De Sorocaba ao Alasca: motociclista atravessa as Américas rumo à Copa do Mundo

Sorocabano conta que sempre foi muito bem recebido nos países vizinhos por ser brasileiro

Por Cruzeiro do Sul

Ednilson Ruiz Vieira da Maia atualmente está no Panamá

Vestindo a camisa da seleção brasileira de futebol e carregando na bagagem o orgulho de ser brasileiro, Ednilson Ruiz Vieira da Maia, mais conhecido como Beda Motero, decidiu transformar a Copa do Mundo Fifa de 2026 em muito mais do que um torneio de futebol: ela virou combustível para uma aventura rumo ao Alasca. A competição será realizada no México, Estados Unidos e Canadá, em junho, e ele quer cruzar o continente sobre duas rodas, unindo o sonho de acompanhar o torneio ao desejo antigo de percorrer a América do Sul ao extremo norte do continente.

O sorocabano, que atualmente está no Panamá, na América Central, conta que sempre foi muito bem recebido nos países vizinhos por ser brasileiro e que viajar com a camisa da seleção é uma experiência maravilhosa. “É muito gostoso viajar com a camisa da seleção brasileira. Eu já conheço toda a América do Sul e sempre fui muito bem recebido por ser brasileiro.” A ideia de unir a Copa à expedição ganhou força após uma conversa com um amigo, Everson, integrante do grupo Demônios da Garoa, que sugeriu que ele aproveitasse o período do Mundial para seguir rumo ao Alasca. O plano já vinha sendo amadurecido desde 2022, quando retornou de uma viagem até Ushuaia, na Argentina. Depois de alcançar o extremo sul das Américas, decidiu que o próximo passo seria chegar ao extremo norte. “Eu pensei: já fui ao extremo sul, agora quero ir ao extremo norte, quero fazer a América de ponta a ponta.”

O planejamento começou em fevereiro de 2025 e, em novembro, ele deu partida. Desde então, coleciona histórias, paisagens e desafios. O mais difícil deles acontece agora, em alto-mar, na travessia pela região do Estreito de Darién, onde não existe estrada ligando a América do Sul à Central. Sem condições de pagar pelo transporte aéreo, ele escolheu o barco. “Já estou há quase duas semanas embarcado, o mar balança muito, entra água, é maresia o tempo todo. Está sendo o trecho mais difícil até agora”, relata. A travessia pode durar até 20 dias. “Eu não vejo a hora de pisar em terra firme e pegar minha moto de novo.”

O mar assusta, mas a estrada também já trouxe momentos complicados. No dia 25 de dezembro, no Peru, um carro em alta velocidade atingiu sua moto. O veículo capotou várias vezes e teve perda total. Ele fraturou a mão. “Foi um acidente muito feio, minha moto quebrou toda na frente, minha mão ficou roxa, inchada. Eu achava que estava trincada, mas era fratura mesmo.” Mesmo ferido, precisou resolver questões policiais e organizar o conserto da moto antes de buscar atendimento. Só dias depois conseguiu chegar a um hospital em Guayaquil, no Equador. “Fiquei oito dias pilotando com a mão quebrada, mas voltar não era uma opção.”

Ele ainda sente dores, mas segue firme. “Dói um pouco, mas já é outra vida, eu estou vivendo um sonho.” No Panamá, ele se diz encantado com a receptividade e também relembra o carinho que recebeu na Colômbia. “Eu já conheço todos os países da América do Sul e, para mim, é maravilhoso rever as pessoas, conhecer a cultura, a culinária, aprender novas palavras e idiomas. Os panamenhos estão me surpreendendo, são pessoas boas demais, eu estou encantado.”

A expectativa para a Copa é enorme. Ele pretende chegar ao México antes do início do torneio, mas estará nos Estados Unidos quando a bola começar a rolar. O plano é seguir até Nova York para sentir de perto a energia do evento. “Quero fazer muitos vídeos, muitas fotos, conhecer gente do mundo inteiro, quero viver essa Copa intensamente.” Assistir aos jogos no estádio ainda é incerto por causa do preço dos ingressos, mas ele não perde o otimismo. “Eu quero acompanhar todos os jogos, nem que seja do lado de fora.”

Depois do apito final do Mundial, a aventura continua rumo ao Alasca, pela rodovia que corta o continente até o extremo norte. Entre mares, estradas, acidentes, fronteiras e a bandeira verde-amarela balançando pelo caminho, o sorocabano segue acelerando determinado a transformar o próprio sonho em realidade. (Lavínia Carvalho - programa de estágio)