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De tudo, pela internet

Como não dá para sair de casa, crianças têm usado computadores e celulares para dar continuidade às suas atividades
De tudo, pela internet
Vicente e Benício continuam fazendo as aulas de futebol, agora on-line. O campo é a sala de jantar do apartamento onde moram. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Por causa do novo coronavírus, muitas crianças passaram a ter aulas pela internet, para seguir a recomendação de ficar em casa e se cuidar. Mas essa parte você já deve saber: os professores conversam com os alunos, por chamada de vídeo, e as crianças fazem atividades, cada uma na sua casa. A novidade é que algumas aulas extras, como instrumentos musicais, coral, dança e até futebol, seguem firmes e fortes, mesmo a distância.

Esse é o caso dos irmãos gêmeos Vicente e Benício Rodrigues de Araújo, de 7 anos, que continuam fazendo suas aulas de futebol em casa, também por chamada de vídeo. A mãe, Amanda Rodrigues, de 38 anos, explica que eles estranharam no início, já que a família mora em um apartamento e não tem muito espaço para realizar as atividades.

Para que os irmãos possam continuar praticando o esporte, Amanda conta que eles reservaram um espaço da casa só para Vicente e Benício jogarem. “Temos que desmontar a sala de jantar, afastar a mesa e as cadeiras.” Porém, a regra é que depois da aula eles têm que colocar os móveis no lugar certo, momento que não deixa Vicente muito feliz. “A parte mais chata é ter que arrumar a bagunça depois da aula”, conta. Benício concorda com o irmão e acrescenta “arrumar a bagunça não é legal, às vezes eu nem quero fazer [as aulas] porque tem que arrumar a bagunça depois”, confessa.

No apartamento, os gêmeos contam que até o sofá passou a ser um gol imaginário e acabou virando parte da brincadeira. As aulas de futebol pela internet, além de divertir os irmãos, são uma forma de fazer com que eles se exercitem em casa, já que o indicado é evitar sair.

Saudade

Os irmãos contam que conseguem aprender pelas aulas on-line, mas preferem se reunir com os outros alunos e com o professor, como era antes da pandemia. “Acho mais legal quando tá todo mundo junto”, disse Vicente, que acrescentou “sinto saudade de tudo”.

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Para não deixar a saudade crescer muito, eles também fazem videochamadas com os amigos e jogam alguns jogos pelo celular enquanto conversam. Esse é um recurso que o Kaleb Assis Seidel, de 7 anos, também gosta de usar. O pequeno, que mora com os pais e com a irmã mais nova, combina de jogar Fifa no videogame e, ao mesmo tempo, ligar para os amigos. “A gente pode ligar a qualquer hora”, conta.

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Kaleb tem compensado a distância dos amigos jogando Fifa, no videogame e, ao mesmo tempo em que liga para eles. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

A mãe, Karyttas Seidel Marriel, de 34 anos, explica que Kaleb fazia aulas de futebol antes da pandemia, mas ele teve que sair das atividades quando o isolamento social começou. “Foi difícil porque ele é louco por futebol”, disse. O garoto também teve que passar mais tempo em casa e sem conseguir ver os amigos e familiares. Mesmo entendendo que é preciso evitar sair para se proteger, Kaleb conta que “a parte mais chata é o coronavírus, ele é chato”.

Já que Kaleb não pôde continuar as aulas de futebol em casa, como os gêmeos Vicente e Benício, a solução foi inventar novas brincadeiras. Para jogar bola, os pais fizeram adaptações para que ele pudesse ficar em segurança. “A gente coloca um colchão em cima do tapete”, disse o pequeno. Além do esporte, a família também inventou uma banda de música imaginária. “Faço que o travesseiro é um violão, a minha irmã brinca com a flauta e a mamãe canta”, explica. Kaleb ainda contou que ele e a irmã Yasmin, de 1 ano, fazem concurso de dança, brincam de bambolê, esconde-esconde e fazem exercícios.

Dança on-line

As dificuldades de encontrar um espaço, dentro de casa, para continuar uma atividade que antes era realizada em outro local também são vividas pela família de Rebeca Mello Mariano, de 10 anos. Ela pratica balé, jazz e sapateado há quatro anos, e agora participa das aulas pela internet.

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Rebeca supera as dificuldades para seguir com suas aulas de dança, mesmo com a internet travando em alguns momentos. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Antes da aula começar, com a ajuda da mãe, Sandra Regina Mariano, de 37 anos, Rebeca arruma a sala, levanta as cadeiras e move a poltrona para o lado, deixando o ambiente com mais espaço para dançar. Além disso, dependendo da aula, ela também dedica um tempo para fazer o penteado para o balé, com o coque, e veste a roupa da aula.

Para Rebeca, a parte mais legal de ter as atividades em casa é a produção, já que isso dá a sensação de estar na aula, mesmo longe das amigas e da professora. “Tô gostando bastante. Tá dando pra ensaiar e eu consigo ver as outras amigas no vídeo e a professora também”.

Dificuldades

No início, Rebeca conta que teve um pouco de dificuldade porque as aulas não eram ao vivo. “A professora gravava a coreografia e mandava por e-mail pra gente.” Logo depois, as alunas tinham que enviar um outro vídeo para a professora, mostrando que conseguiram aprender os passos. Segundo ela, era complicado porque não tinha como mostrar ao vivo se o movimento estava certo ou não, além de não conseguir ver as outras amiguinhas.

Logo depois, quando as aulas em chamada de vídeo começaram, Rebeca ainda teve dificuldades para ver alguns movimentos que a professora fazia com o pé, porque a posição da câmera não mostrava. “A professora tinha que abaixar a câmera para mostrar o passo, a visão era menor”. A internet também acaba atrapalhando Rebeca algumas vezes. “Às vezes a aula fica travando, e volta em outra parte”, o que faz a aluna perder alguns passos e ter que pedir para a professora repetir.

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Porém com o tempo, desde o início do isolamento social e com muita persistência, Rebeca e suas amigas conseguiram enfrentar esses momentos difíceis e passaram a aprender os passos de uma maneira mais rápida. No entanto, ela afirma que, com as aulas da academia, a dança fica mais sincronizada. “Sinto falta de estar lá fazendo [a dança], fica mais sincronizado”, disse, e acrescentou. “A professora fala e mostra o passo, e é mais fácil de entrar na cabeça”. (Bruna Deroldo – programa de estágio / Supervisão: Regina Helena Santos)

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