Por que apostadores brasileiros estão migrando para plataformas internacionais com criptomoedas
Abra qualquer plataforma de apostas licenciada no Brasil hoje. Vai encontrar Pix, cartão de débito, transferência bancária. Criptomoedas, não. A Portaria Normativa SPA/MF nº 615/2024 fechou essa porta no mercado regulado, e ficou por isso mesmo. Só que os apostadores não ficaram.
Plataformas com licenças de Curaçau ou Malta continuam aceitando Bitcoin, Ethereum e USDT de jogadores brasileiros normalmente. É pra lá que uma parte crescente desse público tem ido, não porque quer contornar regras, mas porque essas plataformas entregam coisas que o mercado local ainda não consegue: saque na hora, menos burocracia e um sistema de pagamentos que muita gente já usa fora do contexto de apostas.
Os números do mercado cripto no Brasil ajudam a entender por que isso acontece em escala. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país movimentou cerca de US$ 318,8 bilhões em criptomoedas, crescimento de 109,9% em relação ao período anterior. Hoje, cerca de 59 milhões de brasileiros já tiveram algum contato com ativos digitais, algo perto de 37% da população adulta.
O próprio Banco Central está de olho nisso: o Drex, a moeda digital brasileira em desenvolvimento, é uma resposta direta a essa digitalização financeira que avança sem pedir licença. Quando esse público quer apostar com cripto e encontra a porta fechada no mercado local, a plataforma internacional está a um cadastro de distância. E eles sabem disso.
O paradoxo da proibição
A proibição de cripto no mercado regulado tem base técnica: rastreabilidade, combate à lavagem de dinheiro, proteção do apostador. Faz sentido no papel. O problema é que não elimina a demanda, só muda pra onde ela vai. O apostador que quer usar cripto continua usando, só que agora em plataforma fora do radar regulatório, com menos amparo jurídico se algo der errado.
O mercado regulado ganhou organização com a nova legislação, mas perdeu um segmento que foi buscar o que queria em outro lugar. No mundo todo, a discussão sobre regulação específica para crypto gambling está avançando. O Brasil, que já mostrou que sabe estruturar um mercado de apostas, provavelmente vai chegar lá também, como é seu apanágio. Até lá, quem já descobriu como funciona não está esperando.