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Diagnóstico precoce ajuda a curar o câncer infantojuvenil

Pais e familiares das crianças precisam ser grandes observadores
Diagnóstico precoce ajuda a curar o câncer infantojuvenil
Leucemias e linfomas estão entre as maiores ocorrências, diz o médico Gustavo Ribeiro Neves. Crédito da foto: Emidio Marques

Novembro, além de ser considerado o mês azul, pela campanha de combate ao câncer de próstata, que acomete os homens, é também um mês dourado, porque contempla o alerta sobre o câncer infantojuvenil. Apesar de não existir uma forma de prevenção, é possível conseguir um diagnóstico precoce, o que ajuda na cura da doença.

O médico Gustavo Ribeiro Neves, diretor técnico do Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil (Gpaci) e responsável pelo serviço de oncologia pediátrica da instituição, lembra que 23 de novembro foi o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil. Geralmente a data ajuda a falar sobre o tema em diversas mídias e propagar o conhecimento sobre os sintomas. O objetivo é esclarecer a população, pois quanto mais cedo é feito o diagnóstico, maiores são as chances de cura. “O câncer infantil corresponde a 3% do câncer do adulto. Dos zero aos 18 anos as maiores ocorrências são, na sequência, leucemias, linfomas, tumores cerebrais e em 4º lugar os tumores sólidos abdominais.”

Principais sinais

Pais e familiares das crianças precisam ser grandes observadores, porque com essa simples atitude podem salvar vidas. O oncologista Gustavo lembra que ao identificar algum sintoma, é imprescindível o encaminhamento o mais rápido possível para um centro especializado. Não só as chances de cura, mas a qualidade de vida do paciente e os custos do tratamento, são relacionados com o diagnóstico precoce.

Se a criança ou adolescente apresentar febre por mais de 7 dias, hematomas pelo corpo, sangramento gengival, palidez e desânimo, pode ser sinal de leucemia. No caso de aparecerem ínguas que superem o tamanho de 3 cm, e cresçam rapidamente, localizadas no pescoço ou debaixo dos braços, é preciso desconfiar. Pode ser câncer no sistema linfático. “É importante suspeitar de algo, porque isso não é comum”, diz o médico.

Gustavo ainda afirma que dor de cabeça que piora com o tempo, fazendo com que a criança pare de brincar, ou que seja no meio da noite, associada a vômito, indica a necessidade de procurar um médico, porque pode ser tumor cerebral. Já o tumor sólido abdominal não apresenta muitos sintomas. “Nesse caso é possível fazer apalpação abdominal para verificar se há algum caroço. Outra situação é a presença de sangue na urina, aí pode ser tumor renal”, esclarece.

Mais sintomas

Outros sintomas que merecem atenção: mancha branca nos olhos, perda recente de visão, estrabismo, protusão do globo ocular; aumento de volume (massa): abdome e pelve, cabeça e pescoço, membros, testículos e glândulas; sinais como perda de peso, palidez, fadiga; dores nos ossos, articulações, nas costas e fraturas, sem trauma proporcional; sinais neurológicos como alteração da marcha, desequilíbrio, alteração da fala, perda de habilidades desenvolvidas, dor de cabeça por mais de uma semana com ou sem vômitos, aumento do perímetro cefálico.

Tratamento

Com relação ao tratamento, Gustavo afirma que ainda hoje é baseado na quimioterapia. No caso do tumor sólido, pode ser preciso passar por cirurgia e utilizar radioterapia. “Entre 65% e 70% dos pacientes se curam. Infelizmente ainda não curamos todos. As chances estão ligadas com o tempo de doença que o paciente chega.”

Sorocaba conta com o Gpaci, um centro que se dedica há mais de 20 anos a tratar o câncer infantojuvenil. “Quando houver dúvida ou suspeita de algum câncer, encaminhem para lá, para avaliação”, complementa o médico.

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