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Alzheimer não tem cura, mas é possível retardar aparecimento

A estimativa é de que em torno de um milhão de pessoas tenham a doença no Brasil
Alzheimer não tem cura, mas é possível retardar aparecimento
Portador de Alzheimer necessita atenção especial de familiares. Crédito da foto: Divulgação

Doença degenerativa cerebral e progressiva, o Alzheimer não tem cura, mas tem tratamento e, desde os primeiros sinais, é fundamental o carinho dos familiares para com o doente. Além do portador do Alzheimer, seu cuidador (ou cuidadora) também merece atenção. O alerta é da médica geriatra Paola Canineu, do Hospital Evangélico. Segundo Paola, atualmente, somente no Brasil a estimativa é de que em torno de um milhão de pessoas tenham Alzheimer, e no mundo aproximadamente 15 milhões. Mas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com demência deve chegar a 152 milhões até 2050.

De acordo com Paola, a doença é degenerativa porque ao longo do tempo provoca a morte dos neurônios e lesão das conexões cerebrais. Ela cita que normalmente o Alzheimer atinge as pessoas acima dos 65 anos de idade, mas que existe também o chamado Início Precoce, que pode afetar as pessoas entre 50 e 55 anos de idade, embora em menor proporção.

Alzheimer não tem cura, mas é possível retardar aparecimento
Geriatra Paola Canineu. Crédito da foto: Acervo Pessoal

Ainda segundo Paola, o Alzheimer é um processo já estabelecido, com a lesão cerebral aparecendo até 20 anos antes de serem identificados os primeiros sintomas. Por isso, o diagnóstico é feito como demência, quando a lesão é tão importante a ponto da pessoa manifestar alterações de memórias graves.

A médica atenta que na juventude o esquecimento é tido como distração, e para o idoso como demência, mas que é preciso muito cuidado no momento do diagnóstico, “porque não é simplesmente estar com a memória de fatos recentes falha, mas quando essa alteração da memória é suficientemente grave para atrapalhar as atividades básicas do dia a dia, como mexer com dinheiro, fazer compras, fazer comida”.

Entre os fatores de risco para o aparecimento do Alzheimer estão a idade e a baixa escolaridade, mas há também outras causas, como diabetes, hipertensão arterial, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e outros, bem como pelo cérebro não ativo, sem dinâmica de trabalho, de relações sociais.

Considerando tais fatores, Paola afirma que a doença pode ser prevenida e ter o seu surgimento retardado. Porém, já na questão da doença precoce, que tem forte relação genética e hereditária, passando de pais para filhos, a prevenção se torna mais difícil. Entretanto, as medicações são capazes de retardar sua evolução, bem como de melhorar algumas condições cognitivas e comportamentais por alguns anos. Mas fatalmente a evolução chegará.

O cuidador

Com a progressão da doença, o paciente se torna dependente para ações corriqueiras diárias, como vestir-se, escovar os dentes, alimentar-se. E é nesse momento, conforme destaca a geriatra, que o cuidador, normalmente membro familiar, fica sobrecarregado, merecendo também ser cuidado.

Para isso, a geriatra orienta que para se ter um ambiente saudável é necessário ter conhecimento da enfermidade, e dividir com alguém, como relação entre paciente e médico, como um ponto de apoio. “Cuidar do cuidador é tão importante ou mais do que cuidar do idoso, que por sua vez está medicado e amparado”.

Nesse sentido, ela cita o trabalho da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), que em Sorocaba é presidida pela odontogeriatra Érica Rodrigues Neto. A entidade promove reuniões mensais, sempre na terceira terça-feira do mês, às 19h, na rua Santa Clara, 162, no centro da cidade, sanando dúvidas de como tratar do paciente sem que o cuidador também adoeça, explica Érica.

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