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Carros elétricos dominam os estandes do Salão de Genebra

Preocupados com limites de emissões impostos pela União Europeia, fabricantes correm em direção à eletrificação
Carros elétricos dominam os estandes do Salão de Genebra
Crédito da foto: AFP

O Salão do Automóvel de Genebra, que permanece aberto ao público até o próximo domingo (17), traz uma grande quantidade de modelos elétricos, mas os fabricantes não escondem sua preocupação, ameaçados por limitações ecológicas na Europa e guerras comerciais em escala global.

Forçado a reduzir as emissões de CO2 para atingir os limites impostos pela União Europeia em 2020, medidas que se tornarão ainda mais rígidas em 2030, o setor está empenhado em uma corrida em direção à eletrificação.

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Os carros elétricos são “uma boa solução”, disse o diretor da francesa Peugeot Citroen (PSA), Carlos Tavares, a jornalistas. “É necessário que aceleremos, mas como em toda aceleração, há um limite, e acredito que o atravessamos”, comentou.

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Em 2020, “a exclusão do mercado de automóveis menos eficientes em termos de CO2 vai se traduzir em fechamento de fábricas, como indicam os fabricantes europeus”, alertou.

Harald Kruger, diretor da BMW, apontou que os objetivos fixados em dezembro pela União Europeia para 2030 são “um desafio dramático” para a indústria automotiva.

“Hoje ninguém tem a solução” para atingir esses objetivos e ao mesmo tempo manter preços aceitáveis para os clientes, disse Didier Leroy, o número 2 da japonesa Toyota.

Elétricos são mais caros

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Os automóveis elétricos são por enquanto consideravelmente mais caros que os equivalentes com motor de combustão, essencialmente pelo custo elevado das baterias.

O modelo Jaguar I-Pace, um SUV que recebeu o prêmio de Automóvel Europeu do Ano, tem um preço de mais de 80.000 euros, de forma que dificilmente encarnará a ideia de mobilidade para todos.

Por isso, Tavares disse ao jornal Le Figaro que “se os fabricantes não venderem mais veículos elétricos, serão arruinados pelas multas”.

Depois de anos de crescimento e de lucros recorde, a conjuntura se transformou desde 2018 em consequência de uma baixa do mercado chinês, o principal mercado mundial. A possibilidade de um Brexit sem acordo e o conflito comercial entre Estados Unidos e China também foram apontados como prejudiciais ao setor.

Carros-conceito e superesportivos

O Salão Internacional do Automóvel de Genebra 2019 abriu as portas dia 7 e prossegue até domingo. Há um grande número de veículos elétricos e híbridos e muitas novidades. Há ainda modelos comuns — os que mais interessam — e alguns deles podem chegar ao Brasil. Um deles é a nova geração do Peugeot 208. Não há data para a chegada do novo Peugeot 208 convencional, mas no Salão foi apresentado o e-208, versão elétrica da nova geração, com motor de 136cv de potência e 26,5 kgfm de torque. O carro tem autonomia de 340 km e a bateria pode ser recarregada em 80% em 30 minutos desde que se tenha acesso a uma tomada de alto desempenho.

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Foi apresentado também o novo Renault Clio que não tem chances de vir para o Brasil, uma vez que a marca prefere trazer os modelos criados pela Dacia, da Romênia. A novidade é que foi lançada uma versão híbrida do Clio, a E-Tech, que traz um motor 1.6 movido a gasolina e dois motores elétricos.

Carros-conceito

Como todo Salão, Genebra mostra vários carros- conceito. Um deles é o Fiat Centoventi, em comemoração aos 120 anos da marca (veja reportagem na página 8), um carro elétrico compacto que pode ser “montado” pelo proprietário.

Outro conceito que chamou a atenção é o Volkswagen ID Buggy, um modelo que está nos planos de eletrificação da marca. Na verdade ele é muito semelhante àqueles que foram construídos no Brasil décadas atrás sobre plataforma e motor do Fusca. A intenção é mostrar a versatilidade de sua plataforma modular elétrica. O pequeno Ami One Concept, da Citroën, é outra proposta de mobilidade urbana. O carrinho, ultracompacto, tem propulsão elétrica e leva até duas pessoas.

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Estão expostos também carros superesportivos. A Lamborghini apresentou o Aventador SVJ Roadster que traz um motor V12 com 759 cv de potência e monstruoso torque de 73,4 kgfm (0 a 100 km/h em 2,9 segundos).

Foi apresentado também o Bugatti La Voiture Noire considerado o carro mais caro do mundo, avaliado em 11 milhões de euros (R$ 47 milhões). O motor é um gigantesco W16 de 8 litros, com quatro turbocompressores, com 1.500 cv de potência e 163 kgfm de torque.

Lançamentos e modelos de luxo

Depois de uma queda de 1% no ano passado, espera-se um retrocesso de 2% no mercado automotivo global este ano, para 81,9 milhões de unidades. Segundo Ferdinand Dudenhöffer, diretor do Centro de Pesquisa sobre automóveis (CAR), baseado na Alemanha, os lucros dos fabricantes e fornecedores serão muito baixos neste ano, o que resultará em cortes na produção e de pessoal.

Carros elétricos dominam os estandes do Salão de GenebraOs modelos expostos em Genebra refletem uma preocupação com o combate ao aquecimento global. Citroën e Honda também exibiram sua visão de futuros modelos urbanos movidos a bateria.

Entre as marcas de prestígio, Aston Martin, Audi e Mercedes mostraram ideias de SUV elétricos, com os quais esperam poder competir com o californiano Tesla, cujo Model 3 acaba de desembarcar na Europa.

As últimas gerações dos modelos compactos urbanos de Renault Clio, o segundo em nível de vendas na Europa, e Peugeot 208, também fizeram sua primeira aparição. Mas Genebra também é o palco de exibição dos modelos de luxo. A Bentley mostra seu Bentayga Speed, que reivindica o título de SUV de série mais rápido do mundo (306 km/h).

Os conversíveis Huracan Evo Spyder, da Lamborghini, e Porsche 911 deverão atrair os olhares, assim como a Ferrari F8 Tributo, com seu motor de 720 cavalos de potência. (Da Redação, com informações da AFP)

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