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Companhia de pets previne doenças

Animais podem ajudar principalmente os idosos diante de uma situação de abandono
Companhia de pets previne doenças
Assim como as crianças, os idosos também são beneficiados com a companhia dos pets. Crédito da foto: Divulgação

O número de idosos aumentou de 25,4 milhões para mais de 30 milhões de 2012 a 2017 no Brasil. No mesmo período, esse público cresceu em 33% nos albergues e asilos, saltando de 46 mil para 61 mil. Esses dados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acompanham as 32,6 mil denúncias de abandono, violência psicológica e patrimonial contra pessoas mais velhas, registradas pelo Disque 100 em seu último levantamento.

“A prevenção de doenças está fazendo com que os cidadãos tenham mais tempo de vida. Isso é bom, mas a solidão entre idosos aumenta cada vez mais”, afirma a enfermeira e professora de Gerontologia da Universidade de São Paulo (USP), Rosa Chubaci.

Segundo ela, essa realidade expõe uma situação de negligência contra o idoso no País, mas atenta também para a busca por alternativas que revertam isso, tal como a companhia de animais de estimação. “A presença de pets estimula esse público a ter um comportamento de cuidado, satisfação, alegria, alívio do stress e da tristeza”, afirma.

Um exemplo disso está na rede de hospitais Northwell Health, nos Estados Unidos: idosos enfermos recebem a visita de um gato cego, o Donny, toda a semana para lhes dar apoio emocional aos idosos com Alzheimer, demência e câncer.

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O felino deita no colo dos pacientes e arranca sorrisos por onde passa. Dona Susan de 88 anos, trata um câncer no pulmão com radioterapia e mantém o bichano ao seu lado sempre que possível. “Esse é o meu Donny”, diz ela emocionada em um vídeo.

Mudanças no organismo

Rosa conta que os animais são capazes de gerar mudanças no organismo do ser humano ao criar com ele uma relação de carinho. “Esse vínculo causa a liberação do hormônio da satisfação, chamado serotonina, que faz com que a pessoa diminua a liberação de hormônios que causam tristeza em situações como a do desamparo familiar”, explica.

A serotonina é um neurotransmissor que regula questões comportamentais como o humor e o sono, gerando a sensação de bem-estar. Quando ativada, ela pode inibir a atividade do cortisol, hormônio responsável pelo estresse.

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Médicas Baker, na Austrália, indicaram que os animais podem inibir o esgotamento físico em pessoas com idade avançada. Eles examinaram 5,7 mil adultos e idosos, dos quais apenas 784 (13,6%) tinham pets. No final das análises, calcularam que essas pessoas com bichos em casa apresentavam menor pressão arterial do que as outras. Além disso, possuíam menor concentração de triglicerídeos do plasma sanguíneo — substância que, em excesso, pode causar problemas como inflamações agudas no pâncreas e colesterol.

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“Os donos de animais de estimação se mostraram com menores chances de contrair doenças cardiovasculares, e isso não era explicável com base no tabagismo, dieta, índice de massa corporal ou perfil socioeconômico”, explicam os autores do estudo.

Os especialistas identificaram, ainda, níveis de sedentarismo menores nos pacientes com cachorros. Um dos motivos foi o estímulo ao exercício físico que um cão gera no proprietário ao ter de levar a espécie para passear.

Qual é o animal mais adequado para idosos?

A médica veterinária mestre em comportamento animal pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Carolina Rocha, alerta que esse público deve tomar cuidado na escolha, para que o bicho não traga preocupações excessivas que extrapolam a capacidade física de uma pessoa em idade avançada.

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A preocupação dela se espelha no elevado número de acidentes registrados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos: de 2001 a 2006, o órgão calculou 520 mil quedas de norte-americanos atribuídas, majoritariamente, a cães e gatos

“O ideal é optar por um animal adulto, porque eles têm personalidade mais desenvolvida e menos chances de apresentar um comportamento agitado, como a destruição de objetos”, orienta. A especialista acredita que essa iniciativa estimula a adoção de pets que, infelizmente, têm poucas oportunidades de conseguir uma família.

Ela recomenda, também, a procura por animais de pequeno ou médio porte, para que não haja risco de acidentes devido à força do pet. Além disso, Carolina aconselha priorizar vira latas. “É uma boa opção, porque eles tendem a ser mais afetuosos e ter menos problemas de saúde. Durante o processo de adoção em Ongs ou abrigos, os profissionais podem indicar qual é a personalidade mais adequada para conviver com um idoso”, afirma.

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