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No coração do Parque Nacional da Chapada Diamantina

Destino perfeito para trekkers experientes, o Vale do Pati é o supra sumo do paraíso
No coração da Chapada Diamantina
Encostas recobertas por Mata Atlântica, num perfeito sobe e desce de morros e platôs, é cenário inesquecível. Crédito da foto: Commons Wikemedia

O Parque Nacional da Chapada Diamantina deixa marcas. Se não no corpo, ao menos na alma. É comum encontrar por lá forasteiros de diversas partes do Brasil e do mundo, gente que foi ao centro da Bahia para conhecer as cachoeiras, as trilhas e o cerrado misturado à Mata Atlântica e acabou se apaixonando — e nunca mais voltou para casa. As justificativas variam: natureza exuberante, atmosfera hippie, clima despojado e até motivações místicas. Na internet pipocam teorias sobre um portal para outra dimensão que estaria localizado lá.

Os números na Chapada Diamantina são grandiosos: 152 mil hectares — abrangendo 22 municípios –, cerca de 200 cachoeiras, 200 grutas e 1.500 quilômetros de trilhas. Com tantos lugares para conhecer, é comum o turista que dispõe de pouco tempo ficar indeciso na hora de escolher um roteiro. Mas, se você é daqules que gostam de aventuras e não se intimidam com terreno acidentado, o Vale do Pati, com seu estonteante mirante, é ponto de partida perfeito. As encostas recobertas por Mata Atlântica, num perfeito sobe e desce de morros e platôs, é cenário inesquecível.

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Destino apreciado por trekkers experientes, o vale é o supra sumo da Chapada. Só é possível chegar a pé — e a caminhada, embora cênica, não é fácil. A região foi uma próspera zona cafeeira no início do século 20, mas quebrou na década de 30, quando o governo estatizou a produção e ordenou o fim das plantações. Das 2 mil famílias que lá viviam, restam 12, que sobrevivem principalmente hospedando e alimentando os turistas.

No coração da Chapada Diamantina
Com cerca de 200 cachoeiras por todos os lados, não falta onde se reenergizar. Crédito da foto: Commons Wikemedia

As operadoras oferecem roteiros de quatro a sete noites, com diferentes percursos e atrações. O mais tradicional vai do Capão a Andaraí, mas uma alternativa é entrar ou sair pelo distrito de Guiné, encurtando o caminho. Todos, no entanto, envolvem caminhadas, com vários trechos em que é preciso se agarrar às pedras para facilitar a subida — as chamadas escalaminhadas.

Uma vez no Pati, o melhor passeio é o Morro do Castelo, uma subida desafiadora com revigorantes paradas para descanso sob a copa das árvores frondosas da Mata Atlântica. Lá em cima, além da bela vista, há uma enorme gruta com formações de quartzito.

Se a subida ao Castelo é fatigante, nada como uma cachoeira para se reenergizar. Com 300 metros, o Cachoeirão pode ser visto por dois ângulos. A trilha pelo alto, embora longa, não é difícil. Por baixo, o percurso acompanha o leito do rio e é pedregoso e escorregadio. Nos roteiros mais longos entram as cachoeiras do Funil e do Lajedo, menos impressionantes em tamanho, mas ideais para banhos relaxantes.

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Hospedagem em casa de moradores

A hospedagem é um capítulo à parte. Contatados por meio de recados enviados pelos guias, os patizeiros recebem com mesa farta e camas confortáveis — tudo muito simples, é bom dizer. Vale a pena parar para dois dedos de prosa depois do jantar e ouvir as histórias dessas pessoas que ainda vivem sem televisão, internet ou telefone.

Notícias e mantimentos chegam carregados por burros. Para cargas mais pesadas, não tem jeito: às vezes, é preciso dez homens para levar uma geladeira. Em caso de doença grave, o paciente vai na cama — amigos se revezam para carregá-lo. A energia elétrica chegou há pouco mais de uma década e é gerada por placas solares.

Há pequenos luxos. Além da cervejinha, algumas famílias oferecem até gim-tônica aos hóspedes. Para muitos no entanto, o charme do Pati está em viver longe de qualquer benesse da cidade grande. Mas é claro que um gim-tônica não estraga a experiência. Só não exagere: o dia seguinte aguarda o visitante com muitos quilômetros a percorrer. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)

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