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Parceira para todas as horas

Mais que um acessório, a mochila integra looks e quem a usa demonstra a sua personalidade
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Confeccionadas em diferentes materiais, formatos, cores e estampas, as mochilas já se tornaram imprescindíveis no dia a dia. Crédito da foto: Fábio Rogério (8/2/2020)

Quase todo mundo tem uma mochila, há quem tenha mais de uma. Há tempos deixou de ser um simples acessório e se tornou peça fundamental no dia a dia de crianças, adolescentes, jovens e adultos. É companheira de estudos, para ir trabalhar, nas atividades esportivas e de lazer, passeios, viagens, pedaladas, caminhadas, escaladas, entre muitas outras situações. Discretas ou coloridas, bordadas, pintadas, com bottons, lenços amarrados, chaveiros pendurados, ou tantos outros adereços, as mochilas já integram o visual urbano em muitas cidades e, em Sorocaba, não é diferente. Elas parecem estar em toda parte, complementando os mais diferentes looks. E a tendência é serem usadas cada vez mais. Afinal, são práticas, e nelas cabe “quase tudo”. A designer e professora de Moda, da Escola Superior de Propaganda, Marketing e Comunicação (Esamc), Celina Fávero, faz algumas considerações sobre as mochilas na entrevista a seguir:

MIX – Como pode ser definida a mochila?

Celina – Desde a Antiguidade existem modos de amarrar e agrupar objetos para serem carregados nas costas de maneira mais prática. A mochila com zíper, feita de nylon e com formato mais próximo ao dos modelos atuais, surgiu ao final da Segunda Guerra Mundial com o objetivo de tornar as bolsas de costas dos soldados mais leves e fáceis de serem manuseadas. Logo, a mochila foi criada como um utilitário que, ao longo do tempo, foi ganhando status de acessório de moda, sendo confeccionada em diferentes materiais, formatos, cores e estampas e passando assim, a fazer parte da composição do look. Eu a definiria como a feliz junção entre funcionalidade e estética.

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Para a designer e professora de Moda, Celina Fávero, mochilas unem funcionalidade e estética. Crédito da foto: Acervo Pessoal

MIX – Com tanta variedade de formatos, cores e adereços, é possível, por meio de uma mochila, saber se quem a usa é alguém mais tímido, sóbrio, despojado, extrovertido, fã de determinado artista ou, ainda, uma pessoa que está mandando um recado ao mundo?

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Celina – Sim! Quando são utilizadas no cotidiano funcionam como qualquer outro acessório ou peça de roupa, sendo comum serem escolhidas de modo que combinem com o que o consumidor já tem no armário ou de acordo com os lugares que frequenta. Como as roupas, as mochilas também comunicam.

MIX – Podemos dizer, então, que há mochilas personalizadas? Ou que são transformadas no seu visual, sem perder a sua essência, para agradar ainda mais quem a usa?

Celina – Sim, podemos. Muitas das tendências de moda nascem das ruas ou seja, a partir do que as pessoas começam a fazer para dar mais personalidade a suas roupas e acessórios. Muito usadas por adolescentes, as mochilas costumam ser transformadas, pintadas, incrementadas com bottons, chaveiros, adesivos, por exemplo. Atenta, a indústria passa a ofertar produtos com essas características. Não podemos chamar algo fabricado em série de exclusivo ou personalizado, mas sabemos que campanhas bem direcionadas fazem com que as pessoas acreditem que determinado produto foi feito especialmente para elas, oferecendo a sensação de pertencimento a um grupo, por exemplo.

MIX – Com que tipo de roupa as mochilas combinam mais?

Celina – Felizmente temos mochilas que combinam com um grande número de estilos. Quando feitas em couro ou material similar, em cores mais discretas, podem ser utilizadas facilmente por um executivo. Algo que nem imaginávamos há algum tempo. As mais coloridas e estampadas, complementam looks casuais e esportivos. Vale lembrar que as maxi bolsas, que comumente se tornam tendência, muitas vezes fazem o papel das mochilas. Com um desenho próximo ao das bolsas convencionais, desempenham o mesmo papel: carregar muita coisa de uma só vez.

