Sorocaba tem 1.213 veículos de coleção com até 98 anos

O popular Fusca é o preferido dos sorocabanos, com 323 exemplares de placa preta fabricados entre 1952 e 1995 na cidade

Por Cruzeiro do Sul

Além de um documento histórico "vivo", um carro que ostenta uma placa preta tem seu valor financeiro elevado

Aos fins de semana, sobretudo aos domingos, é comum ver carros antigos circulando pela cidade de Sorocaba. De placa preta, eles pertencem a colecionadores que solicitaram ao Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) um reconhecimento pelo valor histórico de seus bem cuidados veículos, um hábito que vem se popularizando nos últimos anos. De 42.979 unidades em 2020, a frota de placas pretas do estado de São Paulo passou a 76.087 em fevereiro de 2026, um aumento de 77%, segundo números do Detran-SP. Apenas em Sorocaba, são 1.213 veículos de colecionadores, com até 98 anos de vida ativa.

Os carros mais antigos da cidade são dois Fords de 1928, um clássico da época, e um Whippet do mesmo ano, compacto popular da Willys-Overland Motor Company, fabricante que no início do século XX rivalizava com a Ford pelo mercado dos Estados Unidos. Mas o líder no gosto dos colecionadores sorocabanos é mesmo o popular Fusca, com 323 exemplares de placa preta fabricados entre 1952 e 1995 — de uma frota de quase 17.000 em todo o estado. Um veículo, para ter a placa de coleção, deve possuir ao menos 30 anos.

Já o automóvel mais longevo do estado fica na capital: um exemplar da fabricante francesa De Dion-Bouton de 1902. Fundada pelo marquês Jules-Albert de Dion e por Georges Bouton, dos quais leva o nome, a indústria funcionou de 1883 a 1953. Os outros três veículos mais antigos são também da capital, todos de 1906. Dois são franceses, um Renault e um Peugeot, e outro é um norte-americano Cadillac. Ao todo, o estado de São Paulo possui 2,8 milhões de veículos fabricados até 1950 com valor histórico reconhecido.

Além de um documento histórico ‘vivo‘, um veículo que ostenta uma placa preta tem seu valor financeiro elevado. Obtê-la não é a tarefa mais fácil do mundo, mas o Detran-SP acaba de lançar uma página exclusiva para ajudar quem deseja obter o sonhado distintivo de colecionador para o carro: a placa preta.

O site é dedicado a veículos antigos de modo geral, e permite também a regularização de automóveis que ainda possuam a velha placa amarela de duas letras, e a emissão gratuita da Certidão de Veículo com Placa Amarela, documento usado para provar registro, propriedade e histórico da moto ou automóvel, e também na instrução de processos administrativos ou judiciais. A certidão tem o benefício adicional de dar suporte à regularização ou atualização cadastral e à transferência de propriedade.

Veículos antigos e de coleção

A troca da placa amarela por uma do padrão atual, hoje o Mercosul, é obrigatória, se o proprietário tiver o interesse em circular com o veículo. Um veículo flagrado na rua com a placa de duas letras será recolhido a um pátio, já que não é registrado na base do Detran-SP. Quem possui um veículo de placa amarela, por vezes herdado de parente ou parte da coleção da família e tem interesse em rodar pelas vias, deve regularizá-lo.

Mas regularizar é simples: basta fazer uma solicitação pela nova página e seguir o passo a passo, como pagar a taxa de R$ 469,91, que inclui a de licenciamento. O Detran-SP remeterá o pedido à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que cuidará da atualização.

Placa preta

A placa preta é como um selo que atesta a longevidade e a raridade do veículo e o valoriza, inclusive no preço, e por isso é buscada por colecionadores que preservam seus automóveis. Para tê-la, é preciso preencher diversas condições, o que explica a pequena quantidade de placas pretas diante da frota total do estado: são 76.087 veículos de colecionadores.

Além de precisar ter ao menos 30 anos, os veículos devem ter os traços originais preservados, sinal de seu valor histórico. É necessário manter mecânica, carroceria, suspensão e aparência, além de características de emissão de gases poluentes, ruído e demais itens condizentes com a tecnologia e cultura da época de sua fabricação.

Também é preciso apresentar o Certificado de Veículo de Coleção (CVCOL) expedido por entidade credenciada pela Senatran, e o Certificado de Segurança Veicular (CSV), elaborado por uma Instituição Técnica Licenciada (ITL) para afirmar que o veículo está apto para rodar com segurança em via pública. O proprietário deve arcar com a taxa de 2ª via do documento de propriedade do veículo (CRV) - de R$ 295,83, se o licenciamento do ano atual já tiver sido feito, ou de R$ 469,91, se for preciso quitar o licenciamento junto - e também fazer parte de um clube de colecionadores.

Apesar das exigências, a quantidade de veículos de placa preta tem crescido em São Paulo, puxada pela maior popularização do hábito de colecionar. Em 2023, a frota de colecionáveis contava com 53.037 veículos, 43% a menos que a atual. (Da Redação)