Da pista para as ruas: como a Honda CBR 450 SR se tornou um ícone

Conheça a história da moto que virou sonho de consumo em potência e design

Por Tom Rocha

Arte do manual do proprietário da Honda CBR 450 SR

Em 1987 alguns clientes da Honda CB 450, sucessora da CB 400, a primeira moto de alta cilindrada produzida no Brasil, foram chamados para responder uma pesquisa e apontar o que gostariam que mudasse no modelo. As respostas mostraram uma direção clara: melhorar a parte ciclística (conjunto estrutural e dinâmico responsável por dar sustentação, estabilidade e controle), atualizar o visual e manter a mecânica confiável.

Dois anos depois as sugestões se materializaram em uma nova moto, a Honda CBR 450SR, um imediato sucesso de vendas. A novidade cumpriu fielmente o que os clientes pediram, trazendo uma estética atraente e moderna, chassi inédito e a manutenção do motor, que recebeu alguns cavalos a mais sem nenhum prejuízo à confiabilidade.

O modelo é considerado a primeira Honda 100% brasileira pois sua venda foi feita exclusivamente em nosso mercado, e também por se tratar de modelo plenamente desenvolvido pelos técnicos da fábrica em Manaus. O elo em comum com a bem conhecida CB 450, o motor, foi envolvido por um chassi inédito tipo Diamond, realizado em tubos de aço de perfil retangular e quadrado, atualização técnica bem evidenciada pela inscrição "Twin Tube Frame", aplicada com destaque na lateral da carenagem. Foi a primeira quatro tempos disponível no País.

Falando em carenagem, a equipe de estilo acertou na mosca; as formas causaram impacto e atendiam plenamente o gosto da época, que valorizava fortemente motos com carenagem integral. O desenho da CBR 450SR foi inspirado no conceito Aero inaugurado em 1987 pela Honda CBR 1000F, na qual o motor totalmente encapsulado favorecia a aerodinâmica, além de criar uma ampla superfície para os grafismos.

A beleza da CBR 450SR agradou tanto que durante todo o tempo em que o modelo esteve em produção, de 1989 até 1994, não houve absolutamente nenhuma alteração em suas formas, mas apenas mudanças nas cores e grafismos. Dotada de painel completo, pequeno porta-objetos na porção esquerda da carenagem, semiguidões como suporte de alumínio assim como as pedaleiras, a novidade era uma genuína esportiva de excelente ergonomia.

A Honda CBR 450SR é cultuada como um modelo dos mais relevantes de sua época, e é objeto de procura por colecionadores e aficionados. Nos seis anos em que foi fabricada, exatas 14.101 unidades saíram das linhas de montagem, entretanto a robustez de sua mecânica a torna uma motocicleta ainda comum de se ver rodando nos quatro cantos do Brasil.

Outro fator que contribuiu para o fim do modelo foi a mudança no gosto do mercado, com o crescimento das motocicletas do estilo naked, caracterizadas pela ausência de carenagem. Um exemplo era a Suzuki GS 500E, ainda importada na época e comercializada por valores semelhantes aos da Honda.

Apesar de ter permanecido apenas alguns anos em produção, a CBR 450 SR conquistou uma legião de admiradores e deixou sua marca entre as motocicletas esportivas brasileiras.

A moto ainda pode ser encontrada para venda em loja de veículos usados pelo País afora e marketplaces, por preços que chegam até R$ 30 mil.