MIX – As mochilas carregam quase tudo. Já houve, na história da moda, outra invenção tão útil às pessoas?

Celina – Há diversos produtos que foram criados e aprimorados para atender a diferentes necessidades. À moda, muitas vezes, cabe o papel de atender às necessidades estéticas. Mochilas, malas, casacos impermeáveis, guarda-chuvas, capinhas para celulares: não há utilitário que escape das intervenções da moda!

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MIX – As mochilas são fabricadas com os mais diferentes materiais, mas sabe-se que a indústria da moda está sempre inovando. Qual a tendência, então, para o universo das mochilas?

Celina – As mochilas seguem acompanhando as tendências vistas nas peças de roupa e acessórios: laranja e menta são as cores deste verão. Listras, xadrezes e estampas florais permanecem em alta. Quanto aos materiais, os plastificados retornaram.

Toda tendência deve ser vista com cautela. Boas peças não custam pouco. Mochilas em cores neutras, feitas em materiais tradicionais combinam facilmente com diferentes estilos e isso faz com que sejam usadas por períodos de tempo mais longos. Diversos acessórios como bottons, lenços amarrados e chaveiros podem ser substituídos e retirados a qualquer momento, permitindo que cores e estampas que estejam em alta sejam utilizadas por um baixo custo.

Com excesso de peso, elas se tornam vilãs das crianças

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Crianças e adolescentes têm preferência pelas mochilas estampadas, com personagens. Crédito da foto: Divulgação / Maravilhas do Lar

O excesso de peso nas mochilas escolares e o esforço repetitivo na infância e adolescência ocasionam 70% dos problemas de coluna na fase adulta, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o ortopedista e cirurgião de coluna Luiz Cláudio Lacerda Rodrigues, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), o grande problema não é só o peso do material, mas a forma como as crianças carregam as mochilas.

Em entrevista à Agência Brasil, o ortopedista explicou que não existe um peso ideal. “Esse peso é sempre calculado em relação ao peso da criança. O que se recomenda é que o peso máximo para cada criança seja 10% do peso corporal. Não ultrapasse esse peso”. Isso significa que, para uma criança que pesa 30 kg, por exemplo, o ideal é que ela carregue, no máximo, uma mochila com 3 kg.

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O especialista citou também que a mochila tem que ficar sempre muito justa nas costas. “As crianças têm tendência a usar mochila muito baixa e solta. Além de ela ficar puxando a criança para trás, ela fica como se estivesse batendo nas costas da criança o tempo inteiro”, comentou. A orientação é que a mochila seja usada o mais alto possível e sempre bem justa nas costas.

De acordo com o ortopedista, ao carregar as mochilas de forma errada, as crianças e os jovens são candidatos a sofrer de problemas na coluna depois de adultos. Durante essa fase, as crianças ainda estão em desenvolvimento, e a coluna é muito frágil. “Os ossos ainda não estão com a consistência totalmente dura, os discos estão em fase de amadurecimento. Então, qualquer trauma ou esforço excessivo nessa idade é lesivo para a coluna, diferente da fase adulta, que já tem uma coluna estruturada.”

Segundo Rodrigues, os grandes vilões da coluna das crianças são o uso errado da mochila, tanto em excesso de peso como na forma de utilização, e o uso de aparelhos eletrônicos. “São as duas coisas que hoje estão prejudicando muito a coluna das crianças. E a gente não consegue saber o quão grave isso vai ser no futuro”. O que se sabe é que a incidência de dor nas costas de crianças está se assemelhando à da dor nas costas dos adultos, explicou o ortopedista. Ou seja, em sete crianças em cada dez, essas dores têm uma chance de cronificação por falta de orientação e pela falta de cuidados com a coluna em termos de peso. (Cida Vida, com informações de Alana Gandra – Agência Brasil)

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