicos (25,7%), Da cozinha para o seu carro: cúrcuma utilizada como aditivo de biodiesel (23%) e Pichações nas escolas sob o olhar da educação ambiental libertária (20,4%).

A reportagem sobre o shiitake aborda os estudos realizados no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Uniso que enfocam as propriedades desse fungo como um alimento funcional e a quantidade ideal para o consumo humano.

Já na área de tecnologia e inovação, tem destaque uma pesquisa, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Processos Tecnológicos e Ambientais, sobre a utilização do lodo resultante de processos de reciclagem de plástico na fabricação de tijolos. Desse Programa veio também o estudo sobre a cúrcuma, muito usada como um tempero, mas que possui propriedades validadas como aditivo do biodiesel – combustível alternativo que gera menos poluentes.

As pichações nas escolas são outro tema do Uniso Ciência. A reportagem detalha os estudos, do Programa de Pós-Graduação em Educação, que trazem um novo olhar sobre essa manifestação urbana, revelando seu potencial como arte e ato político.

A segunda edição do Uniso Ciência pode ser conferida na versão impressa e digital do dia 14 de janeiro de 2018. Clique aqui e confira. O Uniso Ciência tem como produtos um tabloide, encartado a cada três meses na edição impressa e digital, e notícias publicadas periodicamente no blog. Foi lançado em outubro de 2017, em parceria com o Cruzeiro do Sul, com o objetivo de ampliar a divulgação das pesquisas científicas desenvolvidas na Universidade.

Publicações do blog - projeto Uniso Ciência:

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Pesquisa de professora da Uniso vence Prêmio Top Ciência da BASF






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Em um ano de pesquisa, a professora Manuella Nóbrega Dourado, do curso de Engenharia Agronômica, da Universidade de Sorocaba (Uniso), analisou o processo de promoção de crescimento de três tipos de tomate, a partir da aplicação das bactérias do gênero Methylobacterium na semente, visando entender os mecanismos envolvidos nessa interação.

Com possibilidades de utilização em novos estudos e no desenvolvimento de novos produtos, os resultados renderam o prêmio de melhor projeto na modalidade Inovação - categoria Regular, do Top Ciência 2017, concurso promovido pela empresa BASF.

Conforme explica a professora, a pesquisa comprovou a eficiência do procedimento para o aumento do crescimento do tomate, além de proteger a planta contra estresses e diminuir os riscos à saúde e ao meio ambiente.

Com o tema “Efeito da aplicação (tratamento de sementes) de Methylobacterium spp. no crescimento e desenvolvimento inicial de plantas de tomate”, o trabalho é fruto do Pós-Doutorado da professora na área de Genética de Micro-organismo e foi desenvolvido em parceria com os professores Welington Luiz de Araújo e Durval Dourado Neto, ambos da USP.

A final do Top Ciência aconteceu em agosto, em Campinas, com a premiação dos melhores projetos em 17 categorias. Cerca de 300 pesquisadores de todos o País inscreveram suas iniciativas.
 
Como prêmio, em outubro, a professora fez uma viagem técnica à sede da BASF em Mannheim na Alemanha, conhecendo também o centro de pesquisa da empresa, a John Deere, uma das maiores empresas de tratores agrícolas do mundo, e a Universidade de Kaiserlauten, onde foi desenvolvido o princípio ativo do fungicida mais utilizado pela BASF.

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De que são feitas todas as coisas que compõem o universo? Desde a Grécia antiga, nós avançamos consideravelmente nessa busca existencial e, especialmente na fronteira entre a Suíça e a França, nos laboratórios do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), ainda há muita gente preocupada em trazer novas luzes a essa questão.

“Hoje, para tentar responder essa pergunta, nós usamos aceleradores de partículas, que são equipamentos com capacidade de acelerar diferentes tipos de partículas e provocar a colisão entre elas. A ideia é quebrar os constituintes da matéria e reconstruir o quebra-cabeça”, explica o professor doutor Marcelo Gameiro Munhoz, da Universidade de São Paulo (USP), em visita à Uniso para uma palestra interdisciplinar que reuniu em setembro alunos dos cursos de Jornalismo, Física, Filosofia, Biologia e das Engenharias.

