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AVC pode ocorrer tanto em adultos quanto em crianças

Nas crianças, as doenças cardiovasculares podem levar a um derrame cerebral
Pressão alta e diabetes estão entre os fatores de risco para AVC em adultos
Neurologista Luiz Carlos Beda: tanto em crianças como em adultos, o AVC pode ser hemorrágico ou isquêmico. Crédito da foto: Erick Pinheiro

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é, segundo o Ministério da Saúde, o motivo mais comum de morte na população adulta no Brasil. Mas crianças também podem ser acometidas por essa doença. Segundo o grupo de pesquisa de Anormalidades Neurovasculares na Infância e Adolescência (Anvia), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma a cada três mil crianças pode ter AVC e metade destas desenvolve, ao longo da vida, anormalidades cognitivas e motoras. Na segunda-feira, dia 29 de outubro, foi lembrado o Dia Mundial do AVC Infantil.

Destaca o médico neurologista Luiz Carlos Beda que a ocorrência do AVC, em crianças e adultos, pode ser hemorrágico ou isquêmico. O primeiro caso se caracteriza quando há o rompimento de um vaso cerebral, ocorrendo um sangramento em algum ponto do sistema nervoso. Já o AVC isquêmico se dá quando há uma obstrução da artéria, impedindo a passagem de oxigênio para as células cerebrais. “O que difere o AVC em adultos e crianças primeiramente está na ocorrência, pois 4% a 5% das pessoas em fase adulta podem ser acometidas. Já em crianças essa estimativa é de 0,2%”, ressalta.

De acordo com levantamento do Ministério da Saúde, o AVC mata mais de 100 mil brasileiros por ano, em todas as faixas etárias. A estimativa é que este ano a incidência será de 18 milhões de casos em nível global. O AVC isquêmico no adulto representa 80% e na criança surge em 55% dos casos, sendo os restantes AVC hemorrágicos.

Causas

Pressão alta e diabetes estão entre os fatores de risco para AVC em adultos
O AVC mata mais de 100 mil brasileiros por ano, em todas as faixas etárias. Crédito da foto: Divulgação / Pixabay

Nos adultos, aponta o médico, a pressão alta e o diabetes são alguns dos fatores de risco para a ocorrência de um AVC. Já entre os pequenos, as doenças cardiovasculares, inflamações das artérias, malformação de vasos sanguíneos cerebrais, anemias falciformes, doenças autoimunes e traumas cranianos são os principais causadores.

Beda destaca que crianças abaixo de um ano também podem sofrer essa enfermidade, especialmente bebês que, ao nascerem, enfrentam algum quadro de complicação no parto, como algum distúrbio que cause uma falta de sangue no cérebro. “O déficit de plaquetas ainda na placenta e hemofilia também são fatores de risco”, aponta o neurologista.

Entre os sintomas que os pais devem ficar atentos, Beda destaca que a irritabilidade intensa e o nível baixo de consciência evidenciam o AVC. “Em crianças um pouco maiores, o déficit motor, a dor de cabeça e a dificuldade de fala também são sintomas.” O AVC ocorre ao mesmo tempo em que os sintomas acontecem e por isso a criança precisa ser levada imediatamente para o hospital. Após um AVC, as crianças geralmente recuperam melhor e mais rapidamente do que os adultos. Contudo, as sequelas motoras, cognitivas e comportamentais são bastante presentes, em aproximadamente 40% dos casos e a mortalidade pode atingir de 10% a 25%.

AVC Infantil

Dezenas de países, entre eles o Brasil, instituíram o Dia Mundial do AVC Infantil para fortalecer uma campanha de conscientização. Aqui as ações são coordenadas pela ONG Nossa Casa, uma instituição que fomenta o conhecimento científico sobre a Paralisia Cerebral e o AVC Infantil; e pelo grupo de pesquisas da Unicamp.

A neuropediatra Maria Valeriana Leme de Moura Ribeiro, líder da Anvia, afirma que um terço das crianças que sofrem AVC está sujeita a recorrências. Nos serviços de pronto atendimento hospitalar, pronto-socorro, UTI infantil e UTI neonatal, aproximadamente 40% das crianças com AVC não tem confirmação do diagnóstico por imagem, o que acarreta elevado custo e desgaste emocional dos familiares e cuidadores.

Como explica a neuropediatra, são muitos os fatores de risco a serem observados, do ponto de vista clínico, nas crianças em todas as idades. “É importante realçar a possibilidade de AVC no feto, decorrente de anormalidades gestacionais. Os conhecimentos referentes ao AVC na infância se mantêm subvalorizados entre os profissionais de saúde”, afirma a médica, chamando atenção para a importância de se debater o tema. O Dia Mundial do AVC Infantil, celebrado nesta semana, afirma Maria Valeriana, é um passo importante para a conscientização dos profissionais de saúde e da população em geral. (Larissa Pessoa)

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