Buscar no Cruzeiro

Buscar

Fiat

Tipo: do fenômeno de vendas aos incêndios que marcaram seus donos

Carro foi importado da Itália a partir de 1993 e se tornou um sucesso no Brasil

03 de Outubro de 2026 às 21:17
Tom Rocha [email protected]
Veículo se destacava pela dirigibilidade proporcionada pela suspensão independente nas quatro rodas
Em 1994 e 1995, o Tipo foi o carro importado mais vendido do país (Crédito: DIVULGAÇÃO)

A abertura do mercado brasileiro às importações de veículos, no início dos anos 1990, colocou nas ruas modelos que ofereciam tecnologias e equipamentos até então pouco comuns entre os carros nacionais. Um dos maiores símbolos dessa transformação foi o Fiat Tipo, importado da Itália a partir de 1993.

Com desenho moderno, bom espaço interno, preço competitivo e equipamentos que eram diferenciais diante dos concorrentes nacionais, o hatch rapidamente conquistou os brasileiros.

Em 1994 e 1995, o Tipo foi o carro importado mais vendido do país e chegou à quinta posição no mercado brasileiro em 1995, considerando todos os modelos.

Sucesso nas ruas

O Tipo se destacava pela dirigibilidade proporcionada pela suspensão independente nas quatro rodas, além do bom aproveitamento interno e do porta-malas. O modelo também oferecia itens que, na época, ainda eram pouco comuns entre os concorrentes.

A primeira versão comercializada no Brasil era o Tipo 1.6 i.e., equipado com motor de 1,6 litro e injeção eletrônica monoponto, com 82 cv. Posteriormente, também foram oferecidas versões com motor 2.0, incluindo a esportiva Sedicivalvole, de 16 válvulas.

O sucesso do hatch levou a Fiat a apostar na produção nacional. A fabricação em Betim (MG) começou no fim de 1995, com os primeiros exemplares nacionais chegando ao mercado em 1996. A versão brasileira passou a utilizar o motor 1.6 de oito válvulas com injeção multiponto, de 92 cv, dez cavalos a mais que o 1.6 importado.

O Tipo nacional também entrou para a história da indústria automobilística brasileira por ser o primeiro modelo produzido no país a oferecer airbag de série/opcional para o motorista, dependendo da configuração e do período de lançamento. Na época, a Fiat disputou esse pioneirismo com o Chevrolet Vectra.

Incêndios na hidráulica

O sucesso, porém, começou a desaparecer diante de uma sucessão de casos de incêndio envolvendo principalmente os Tipo 1.6 importados.

O problema estava relacionado ao sistema de direção hidráulica. Uma mangueira de alta pressão podia se romper e provocar o vazamento do fluido sobre componentes extremamente quentes do sistema de escapamento, dando início às chamas no compartimento do motor.

Os casos ganharam grande repercussão a partir de 1995 e levaram a Fiat a realizar dois recalls em 1996. O primeiro envolveu a substituição do tubo convergedor de ar quente. Como novos incêndios continuaram sendo registrados, a segunda campanha incluiu alterações na tubulação de combustível e na mangueira do sistema de direção hidráulica.

Recuperação falhou

A nacionalização chegou justamente quando a reputação do Tipo já havia sido profundamente afetada pelos incêndios. Embora a versão brasileira tivesse recebido modificações e adotado o novo motor 1.6 de 92 cv, o modelo não conseguiu recuperar o espaço conquistado nos primeiros anos.

A produção brasileira foi curta. Cerca de 12,5 mil unidades nacionais foram produzidas até 1997, enquanto aproximadamente 170 mil unidades haviam sido importadas da Itália durante os anos anteriores.

Em 1997, o Tipo saiu definitivamente de linha no Brasil. Dois anos depois, a Fiat colocaria nas lojas seu sucessor, o Brava.

Galeria

Confira a galeria de fotos