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Sorocabano repensa a mobilidade e opta por pedalar a dirigir

Com o trânsito cada vez mais complicado, munícipes aderem a outras maneiras de locomoção
Sorocabano repensa a mobilidade
Seja de bike convencional, elétrica, ônibus ou carros de aplicativo, o veículo particular vem perdendo espaço. Priscila Moreira é uma das pessoas que preferem pedalar a dirigir. Crédito da foto: Emidio Marques

Quase 500 mil carros circulam em Sorocaba diariamente, mas a cada dia mais pessoas abrem mão do veículo particular e repensam maneiras de locomoção. O que antes era considerado sinônimo de conforto, hoje é visto por muitos como uma despesa desnecessária, que contribui para dificultar o trânsito na cidade. Seja de bike convencional, elétrica, ônibus ou carros compartilhados de aplicativo, o carro particular vem perdendo espaço no dia a dia do sorocabano.

O transporte coletivo é o principal meio usado pela vendedora Suelen Cardoso Rezani, 29, desde fevereiro. “Eu vendi meu carro porque queria comprar um imóvel e o dinheiro foi importante para a entrada e a economia mensal me ajuda a pagar as parcelas”, contou. Por mês ela calcula que gasta R$ 250 a menos apenas em combustível. “O caminho que eu fazia para o trabalho tinha muito buraco no asfalto e acabava gastando muito em manutenção também”, recorda.

Assim como Suelen, diariamente uma média 160 mil pessoas utilizam o transporte coletivo em Sorocaba. Muitos idosos, com mais de 60 anos, também preferem deixar o carro na garagem e realizar seus compromissos utilizando ônibus, aproveitando a gratuidade no bilhete.

Em junho, a esteticista Camila Cunha Ribeiro, 32, vendeu o carro que compartilhava com o marido. “A gente decidiu economizar e então vendemos o carro por R$ 42 mil. Na minha bike pagamos quase R$ 3 mil e meu marido comprou uma moto por R$ 7 mil. O que sobrou a gente investiu na minha clínica”, conta a mulher, que diariamente pedala cerca de quatro quilômetros entre o Jardim Vergueiro e o Campolim.

De acordo com o Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade (PDTUM) de Sorocaba, estabelecido em 2013, pouco mais de 1% dos deslocamentos realizados pela cidade são feitos de bicicleta e diariamente são mais de um milhão de “viagens” sobre duas rodas não motorizadas que acontecem pelas vias sorocabanas.

Praticidade

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Adriana Zamprone está economizando e avalia que a mudança é válida. Crédito da foto: Emidio Marques

“No início foi por uma questão de economia, mas depois vimos que não ter carro também nos proporciona mais qualidade de vida”, afirma Adriana Zamprone, 48. Ela e a esposa antes tinham dois carros e o primeiro foi vendido por gerar muitos gastos no final do mês. Quando o casal precisou mudar de Estado, se desfez de um dos automóveis a fim de comprar outro em breve, mas já se passaram dois anos e isso não aconteceu.

Adriana é formada em educação física e também faz o curso de formação de Promotoras Legais Populares (PLPs) no centro de Sorocaba. Moradora da zona leste, conta que para fazer compras de itens menores, vai até o mercado caminhando. “Eu também compro bastante pela internet ou então chamo um Uber para voltar caso tenha muita coisa para carregar.” O ônibus, em deslocamentos maiores, também é uma opção. “No carro, além do combustível, tem IPVA, seguro e estacionamento, então é uma mudança muito válida.”

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William Alves cumpre seus compromissos de forma confortável usando Uber. Crédito da foto: Emidio Marques

Desde 2017, depois de um processo de separação, William Alves, 34, ficou sem carro próprio e viu que é possível cumprir com seus compromissos de forma confortável utilizando outros meios de transporte. “Faço tudo basicamente caminhando ou de Uber”, conta o publicitário. Morando na Vila Carvalho, William muitas vezes opta por ir a pé até a agência que trabalha, no Jardim Europa. “Dá uma hora de caminhada. Às vezes faço isso na volta por estar mais fresco.”

Com o advogado Vinicius Machado, 30, a decisão foi estudada por pelo menos cinco meses e a venda do carro particular aconteceu em fevereiro deste ano. “Coloquei na ponta do lápis e vi que com o carro eu gastava pelo menos R$ 24 mil por ano, incluindo todas as despesas de combustível, imposto, seguro.”

Morando mais perto do escritório que trabalha, ele viu que não tinha mais a necessidade de ter um carro e então começou a ir trabalhar a pé. “Quando vou sair à noite para algum barzinho tem a facilidade do aplicativo. Posso beber sem a preocupação com o risco de dirigir depois”, conta. Quando precisa viajar, ele opta por alugar um carro, que é pelo menos um terço mais barato do que a prestação que pagava do veículo próprio.

Bike elétrica ganha cada vez mais espaço

Cansado e gastar com a manutenção do carro, o analista de suporte Dante Vassoler de Assis, 28, optou pela bicicleta e pretende comprar um kit para motorizá-la. “Eu moro relativamente perto do trabalho, mas com a bike convencional a gente acaba suando e aí não é legal chegar assim para trabalhar. O carro já me deixou na mão algumas vezes e por isso vou optar pela bike elétrica, que junta agilidade, rapidez e economia.” Dante conta que já pesquisou o kit elétrico e ele mesmo fará a conversão.

