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Salão do Automóvel de Detroit tem poucos lançamentos

SUVs, caminhões e carros esportivos protagonizam Salão do Automóvel de Detroit
Nissan IMs EV. Crédito da foto: Scott Olson / Getty Images / AFP (14/1/2019)

Os SUV, os caminhões e os carros esportivos são as atrações de um desvalorizado Salão do Automóvel de Detroit, que abre suas portas esta semana com menos fabricantes presentes e mais incerteza. Os carros compactos e sedãs, que representam uma parcela cada vez menor do mercado norte-americano, ficaram praticamente de fora da seleção feita pela indústria automotiva para Detroit.

Esta é última vez que o motor show mais tradicional dos Estados Unidos é realizado nesta época do ano. A partir de 2020, o salão vai mudar de data para fugir dos rigores do inverno e tentar atrair mais público.

Há quem atribua a mudança de data à proximidade da CES, a feira de tecnologia realizada dias antes em Las Vegas. A proximidade entre os veículos e as empresas de tecnologia fez com que algumas montadoras levassem estreias para a CES, deixando menos novidades para Detroit.

Ford Mustang Shelby GT500. Crédito da foto: Tymothy Clery / AFP

O tradicional salão norte-americano, o NAIAS 2019, como é conhecido na sigla em inglês, está perdendo poder de fogo. Este ano estão sendo lançados perto de 30 modelos, menos da metade dos 70 lançamentos registrados na última edição da mostra. Fabricantes importantes como Mercedes-Benz, Audi e BMW optaram por não exibir seus carros neste ano.

Caminhões, utilitários esportivos (SUVs) e veículos de alto rendimento predominam entre os lançamentos de Detroit. A exceção é a Volkswagen, que apresenta um novo sedã Passat.
“As automotivas reconhecem que o boom dos veículos crossover e de utilitários esportivos continua”, considera a analista Michelle Krebs, da Autotrader. Para os que procuram uma alternativa, as fabricantes destacaram os carros esportivos com uma pegada nostálgica.

Lexus LC connvertible concept. Crédito da foto: Scott Olson / AFP

A nova SUV Explorer da Ford, lançada na sexta-feira (11) em Detroit, é exposta ao público pela primeira vez. Também está sendo apresentada uma versão de alta potência do esportivo Mustang Shelby GT500.

A Toyota expõe em seu estande o Supra, uma versão renovada do carro esportivo que a empresa deixou de fabricar há mais de 16 anos e agora deve voltar à linha de montagem. Já a FCA (Fiat-Chrysler) apresentará novos designs de suas versões maiores da popular picape Ram.

RAM Power Wagon. Crédito da foto: Bill Pugliano / AFP

Fora a Volkswagen, as fabricantes alemãs deixaram o salão de Detroit neste ano diante da concorrência com outros eventos em Nova York, Miami e Las Vegas, onde são feitos cada vez mais lançamentos tecnológicos do setor automotivo.

No Salão de Detroit, muitos esperam que os veículos maiores e mais rentáveis ajudem a indústria a para resistir às possíveis tempestades econômicas. Analistas prevêem uma desaceleração das vendas em 2019, após uma década de crescimento.

Os carros pequenos e os sedãs convencionais representaram menos de um terço das vendas de carros novos no ano passado

“Achamos que o futuro é cada vez menos positivo para a indústria”, disse Jonathan Smoke, analista chefe da Cox Automotive, cuja empresa previu que em 2019 serão vendidos 16,9 milhões de carros novos, uma queda em relação aos 17,3 milhões de 2018. “O próprio mercado está se ajustando a um volume levemente menor, com veículos mais caros e de maior qualidade”, apontou.
Os carros pequenos e os sedãs convencionais representaram menos de um terço das vendas de carros novos no ano passado, uma queda de 4% em relação a 2017.

A indústria investiu muito em utilitários esportivos e caminhões, para que sejam mais luxuosos e contém com maior tecnologia de ponta, segundo analistas. Enquanto isso, a produção de carros pequenos e de sedãs caiu ou foi diretamente abandonada por muitas fabricantes, como é o caso da Ford que, dentro em breve, só manterá a produção do Mustang, eliminando todos os sedãs de sua linha.

Novo Volkswagen Passat. Crédito da foto: Scott Olson / AFP

Inaugurando sua sexta geração, o Ford Explorer traz um projeto todo novo, incluindo uma nova plataforma da marca para modelos com tração traseira. A arquitetura, nas palavras da Ford, colabora em especial com o espaço interno para os ocupantes, que se tornou bem mais generoso e permite acomodar até mesmo os passageiros da terceira fileira de assentos com bem mais conforto.

A GM anunciou o plano de fechar as fábricas subutilizadas que fabricam carros pequenos. A Ford tinha previsto tomar medidas similares de redução de custos na Europa.

A Volkswagen, por sua vez, vai seguir um caminho inverso e mostra no Salão de Detroit o novo Passat. O modelo ganhou um visual mais moderno. Até mesmo as rodas já deixam clara essa intenção.

Kia Telluride. Crédito da foto: Scott Olson / AFP

Apesar de ser anunciado como um modelo novo, o Passat 2020 é apenas um grande facelift. Sob o capô o sedã tem um motor turbo de 2.0 litros e quatro cilindros que produz 174 cv. Ele recebe transmissão automática de seis velocidades. O motor VR6 3.6 de 280 cv do Passat anterior sai de linha.

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A Nissan revelou no salão o conceito IMs que traz novas proporções revolucionárias e espaço interior esticado – incluindo uma exclusiva arquitetura de “Assentos Premier” 2 + 1 + 2 e foi concebido para criar um segmento de veículo totalmente novo, o de sedan esportivo elevado. O veículo elétrico puro de tração integral com capacidade de acionamento totalmente autônoma. O Salão de Detroit, criado há 30 anos receberá o público entre 19 e 27 de janeiro. (Adalberto Vieira com AFP e informações de fabricantes)

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