Ele, que é sorocabano, é um dos brasileiros à frente do projeto ALICE (da sigla em inglês, Experimento do Grande Colisor de Íons), uma colaboração de mais de 1.600 pesquisadores de 41 países e 159 instituições. Sua última empreitada foi o envolvimento na produção do chip eletrônico SAMPA, um projeto milionário desenvolvido por pesquisadores da USP que deverá, a partir de 2020, ajudar a fotografar as colisões executadas nos laboratórios do famigerado LHC, ou Grande Colisor de Hádrons, o maior e mais poderoso acelerador de partículas em operação em todo o mundo, inaugurado em 2008 com um custo estimado em cerca de sete bilhões de dólares.

Os dados sobre o LHC são impressionantes por si mesmos: com uma estrutura física subterrânea de 27 km, é um imenso conjunto de túneis em formato anelar, onde feixes de partículas são acelerados a altíssimas velocidades, chocando-se entre si e provocando a liberação de altas energias. São 600 milhões de colisões por segundo, captadas por 150 milhões de sensores. Para se ter uma ideia, os prótons chegam bem perto da velocidade da luz, dando 11.245 voltas por segundo no acelerador — se fossem naves espaciais, nessa velocidade chegariam a Netuno em apenas 10 horas!

Por meio dos experimentos conduzidos no LHC, muitas questões existenciais para as quais ainda não se tem respostas podem ser estudadas: questões como a origem da massa e das partículas e a própria origem do universo em si. Quem sabe, até mesmo descobertas que contradigam as leis da Física, que hoje tomamos como verdades: “É um chute, mas é possível”, considera o professor. “É possível que nenhuma teoria consiga explicar o resultado de uma determinada experiência no LHC, indicando um caminho completamente novo. É assim, por meio da curiosidade, que funciona a ciência.”

Não são raros os exemplos de avanços tecnológicos que nasceram da busca por saciar essa curiosidade, muitos dos quais nós usamos diariamente. “O conhecimento básico é essencial, mas ele tem, também, a característica de criar uma demanda por tecnologia”, completa Marcelo. Às vezes, a busca por mais conhecimento pode nos levar a criações inusitadas, o que justifica, de certa forma, o custo social de experimentos colossais como os que se dão no LHC. A própria WWW (World Wide Web — ou simplesmente o que chamamos de internet) foi desenvolvida em 1989 por Tim Berners-Lee, pesquisador do Cern, para facilitar a comunicação entre cientistas em todo o mundo, e aplicações na área médica também são inúmeras.

GRANDES DESAFIOS
O primeiro grande desafio para esse tipo de ciência básica é a percepção do grande público. “Eu costumo dizer que a ciência sem divulgação é como uma obra de arte trancada numa sala; não faz o menor sentido!”, diz Marcelo. “Felizmente, contrariando o senso comum, existe um interesse crescente dos brasileiros por esse assunto.”

O segundo é de ordem política e financeira. Participar de uma empreitada tão ambiciosa como o LHC tem, obviamente, um custo de manutenção e operação, que é compartilhado entre todos que participam dos experimentos. “O custo do laboratório e do acelerador em si — que é muito maior do que a operação dos experimentos — é mantido integralmente pela comunidade europeia. Portanto, participar desse projeto a um custo relativamente mais baixo é um grande negócio para o país. Mas, infelizmente, o Brasil já está inadimplente com o Cern em 2017, uma vez que não houve verba disponibilizada pelo governo federal para custear as taxas de participação. E, a menos que haja algum recurso de emendas parlamentares, o mesmo deve se repetir em 2018”, lamenta o professor. Uma comitiva de cientistas da Renafae (Rede Nacional de Física de Altas Energia), da qual Marcelo fez parte, esteve em Brasília em meados de setembro com o objetivo de tentar recompor esses recursos, mas, até o fechamento desta edição, pouquíssimos deputados firmaram um compromisso explícito em contribuir.

Reportagem dos alunos de Jornalismo: André Fidalgo Martins, Antony Isidoro, Isabel Rosado, Renata Mora e Yiraisa Nami Ozawa, com supervisão de Guilherme Profeta

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