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O legado de Quino, ‘pai’ da Mafalda

O legado de Quino, ‘pai’ da Mafalda
Com Mafalda, Quino conseguiu o que pouquíssimos cartuns foram capazes: manter-se atual e atemporal. Crédito da foto: Divulgação

Falecido no dia 30 de novembro, aos 88 anos, em Mendoza, na Argentina, o cartunista Joaquín Salvador Lavado, conhecido como Quino, deixa grande legado. Sua criação mais conhecida, Mafalda foi concebida em 1963 e, apesar de ter durado menos de uma década e ter sido descontinuada há 47 anos, conseguiu o que pouquíssimos cartuns foram capazes: comentar no calor dos fatos o cenário político argentino e mundial, e se manter atual e atemporal muitos anos depois.

A comparação com Snoopy e A Turma da Mônica, talvez as duas mais longevas tiras da imprensa mundial, pode fazer parecer que Mafalda foi publicada por muitos anos. No entanto, sua publicação cessou em 1973 e, desde então, Quino fez apenas algumas tiras para ocasiões especiais.

Mafalda é presença comum até hoje em provas de escola e vestibulares universitários. Embora ela e seus amigos Miguelito, Manolito, Susanita e Felipe sejam apenas crianças, em vez de limitar as temáticas do crescimento, da relação com os pais e da vida escolar, Quino conseguiu inserir nesse ambiente infantojuvenil uma mordaz sátira do mundo contemporâneo, observando assuntos delicados em plena guerra fria.

Direitos humanos, aquecimento global, ameaça nuclear, instabilidade política… tais temas não parecem tão adequados às crianças, mas Quino soube como poucos cartunistas imiscuir seu comentário social em meio aos carismáticos personagens que criou. Nas tiras de Quino, quem diria, até mesmo o planeta Terra é um personagem, representado pela alegoria do globo terrestre com quem a protagonista insiste em interagir, conversar e desabafar. (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)

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