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SBBq e revista reconhecem trabalho de professor

O professor Fábio Squina, do Programa de Pós-Graduação em Processos Tecnológicos e Ambientais da Universidade de Sorocaba (Uniso), recebeu recentemente duas distinções importantes dentro do ambiente científico. A Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq), em sua Reunião Anual, elegeu o trabalho apresentado pelo grupo de Squina como um dos melhores pôsteres do ano. O outro reconhecimento veio da revista norte-americana The Journal of Biological Chemistry (JBC), que selecionou trabalho publicado pelo professor em 2016 para uma edição especial em 2019, reunindo os melhores trabalhos da América Latina nos últimos três anos.

Fábio Squina conta que o reconhecimento da SBBq deriva de um trabalho iniciado na Uniso há cerca de dois anos, que visa desenvolver rotas para a valorização da lignina, um componente da parede celular das plantas. Apesar de ser abundante na natureza, a lignina ainda é pouco explorada, existindo raras aplicações para esse material, diferentemente de outros componentes da biomassa de vegetal, como a celulose e a hemicelulose. “Hoje existe aplicação diversa para a parte celulósica, para a parte hemicelulósica, enquanto que para a lignina existem poucas aplicações”, afirma Squina. E o mais interessante é que a lignina é o segundo polímero de maior abundância no planeta, perdendo apenas para a celulose.

Fábio Squina recebeu duas distinções importantes. Foto: Armando Rucci Filho

Envolvido nessa linha de pesquisa há cerca de dez anos, Fábio Squina conta que a oportunidade de trabalhar com a lignina surgiu há dois anos, em projeto que nasceu na Uniso e que conta com parceria de professores de outros centros de pesquisa, de ex-alunos da Pós-Graduação e com fomento da Fundação Fapesp. “É um projeto grande, iniciado aqui na Uniso, que visa, a partir de fragmentos de lignina, desenvolver fragrâncias e também compostos bioativos”, explica o coordenador do projeto.

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O pôster premiado pela SBBq — no congresso científico mais importante do país, realizado em Águas de Lindóia — descreveu duas enzimas que conseguem converter um componente da lignina em vanilina, uma substância muito utilizada em alimentos e cosméticos e que tem aroma de baunilha. O trabalho descreve o isolamento e a caracterização dessas enzimas. Outro aspecto interessante é o fato dessas enzimas terem sido descobertas em estratégias metagenômicas, em que o material genético é recuperado diretamente a partir de amostras ambientais. Tratam-se de técnicas que são independentes do cultivo e isolamento de microrganismos.

Publicação em revista dos EUA

A revista norte-americana The Journal of Biological Chemistry (JBC), por sua vez, incluiu artigo de Fábio Squina na seleta lista dos melhores trabalhos da América Latina publicados nos últimos três anos. O artigo, inicialmente publicado em 2016 e republicado na edição especial deste ano da JBC, é também baseado em abordagens metagenômicas, que buscam resgatar genes de microrganismos não cultiváveis. Nesse trabalho foi descrita uma nova classe de proteína envolvida na biodegradação de celulose, junto com sua caracterização bioquímica e a resolução da estrutura tridimensional da macromolécula.

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A JBC é uma das revistas científicas mais tradicionais do mundo na área de bioquímica e biologia molecular e conta com grande prestígio. Para Squina, esses reconhecimentos são importantes, pois revelam a qualidade do trabalho e a capacidade da pesquisa nacional. “Não existe nenhum país desenvolvido sem uma ciência forte. Se o Brasil quer, de fato, ser um país de primeira linha, precisa ter a ciência e a tecnologia como base”, afirma Squina.

Texto: Armando Rucci Filho

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