Papa deixa papamóvel de lado em visita histórica à Ferrari nos anos 80

Líder católico passeia com um Mondial Cabriolet em um dos momentos automotivos mais curiosos da indústria

Por Cruzeiro do Sul

Papa João Paulo II percorre a fábrica da marca italiana em Maranello

Em uma das cenas mais inusitadas envolvendo o Vaticano e a indústria automobilística italiana nos anos 1980, o papa João Paulo II protagonizou um passeio histórico em uma Ferrari vermelha durante visita à fábrica da Ferrari, em Maranello, na Itália, em 1988. O pontífice deixou de lado o tradicional papamóvel e percorreu a pista de testes de Fiorano em uma Ferrari Mondial Cabriolet, modelo esportivo conversível da marca italiana.

A passagem do líder da Igreja Católica pela fábrica reuniu milhares de funcionários e familiares da montadora, que acompanharam o trajeto do veículo ao redor do circuito. O carro vermelho, símbolo do automobilismo esportivo italiano, chamou atenção pelo contraste com a figura tradicional do papa, que apareceu em pé no automóvel acenando para o público.

O passeio durou cerca de dez minutos e foi conduzido por Piero Ferrari, filho do fundador da empresa, Enzo Ferrari. Embora o trajeto tenha sido feito em baixa velocidade, dirigentes da montadora afirmaram que o pontífice demonstrou entusiasmo após a experiência. A visita ocorreu durante uma agenda oficial de cinco dias do papa pelo norte da Itália.

Mais do que um encontro protocolar, o episódio aproximou dois símbolos italianos de forte apelo popular: a Igreja Católica e a Ferrari. Conhecido pelo interesse em esportes e atividades ao ar livre, João Paulo II acabou entrando para a história também entre admiradores de automóveis de luxo e alta performance.

Durante a passagem pela fábrica, o papa discursou para cerca de 6 mil trabalhadores e familiares. Ele falou sobre dignidade do trabalho, direitos dos trabalhadores e o papel social da atividade profissional. O pontífice também visitou o museu da Ferrari, onde conheceu modelos clássicos utilizados nas pistas de corrida.

Ao final da visita, a empresa presenteou João Paulo II com uma égua chamada Fleur d’Elise, em referência ao cavalo empinado que simboliza a Ferrari. Segundo representantes do Vaticano na época, o animal seria encaminhado posteriormente a uma instituição de equoterapia voltada ao tratamento de crianças com limitações motoras.

O encontro ainda teve um detalhe simbólico: o papa esperava conhecer pessoalmente Enzo Ferrari, então com 90 anos, mas o empresário não conseguiu comparecer por problemas de saúde. Antes de deixar o complexo industrial, no entanto, João Paulo II falou com o fundador da marca por telefone.

Décadas depois, a imagem do pontífice em uma Ferrari conversível segue como um dos registros mais curiosos da história recente do Vaticano — unindo fé, carisma popular e a paixão mundial pelos carros esportivos italianos. (Da Redação, com informações da United Press International)