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Professora da Uniso recebe prêmio nos EUA

O resumo de um projeto coordenado pela professora Luciane Cruz Lopes, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), recebeu no último dia 27 de agosto o prêmio John Snow, durante o 35º Congresso Internacional de Farmacoepidemiologia e Gestão de Risco Terapêutico, na cidade de Filadélfia, nos Estados Unidos. O prêmio é concedido pela Sociedade Internacional de Farmacoepidemiologia (ISPE, na sigla em inglês) ao melhor trabalho apresentado por uma mulher de um país em desenvolvimento. O evento foi realizado entre os dias 24 e 28 de agosto.

A professora Luciane Cruz Lopes recebeu o prêmio John Snow. Foto: Armando Rucci Filho

O projeto coordenado por Luciane Cruz Lopes envolve 41 pesquisadores de 13 países da América Latina e tem como objetivo mapear e inventariar todas as bases de dados que contenham informações sobre medicamentos nessas localidades. Iniciado há pouco mais de dois anos, o projeto é financiado pela ISPE. “Hoje os próprios pesquisadores brasileiros não sabem quantas bases de dados o governo tem com informações sobre medicamentos. Então nós estamos fazendo um inventário de cada país”, afirma Luciane.

E a professora da Uniso destaca que o Brasil ainda é o país, dentre os pesquisados na América Latina, que tem o maior número de fontes de dados para estudos de utilização de medicamentos, seguido por México e Colômbia. Entre os mais carentes de informação estão Bolívia, Honduras e Guatemala. “A principal aplicação desse projeto é informar aos pesquisadores que querem trabalhar com farmacoepidemiologia nesses países que existem essas bases” e estudos podem ser realizados para responder perguntas que fornecerão elementos para tomada de decisão em saúde. Com estes resultados, pode-se comparar o uso de medicamentos entre países, pode-se verificar uso adequado ou não de alguns medicamentos, verificar investimentos feitos pelos governos e os desfechos obtidos.

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A partir dessa sistematização, é possível tornar mais eficientes as políticas públicas em saúde. “Quando você tem uma base de dados que avalia quanto se consumiu de um determinado medicamento e quanto a população realmente adoeceu, quanto ela melhorou, você consegue tomar decisões em saúde”, afirma Luciane Cruz Lopes. E completa: “Resultados destes futuros estudos que podem ser feitos com estas bases de dados, devem ser fornecidos aos tomadores de decisão em saúde, sejam eles governadores, ministros ou médicos gestores de hospitais ou secretários de saúde.”

Segundo a professora da Uniso, com essas informações em mãos, será possível comparar como age cada país da América Latina em relação ao uso de medicamentos. Os pesquisadores deverão, a partir deste mês de setembro, utilizar as bases que são comuns nesses países e propor um estudo unificado. “Por exemplo, podemos estudar o que está acontecendo com o consumo de antirretrovirais para Aids, ou o que está acontecendo com o consumo de medicamentos para diabetes de última geração nesses países”, diz Luciane. A primeira fase do projeto será concluída em dezembro deste ano, quando serão pedidos novos financiamentos para a sua continuidade.

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Luciane Cruz Lopes conta que a ideia do projeto surgiu durante um congresso realizado no Rio de Janeiro, quando assistiu a uma palestra da belga Monique Elseviers, que realizou trabalho similar na Europa, ou seja, categorizando as bases de dados com informações sobre medicamentos e comparando os resultados de cada país europeu. Hoje, essa pesquisadora belga supervisiona o projeto encabeçado por Luciane. “Na Europa já está avançado.”

Prêmio John Snow

O resumo de todo esse projeto foi premiado nos Estados Unidos nos últimos dias e leva o nome de “Data Sources for Drug Utilization Research in Latin American Countries” (em português, Fontes de dados para pesquisas sobre uso de fármacos em países latino-americanos). O prêmio é uma homenagem a John Snow, epidemiologista britânico do século XIX, considerado o pai da epidemiologia moderna. A honraria é conferida ao melhor resumo apresentado à conferência da ISPE, uma organização internacional dedicada ao avanço da farmacoepidemiologia para melhorar resultados em saúde.

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Texto: Armando Rucci Filho

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