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Um exemplo de vitalidade e sabedoria

Aos 92 anos, Therezinha se mantém muito ativa
Histórias que inspiram
Hoje com 92 anos, a professora Therezinha Joly marcou gerações no Estadão – Foto: Fábio Rogério

Aos 92 anos, Therezinha Gomes Fonseca Joly, mantém um vigor físico e mental que não dá sinais de definhamento. Academia, línguas estrangeiras, pintura, leitura e oração são apenas algumas das atividades que recheiam os seus dias. A professora de inglês aposentada está sempre disposta a apreender algo novo ou ensinar o que sabe. “Todos nós somos professores. Porque a gente aprende com a cozinheira, com o motorista, até com as pessoas que pedem esmolas. A gente aprende amizade, carinho, que devemos amar o próximo desde o mais humilde. Minha vida é pautada por esses princípios”, explica.

Therezinha é figura frequente na academia do Ipanema Clube de Sorocaba, onde demonstra desenvoltura com os aparelhos e faz questão de cumprir todo o treino passado pelos profissionais. Ela conta que está com a saúde em perfeito estado e que não “pega nem gripe”. O segredo da longevidade, avalia, está em um conjunto de fatores. “Meus pais tiveram vida muito longa, acho que a genética influi muito”, observa. Enquanto o pai passou dos 90 anos, a mãe chegou aos 102. Outro ponto seria a alimentação natural estimulada desde a infância pelos pais que possuíam hortas e pomares.

Ela conta que sempre foi muito ativa e que isso não mudou com a aposentadoria em 1978. A professora marcou gerações que passaram pela Escola Estadual Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, o “Estadão”, onde lecionou por 15 anos. Ao todo, foi professora por mais de três décadas. Com orgulho, observa que contribuiu para a formação de um incontável número de sorocabanos. Alguns hoje advogados, médicos, políticos e até professores de inglês — influenciados por seu trabalho.

E a aposentadoria não desacelerou sua vida. Atuou na Paróquia de São Lucas, ministrando oficinas de oração; praticou ioga por mais de 30 anos e chegou a dar aulas da prática para os moradores do prédio onde reside; fez curso de Programação Neurolinguística (PNL); estudou informática (se comunica com os amigos e familiares pelo celular); cursa pintura há 40 anos e mesmo com todo o conhecimento em inglês também faz aprimoramento para conversação. A senhora ainda encontra um tempo para dar aulas de inglês a familiares.

A sagacidade mental é estimulada logo pela manhã, quando faz questão de solucionar as palavras-cruzadas do jornal Cruzeiro do Sul diariamente. Também mantém o hábito de ler um livro por semana e gosta de escrever. Seus gêneros preferidos são aventura, romance e de época. Escreve hoje “um caderno de recordações”, que deve se tornar um livro de memórias.

Histórias que inspiram
A filha Pituca não esconde a admiração pela mãe – Foto: Fábio Rogério

Memória, aliás, que continua aguçada. Fala em detalhes dos três filhos, quatro netos e quatro bisnetos, descrevendo em minúcia os nomes e idades de cada um, as profissões, as conquistas e as qualidades. Um renomado designer, uma doce estudante de pedagogia, um professor de universidade, etc. Aos sábados, organiza um almoço para a toda a família: cuida do prato preferido de um e o que desagrada o gosto de outro. É uma matriarca que abraça toda a família. “Ela é doce, meiga, carinhosa. Eu diria, assim, o nosso porto seguro”, afirma emocionada a filha Pituca Joly Picihini, de 64 anos. A mãe protesta aos elogios da filha e alega ser muito paparicada.

Relata que por onde passou, colheu estimas e não se recorda de desavenças. Casou-se em 1951, com Fábio José Joly e ficou viuva há 25 anos. Há 60 anos mora em Sorocaba, mas já viajou para a África, Europa e América do Norte, além de muitos estados brasileiros. Hoje já não tem tanta disposição para a “canseira” dos aeroportos e mora com uma bisneta que a faz companhia, mas não deixa a independência. Sai de bengala para fazer o cabelo — impecável –, põe brinco e maquiagem. Fala como quem viveu — e vive todos os dias — com satisfação.“Eu sou muito feliz”, afirma confiante, ostentando uma das mais admiradas conquistas: a felicidade. Instigada a dar um conselho ao mais jovens, declara: “Sejam sempre bondosos, delicados, amorosos e você será sempre muito feliz”.

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