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Saúde

Atividade física diária reduz os riscos cardiovasculares

09 de Março de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Exercícios moderados já são capazes de gerar bom resultado; mas o ideal é aumentar a intensidade gradativamente.
Exercícios moderados já são capazes de gerar bom resultado; mas o ideal é aumentar a intensidade gradativamente. (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO / ARQUIVO JCS (10/5/2018))

Todo mundo sabe que praticar uma atividade física traz muitos benefícios para a saúde. Mas, mesmo diante desse argumento irrefutável, nem todo mundo consegue tirar essa iniciativa do terreno dos projetos e incorporá-la, para valer, em seu dia a dia. O que elas não sabem é que apenas 10 minutos do dia dedicados a alguma prática esportiva já podem fazer diferença para sair do sedentarismo e até evitar uma doença cardiovascular -- e mais ainda, que esta providência pode até evitar a morte. É o que diz um recente estudo publicado pela revista norte-americana JAMA Internal Medicine.

O trabalho revelou que mais de 110 mil mortes por ano poderiam ser evitadas se adultos com mais de 40 anos acrescentassem 10 minutos de atividade física diária, de moderada a vigorosa. Os pesquisadores analisaram os níveis de atividade de quase 5 mil pessoas com idades entre 40 e 85 anos e acompanharam as taxas de mortalidade. Sem dúvida, treinos de 20 ou 30 minutos trazem ainda mais benefícios, mas já temos aqui uma ótima notícia para “dar um impulso” no combate ao sedentarismo.

De acordo com a Diretriz de Prevenção Cardiovascular, as vantagens da atividade física já ficam claras ao comparar sedentários com indivíduos que realizam muito pouco exercício, uma vez que o impacto positivo de abandonar o sedentarismo é significativo, endossando o estudo norte-americano.

Na outra ponta, existe uma relação direta entre sedentarismo e mortalidade, especialmente por doenças cardiovasculares, o que configura um caso de saúde pública. Amanhã, 10 de março, é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo “e a população precisa ser informada sobre os males que a combinação alimentação desregrada e falta de atividade física podem causar, pois, o percentual de indivíduos fisicamente ativos é muito baixo no País”, diz a médica cardiologista Ieda Jatene, especialista em Cardiopatias Congênitas e Cardiologia Pediátrica.

Ieda é presidente do Departamento de Educação Física da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e alerta que as campanhas para estimular a população a aderir aos exercícios passam longe de serem retóricas. “Ao contrário, são o meio mais barato de afastar riscos, inclusive fatais”, garante.

Progressão contínua

Os dez minutos/dia mencionados pelo estudo norte-americano podem ser o pontapé inicial com ganhos reais para uma mudança no estilo de vida. “Porém, fazer mais torna a recompensa ainda maior: quando há uma escala crescente de atividade física aeróbia, acontece uma contínua diminuição no risco de morte cardíaca por todas as causas, incluindo as cardiovasculares, tanto em indivíduos saudáveis quanto em portadores de cardiopatias.”

Segundo Ieda, a dica é começar aos poucos e progredir passo a passo. “Uma intensidade muito elevada pode deixar a pessoa mais vulnerável no seu sistema imunológico, o que por sua vez vai limitar a sua continuidade e assiduidade nos exercícios. Manter uma atividade em uma intensidade que se considere moderada pode ser uma boa alternativa para respeitar os limites de cada um”. Segundo a cardiologista, essa intensidade é aquela em que “ao se tentar falar e realizar o esforço, apresentamos uma pequena dificuldade ao continuar a atividade física, mas não a limita”.

A antes de incluir as atividades físicas na sua rotina, é prudente consultar um médico para realizar uma avaliação cardiológica, conhecida pelos especialistas como APP (Avaliação Pré-participação), principalmente para quem tem mais de 40 anos, é sedentário ou enfrentou uma doença grave. É o caso da Covid-19, que pode deixar sequelas cardiovasculares silenciosas. Outro ponto importante é buscar a orientação com um profissional de educação física, o que pode otimizar os resultados de uma forma segura. “A ação é o melhor aquecimento para virar o jogo em prol da saúde, qualidade de vida e longevidade”, garante Ieda. (Da Redação)