Veja como tratar a espasticidade

Doença é consequência comum de AVC e outras condições neurológicas

Por Cruzeiro do Sul

A espasticidade é uma das consequências mais comuns de problemas relacionados a lesões medulares e cerebrais, como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), traumatismo cranioencefálico e traumatismo raquimedular em adultos, além da paralisia cerebral em crianças.

O quadro é caracterizado pelo aumento do tônus muscular (enrijecimento), o que pode deixar os músculos contraturados, impossibilitando a movimentação e incapacitando a pessoa, com enormes prejuízos na execução de tarefas diárias, a exemplo da alimentação, locomoção e cuidados com a higiene pessoal.

Além da limitação física, costumam ocorrer processos dolorosos decorrentes da espasticidade. A professora Matilde Sposito, médica fisiatra especialista em bloqueios neuroquímicos e uma das maiores autoridades no tratamento da espasticidade, explica que os músculos afetados ficam contraídos o tempo todo. “Isso provoca fortes dores e deformidades ósseas e articulares, prejudicando drasticamente a qualidade de vida”, observa.

O tratamento combina diversas técnicas, podendo incluir a aplicação da toxina botulínica, uma especialidade da médica e considerada “padrão ouro” no tratamento dessa condição, além de medicamentos, que reduzem a contração muscular; fisioterapia, que alonga a musculatura e ajuda na recuperação gradual dos movimentos e, até mesmo, a cirurgia, para alongamento dos tendões e diminuição da rigidez articular. “A toxina botulínica no tratamento da espasticidade tem larga evidência científica e recomendação nível A, com resultados muito satisfatórios na grande maioria dos casos”, diz a médica fisiatra.

Tratamento com botox

A toxina botulínica ou botox, como é conhecida popularmente, atua nos terminais nervosos da junção neuromuscular, inibindo os neurotransmissores que ativam a contração do músculo. Dessa forma, é de grande vantagem para o tratamento de distúrbios em que ocorra excesso de contração muscular, como é o caso da espasticidade.

A aplicação é realizada no local onde é necessário o relaxamento da musculatura e o seu efeito é temporário, devido ao surgimento de novos terminais nervosos, que restauram a função das fibras musculares relaxadas. Porém, o retorno da função muscular coincide também com a recuperação funcional das placas motoras.

O resultado tem início entre 24 a 72 horas após a aplicação, sendo que o paciente percebe o início da melhora do quadro entre 14 a 21 dias. A duração do efeito é variável, se estendendo, em média, três meses. Sendo recomendado um intervalo mínimo de três a quatro meses entre as aplicações, em função do risco de criação de memória imunológica.

Novas diretrizes

A dra. Matilde foi convidada pelo Ministério da Saúde a integrar uma comissão que define os protocolos médicos e diretrizes clínicas que devem ser aplicadas no tratamento da espasticidade. Essas novas diretrizes, os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas(PCDT) serão recomendadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e aos convênios médicos, que deverão seguir os novos protocolos durante o tratamento de pacientes com espasticidade. De todo o Brasil, a professora dra. Matilde foi escolhida para integrar a comissão, junto com outros três médicos especialistas. (Da Redação)

Outras informações sobre espasticidade e outros temas ligados à fisiatria podem ser obtidas em: www.dramatildesposito.com.br