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Amazônia, 50 anos depois e ainda mantém a luta contra o desmatamento

Jornalista sorocabano relembra série de reportagens que fez em 1972 denunciando o desmatamento
Amazônia, 50 anos depois
Crédito da foto: João Laet / Arquivo AFP (26/8/2019)

Há quase 50 anos o jornalista e historiador Sérgio Coelho, de Sorocaba, fez uma série de reportagens sobre meio ambiente. O material, produzido para o jornal o Estado de São Paulo, já alertava sobre as condições dos biomas do País e denunciava a destruição na Amazônia.

Publicadas em junho de 1972, ao todo, foram 10 reportagens produzidas sobre o comportamento brasileiro em relação ao meio ambiente. A ideia era apontar as graves consequências que o País enfrentaria devido ao desequilíbrio ecológico.

O trabalhou durou seis meses e contou com 35 repórteres de todo o Brasil, em suas respectivas sucursais, com coordenação e texto final de Coelho. Para a produção do trabalho, o jornalista passou uma semana na Amazônia, onde teve contato com a população que lá vivia e também agentes de órgãos competentes sobre assuntos relacionados ao meio ambiente. “Fiz uma expedição pelo rio Negro. Dormi em tenda de índio”, lembra o jornalista.

Entre os temas abordados, a série inclui uma discussão sobre ecologia, que, segundo o jornalista, ainda era um assunto pouco falado. As queimadas, o desmatamento, a fauna e a flora, a caça, o aquecimento climático, além de problemas no solo.

O jornalista lembra que, durante uma excursão pela florestas, à época, especialistas fizeram uma demonstração. Cavaram um buraco de pouco mais de um metro para verificar que, abaixo da terra fértil, havia areia. Daí veio uma projeção — falha — em uma das reportagens: em até 35 anos a Amazônia poderia virar um deserto.

Sérgio Coelho é jornalista e historiador. Trabalho sobre meio ambiente durou seis meses. Crédito da foto: Fábio Rogério

O debate sobre o bioma ser ou não o “pulmão do mundo”, inclusive, já era abordado há quase cinco décadas e foi título de uma das reportagens. Após a produção por Sérgio e a respectiva equipe, ele se encarregou de reunir os textos e escrever a redação final.

“Me isolei. Joguei todas as matérias produzidas em uma cama e levei acho que mais de um mês para escrever, entre a montagem e finalização”, comentou. O jornalista lembra ainda que, apesar de ter encontrado algumas clareiras, resultado do desmatamento, ainda havia muito verde, este, que necessita ser preservado. Apesar da consciência ecológica, Sérgio afirma que é preciso haver um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e seu desenvolvimento sustentável.

“A Amazônia é muito importante por sua riqueza vegetal. A ideia é ter um acompanhamento sustentável para que ela gere economia sem desaparecer”, defendeu Coelho.

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Suspensão da autorização de queimadas

O Ministério do Meio Ambiente suspendeu a autorização para queimadas por 60 dias em todo o território nacional. A medida foi publicada no Diário Oficial da União no final de agosto e é assinada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. De acordo com a pasta, a medida é excepcional e temporária e se soma às respostas aos incêndios que atingem várias regiões do país nesse período de seca, inclusive a região amazônica.

As queimadas controladas, também chamadas de prescritas, são previstas no Decreto nº 2.661, de 8 de julho de 1998, que regula o Código Florestal. Elas são normalmente utilizadas em atividades agropastoris ou para fins de pesquisa científica. As demais já são proibidas por lei.

Amazônia, 50 anos depois
Governo suspendeu autorização para queimadas na Amazônia. Crédito da foto: Carl de Souza / Arquivo AFP (24/8/2019)

O decreto publicado não se aplica a queimadas relacionadas a casos como controle fitossanitário quando autorizado pelo órgão ambiental competente, práticas de prevenção e combate a incêndios e práticas de agricultura de subsistência nas populações tradicionais e indígenas, que continuam liberadas sob controle.

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Ações de combate

Desde o final de agosto, o governo decretou a Garantia da Lei e da Ordem Ambiental (GLOA) que permite às Forças Armadas empregar todo o seu efetivo na região amazônica, composto de 43 mil militares, na Operação Amazônia Verde, de combate ao fogo e a crimes ao meio ambiente.

Além do trabalho em terra, que envolve também a Força Nacional, Ibama, ICMBio, Polícia Federal e bombeiros estaduais, duas aeronaves da FAB fazem lançamento de água sobre as chamas. Nos próximos dias, deverão chegar à Amazônia aeronaves e equipamentos vindos de outros países que ofereceram ajuda internacional ao Brasil.

Todas as ações da Operação Verde Brasil são coordenadas, em Brasília, pelo Centro de Operações Conjuntas (COC), que funciona em regime de plantão de 24 horas por dia e reúne vários órgãos governamentais, como os ministérios da Defesa, Meio Ambiente, Agricultura, Cidadania, Gabinete de Segurança Institucional, Casa Civil, Secretaria de Governo e Secretaria-Geral da Presidência. (Aline Albuquerque  – programa de estágio) / Supervisão: Carolina Santana / Com informações do Ministério do Meio Ambiente)

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