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Conquistando a confiança de um pet traumatizado

Saiba o que acontece com animais abalados para entender o que fazer
Conquistando a confiança de um pet traumatizado
Os traumas podem ter origens variadas e requerem muita compreensão e afeto por parte do tutor. Crédito da foto: Arquivo JCS

A existência de animais com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é mais comum do que se imagina. O trauma não é uma condição que afeta apenas o aspecto psicológico de seres humanos, podendo estar presente, em vários níveis de gravidade, com animais de qualquer raça ou idade.

Normalmente, este tipo de problema é diretamente relacionado com maus-tratos, abandono, violência física e abuso psicológico. E requer tratamento com ações específicas. A boa notícia é que é possível reeducar e conquistar a confiança de um cão ou gato traumatizado. Para isso, amor, paciência e suporte emocional são as palavras-chave.

Mudanças rápidas de humor, irritabilidade, tremores, hipervigilância e recusa de atividades específicas, por exemplo, são indícios de que algum trauma está presente na maneira com que seu pet encara o dia a dia. Às vezes, coisas pequenas podem resultar em traumas. Ser deixado sozinho por muito tempo, cair de uma escada, levar um susto muito forte e inesperado são pequenos acontecimentos, que, a longo prazo, podem resultar em traumas.

É importante ter em mente que a qualidade de vida do seu cão ou gato está diretamente relacionada a episódios do cotidiano e sua relação de confiança com seu tutor.

Como identificar

Mas, como saber se um pet tem problemas emocionais? Traumas podem transparecer momentos depois de um acontecimento prejudicial ou, em alguns casos, anos após o episódio. Por isso, é sempre recomendado que os tutores prestem a devida atenção aos seus animais de estimação e reconheçam padrões de comportamento diferentes.

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Existem alguns sinais que, quando percebidos, devem ser acompanhados mais de perto. Esta situação se intensifica quando o pet foi adotado, já que seu tutor não teve controle do que aconteceu antes da adoção.

Você sabia que o estresse também é considerado um trauma para os pets? E, mais do que isso, ele é o mais comum dentre os motivos de mudanças de comportamento. Perda de apetite, inatividade, atividades destrutivas quando estão sozinhos e tentativas subsequentes tanto de escapar quanto de se esconder são exemplos de sinais de alerta.

Estresse crônico pode ocasionar nervosismo, sensação de ameaça constante, falta de curiosidade em situações do cotidiano e reação exagerada a toques e ruídos. Quando estes sintomas são identificados, castigar e brigar com seu cachorro ou gato não é — e nunca será — a solução do problema. Pelo contrário.

Carinho, afeto e paciência, em conjunto com ações específicas para a recuperação de um animal maltratado, são os caminhos a serem seguidos. Nestes casos é imprescindível entendermos que as reações do seu pet não são propositais.

Cinco dicas para recuperar seu amigo

1. Preste atenção na movimentação ao redor do animal – Na grande maioria dos casos, um pet traumatizado costuma ficar inseguro e se sentir ameaçado quando alguém faz mudanças de postura muito bruscas próximas a ele. Além de deixá-lo com medo, a rápida movimentação pode até ocasionar em ataques que são motivados por uma vontade de defesa. Caminhe lentamente, se aproxime do cachorro ou gato devagar e espere para ver como ele receberá a sua aproximação. A suavidade e lentidão dos movimentos passarão confiança ao pet, que se acostumará gradativamente com o carinho.

2. Crie uma rotina estrita – Um animal que viveu algum trauma em sua vida pode se tornar um adulto muito medroso e desconfiado. O que é completamente normal nestes casos. A sensação de estar desprotegido pode ser atenuada com a criação de uma rotina que permita que o cão ou gato não tenha surpresas ou sustos do que vai acontecer. Conforme o pet se acostuma com os processos, o dia a dia começa a ser sentido de uma maneira mais natural e tranquila. Lembre-se sempre de adequar a rotina dele com a sua para conseguir mantê-la com regularidade.

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3. Proporcione um ambiente seguro – Um dos passos mais importantes é o de proporcionar um ambiente que faça com que o pet se sinta em casa e reconheça seus pertences logo de cara. Escolher uma manta para ser dele, acostumá-lo com banhos quentes e rodeá-lo de brinquedos é uma ótima maneira de fazê-lo sentir-se seguro. Esta segurança se transformará em confiança aos poucos e o deixará mais tranquilo no ambiente caseiro. Acostume-o com carinhos fora de hora, estímulos positivos durante o dia e faça com que ele se sinta confiante em ir e vir quando sentir vontade. A sensação de liberdade ajuda muito em casos de traumas passados.

4. Leve-o para passear com frequência – Passeios controlados em ambientes calmos e com constantes demonstrações de carinho durante o caminho, é uma maneira de desestressar e acalmar o animal. Considere, no começo, levar o seu pet no colo e depois colocá-lo no chão para andar ao seu lado. Esteja preparado, contudo, para ter que acudi-lo durante o processo, ok? Ambientes que não são totalmente controláveis como a rua ou um parque, podem levar algumas tentativas para serem assimilados com tranquilidade pelo animal. O importante é conseguir realizar as caminhadas com certa frequência para que seja encarado com normalidade no futuro.

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5. Acostume-o com as idas ao veterinário – Escolher uma clínica veterinária de confiança e torná-la parte da rotina criada para seu cachorro ou gato pode ser um fator chave para completar todo o resgate de confiança e reeducação. Animais traumatizados podem desenvolver doenças relacionadas ao estresse pós-traumático. Por isso, é imprescindível que você esteja em dia com exames e check ups veterinários. A dica aqui é contar para o profissional tudo que se sabe sobre o contexto do trauma do seu pet e fazer com que seu animal de estimação se acostume com a presença do veterinário — nem que seja uma ida ao seu consultório só para a ambientação.

* As dicas são do centro veterinário Vet Quality (www.vetquality.com.br), de São Paulo.

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