É pensando justamente nesse nicho de pessoas que estão deixando os carros na garagem que a start up E-mooving chegou em Sorocaba no mês passado oferecendo a locação de bikes elétricas. A empresa, que já funciona há quatro anos na capital paulista, também realiza a venda, mas o foco principal é na locação.

Adriana Lacombi, gerente de operações e expansão da marca, conta que Sorocaba foi escolhida justamente por ter um público com perfil que valoriza uma vida mais saudável e respeita o meio ambiente. “É também uma cidade que respira o conceito de mobilidade inteligente e a malha cicloviária é maior do que de muitas capitais”, avalia.

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Ela conta que em uma semana na cidade, pelo menos dez locações já foram feitas e é possível optar pelo plano quinzenal ou mensal. “Em 15 dias a pessoa pode testar e avaliar se a bike elétrica se encaixa na rotina dela. Se gostar, pode passar a assinar, pelo valor de R$ 199 ao mês, com fidelidade de três meses”, explica.

A manutenção das bicicletas está inclusa no valor da locação e o usuário fica responsável pela segurança do item. Segundo Adriana, a média das distâncias percorridas pelos clientes é de oito quilômetros e a bike tem uma autonomia para até 25.

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Alexandre Muniz conta que decidiu vender sua moto. Crédito da foto: Emidio Marques

Alexandre Augusto de Oliveira Muniz, 44, conta que há pouco mais de dois anos começou a pesquisar sobre algum novo meio de transporte, já que ele e a esposa trabalham fora e possuem só um carro. “Vi que comprar outro carro era inviável e acabei comprando uma bike convencional, mas para longas distâncias ela não me atendia.” Ele mora em Votorantim e é sócio proprietário de um co-working localizado próximo ao Parque das Águas, na zona norte de Sorocaba. A locação de bike elétrica foi a solução encontrada pelo empresário.

Ele também tem uma moto, mas por conta do risco e dos custos, vai colocá-la à venda. De casa ao trabalho, conta, utilizando a bike elétrica, leva aproximadamente 30 minutos, enquanto de moto gastava 20, com a bike convencional 45 e de carro 25. “Avaliando o custo benefício, a bike elétrica é o que melhor se encaixa na minha rotina e consigo transitar em segurança pelas ciclovias”, avalia.

Já a agente de marcas de patente Melissa Quevedo, 30, fez do carro sua segunda opção de transporte e passou a priorizar a bike elétrica. “Eu aproveitei uma promoção de Black Friday e paguei R$ 100 na mensalidade, mas normalmente é R$ 200. Ainda assim, fica muito abaixo do que eu gasto com o carro”, conta ela, que mora na região de Santa Rosália e trabalha na região central.

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Melissa Quevedo fez do carro uma segunda opção. Crédito da foto: Emidio Marques

Por ser um trajeto considerado curto, todos os dias ela pedala até o trabalho e também até a academia. “Só uso o carro se for transportar algo grande, mas normalmente faço tudo com a bike”, afirma. Melissa conta que decidiu alugar para fazer um teste e se surpreendeu, já que a bike chega a velocidade de até 25 quilômetros por hora. “Muitas vezes chego antes do que se estivesse de carro e ela aguenta muito bem nas subidas, sem contar que faz bem para a saúde.”

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120 mil usam as bicicletas públicas

Quem não tem sua própria bike, não pode gastar locando uma elétrica e muito menos usar carros de aplicativo, pode optar pelas bicicletas públicas do programa Integrabike. Segundo a Urbes — Trânsito e Transporte, aproximadamente 120 mil sorocabanos estão cadastrados e utilizam as bikes diariamente. As viagens duram, em média, dez minutos e os pontos da região central são os mais procurados pelos usuários.

Muitas pessoas fazem todos os seus trajetos com a bicicleta pública e outras integram esse modal ao ônibus, por exemplo. Sorocaba conta atualmente com 130 quilômetros de vias adaptadas para ciclistas, sendo 96% desse total de ciclovias e o restante de ciclo faixas, com 90% de conectividade.

A auxiliar administrativa Priscila Moreira, 37, utiliza as bikes pelo menos duas vezes na semana, para se deslocar até a academia. Ela percorre um trajeto de aproximadamente três quilômetros e leva cerca de 20 minutos, entre as estações do Poupatempo e a 21 da avenida Dom Aguirre. “Eu uso bastante o carro, mas para treinar, a bike é uma boa opção pelo horário. Consigo economizar tempo e dinheiro”, destaca.

Durante a semana o uso das bikes é gratuito por uma hora e aos finais de semana esse tempo aumenta para duas horas e é preciso um intervalo de 15 minutos para renovação do período. De acordo com a Urbes, as manutenções das bicicletas públicas são feitas periodicamente pela empresa M2, que administra todo o sistema. Atualmente, por conta das obras do BRT, as estações 25 — Maria Eugênia e 14 — Itavuvu estão fechadas.

O sistema é disponível para todos que possuem qualquer um dos Cartões de Transporte Coletivo Municipal. Tendo o cartão, o usuário pode se cadastrar pelo site do Integrabike, nas unidades das Casas dos Cidadãos e nos Terminais de Atendimento da Urbes. A cidade tem 25 estações com 12 ou oito bicicletas disponíveis ao público em cada uma delas. (Larissa Pessoa)

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