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Menos de 30% das mulheres do Estado, entre 50 e 69 anos, fizeram mamografia

O número é bem abaixo dos 70% recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)
Menos de 30% das mulheres do Estado, entre 50 e 69 anos, fizeram a mamografia
Campanhas em todo o País alertam sobre a importância das mulheres fazerem o autoexame. Crédito da foto: Divulgação / SBM

Mesmo sendo um dos Estados mais atuantes do País quando se trata da realização de exames e tratamentos do câncer de mama, São Paulo amarga um baixo índice de rastreamento mamográfico. Os números mostram que os atendimentos às pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda estão longe do aceitável.

Estudo realizado por pesquisadores da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa constatou que a cobertura mamográfica em 2017 de mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos que residem no Estado foi de 24%, ou seja, bem abaixo dos 70% recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Eram esperados 11,5 milhões de exames e foram realizados apenas 2,7 milhões.

Acesso ao tratamento

A SBM está desenvolvendo este mês a campanha +Acesso para Celebrar a Vida, dentro das comemorações do Outubro Rosa, mês escolhido mundialmente para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. O objetivo, de acordo com o presidente da SBM, Antônio Luiz Frasson, é mobilizar as prefeituras e as secretarias municipais de Saúde, “porque são elas que determinam o acesso ao tratamento para quem tem câncer”.

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A lei 12.732, em vigor desde 2012, estabelece que o primeiro tratamento oncológico no Sistema Único de Saúde (SUS) deve se iniciar no prazo máximo de 60 dias a partir da assinatura do laudo patológico ou em prazo menor, de acordo com a necessidade terapêutica do caso registrada no prontuário do paciente. “A gente quer que as pessoas não apenas façam mamografia e tenham acesso ao rastreamento, mas que, tendo feito um diagnóstico, elas tenham condições de iniciar um tratamento de forma mais rápida possível. E isso depende, basicamente, da gestão municipal. O que a gente quer é reduzir fila para cirurgia, para radioterapia, para quimioterapia. Porque não adianta você estimular o diagnóstico precoce e a pessoa demorar seis meses para começar o tratamento porque não tem acesso”, defendeu o mastologista.

Frasson explicou que se o tratamento demora mais de três meses para começar, o prognóstico é pior. “Quando uma mulher com câncer de mama é operada, a radioterapia tem que começar em três meses. Se tiver que fazer quimioterapia, quanto antes começar melhor, mas não deve passar de três meses”, advertiu o presidente da SBM.

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Cuidados o ano todo

A preocupação com o tema deve ser o ano todo, enfatiza Frasson, e o papel da SBM é ajudar na conscientização da mulher sobre a importância de se cuidar, disseminando informação qualificada. “Não podemos de forma alguma ignorar os altos índices de casos e óbitos por conta da doença. Isso é uma realidade que precisa ser considerada”, diz Frasson.

Nos dias 4 a 6 últimos, mais de 1,5 mil mastologistas de todo o Brasil se reuniram em São Paulo na 14ª Jornada Paulista de Mastologia, justamente para discutir a evolução do tratamento do câncer de mama.

Lembra Frasson, que a maior dificuldade para conseguir realizar a mamografia e iniciar o tratamento quando existe uma queixa mamária ainda é a falta de acesso.

O evento focou a personalização do tratamento do câncer de mama de acordo com as necessidades de cada paciente, adequando a tendência de reduzir a extensão do tratamento sempre que for possível, tanto do ponto de vista da cirurgia quanto da quimioterapia e radioterapia.

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Mastectomia

Frasson informou, ainda, que a reconstrução das mamas melhorou muito no Brasil. “Ainda não chegou no ideal, mas nos últimos dez anos, a gente praticamente duplicou o número de mulheres que têm acesso à reconstrução”. Atualmente, cerca de 30% das mulheres têm as mamas reconstruídas no Brasil.

Frasson disse que nem todas as pacientes podem ter os seios reconstruídos. Existem limitações para isso, como fatores intercorrentes, tumores localmente avançados, mulheres diabéticas, hipertensas. “Não é toda mulher que é candidata à reconstrução”.

Além da realização de consultas e exames periódicos, a SBM reforça a importância de as brasileiras manterem hábitos saudáveis de vida, o que inclui a prática regular de exercícios, dietas com baixo teor de gordura, combate à obesidade. Esses fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver câncer de mama, sobretudo nas mulheres após a menopausa. A SBM preconiza a realização da mamografia anualmente para todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade. (Da Redação)

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