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‘Prometemos despedirmos, sem dizer adeus jamais’

Após 36 anos, Chaves e sua turma deixam a TV brasileira
‘Prometemos despedirmos, sem dizer adeus jamais’
A série estreou no Brasil em 1984 e conquistou uma geração inteira de fãs. Crédito da foto: Divulgação

Seriado de enorme sucesso no Brasil e outros países da América Latina, o Chaves, criado por Roberto Bolaños (1929-2014), teve sua exibição cancelada desde 1º de agosto. Segundo informações da imprensa mexicana, a família do ator e o canal Televisa não chegaram a um acordo sobre os direitos da série.

A série foi ao ar pela primeira vez em 20 de junho de 1971. No Brasil, estreou em 1984, no SBT, e com seu humor singelo, conquistou toda uma geração, mantendo uma legião de fãs de várias idades. Em mais de trinta anos de exibição, deixou de ir ao ar poucas vezes.

Masa não é apenas o menino Chaves que pertence ao imaginário dessa grande legião de fãs: os outros personagens do seriado também cativaram o público. Cada um com sua característica, como Dona Florinda (Florinda Meza), a Bruxa do 71 (Angelines Fernández), Seu Madruga (Ramón Valdés), Chiquinha (María Antonieta de las Nieves) e Carlos Villagrán Eslava (Quico), entre outros.

Roberto Bolaños foi multiartista

‘Prometemos despedirmos, sem dizer adeus jamais’
Chaves foi o personagem mais conhecido de uma carreira intensa. Crédito da foto: Divulgação

Nascido em 21 de fevereiro de 1929, o multiartista Roberto Bolaños morreu em 28 de novembro de 2014, o dia em que o mundo ficou mais sem graça, aos 85 anos. Foi ator, cantor, comediante, compositor, desenhista, diretor, dramaturgo, engenheiro, escritor, filantropo, humorista, pintor, poeta, produtor de televisão, publicitário e roteirista mexicano.

Mas, de tudo isso, deixou um legado que permanece até hoje, que é a criação do adorado e idolatrado personagem Chaves, o menino que mora em um barril, um fenômeno de audiência. O comediante criou mais de cem personagens e dezenas de séries de comédia e filmes durante seis décadas de carreira que o transformaram em uma estrela na América Latina.

Além do Chaves, Bolaños também deu vida ao super-herói Chapolin Colorado, que conquistou o público com sua marreta biônica e um jeito atrapalhado; Doutor Chapatín, que adorava bater nas pessoas com uma sacola de papel; Chaveco, um ladrão não muito inteligente; Dom Caveira, dono de uma funerária que aproveitava para paquerar as viúvas dos clientes; e o repórter amalucado Vicente Chambón, até hoje inédito na televisão brasileira.

Você sabia?

O barril é um esconderijo secreto, o Chaves nunca dormiu lá. Dizem que o Chaves dividia o apartamento com uma velhinha. Nem ela nem o apartamento nunca apareceram no seriado.

A personagem de Angelines Fernández, a Bruxa do 71, ganhou esse nome por ter começado a trabalhar em 1971 com Bolaños, motivo pelo qual foi escolhido o número de seu apartamento.

Os encontros entre Dona Florinda e o Professor Girafales são embalados por um música que teve inspiração na trilha do filme “E o Vento Levou” (Tara’s Theme).

‘Prometemos despedirmos, sem dizer adeus jamais’
Crédito da foto: Arte / JCS

Em 1974, Maria Antonieta de las Nieves, atriz que deu vida à personagem Chiquinha, passou um tempo fora do programa, pois estava grávida. Para explicar o desaparecimento dela, criou-se a história de ela tinha ido morar com tias no interior.

Florinda Meza, a Dona Florinda, e Roberto Bolaños, o Chaves, começaram a namorar em 1978. O casamento foi no dia 19 de novembro de 2004, após mais de 25 anos de união não oficial.

O personagem Jaiminho, carteiro vivido por ator Raúl “Chato” Padilla, ganhou uma estátua em sua homenagem na cidade de Tangamandápio, no México.

Carlos Villagrán, o Quico, não tinha que usar nenhum tipo de enchimento nas bochechas, ele as enchia de ar e falava ao mesmo tempo. Fanático por futebol, deu o nome de Edson a um de seus filhos, em homenagem a Pelé.

O coração na roupa do Chapolin significa que tudo deve ser feito com amor. (Eliana Silva de Souza – Estadão Conteúdo)

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