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Crianças de Sorocaba produzem os seus próprios jornais

Em duas escolas de Sorocaba elas aprenderam sobre como funciona um noticiário e sua importância para a população
Crianças produzem os seus próprios jornais
Além das notícias, os alunos da Escola Municipal Maria de Lourdes Ayres de Moraes produziram também comerciais. Crédito da foto: Fábio Rogério

Você gosta de saber o que anda acontecendo na sua cidade e no mundo? Se respondeu que sim, então deve acompanhar o noticiário, seja por meio da televisão, jornal impresso, rádio ou internet, correto? As informações divulgadas nesses meios de comunicação são produzidas pelos jornalistas.

O jornal é uma das principais fontes de pesquisa quando se estuda a história do mundo atual. Para que os estudantes compreendessem melhor como ocorre o processo de produção de notícias, duas escolas de Sorocaba desenvolveram seus próprios jornais.

Na Escola Municipal Professora Maria de Lourdes Ayres de Moraes, situada no Jardim Santa Marina, 29 alunos com idades entre 10 e 11 anos fizeram um telejornal. Já na Escola Estadual Professor Renato Sêneca de Sá Fleury, no Jardim Europa, 70 estudantes com 12 e 13 anos produziram jornais impressos e televisivos.

Por meio do depoimento deles, você também aprenderá um pouco sobre como funciona um jornal e a importância desse serviço para a população. Confira:

No 5º ano, o desafio foi encarar as câmeras

Ao contrário de um jornal impresso, em que os repórteres escrevem textos, em um noticiário televisivo é preciso falar diante das câmeras. Essa foi a maior dificuldade dos estudantes da Escola Municipal Maria de Lourdes Ayres de Moraes, por causa da vergonha. Superada essa parte inicial, eles se deram muito bem. Participaram da produção os alunos do 5º ano do ensino fundamental, sob orientação da professora Fabíola Jardim.

A sala toda formou uma grande equipe, que contou com Daniel Silva Perrut, 10 anos, como diretor de produção. Ele já tinha experiência em gravar vídeos, porque tem um canal no YouTube, e deu a ideia de colocar um pano verde na parede — o nome técnico disso é Chroma key — para poder desenvolver efeito visual no fundo da imagem. Outra colaboração de Daniel foi emprestar uma boa câmera para as gravações.

O “Jornal Educacional” teve como âncoras Gianni Enzo Franco Scarpa, 11 anos, que usou o pseudônimo de Enzo Bonner, numa referência a William Bonner, apresentador do Jornal Nacional, da Rede Globo; e Rhianna Vitória Duarte Leite, 10 anos, que assinou como Rhiana Abritta, inspirada em Poliana Abritta, apresentadora do Fantástico.

Coube a Ranyelle Vitoria Pereira Gato, 11 anos, ser a Rany Maju, referência a Maju Coutinho, que ficou conhecida por apresentar a Previsão do Tempo no Jornal Nacional (atualmente está no jornal Hoje).

O “Jornal Educacional” teve entrevistas e pausa para os comerciais, usados para alertas contra o bullying e a dengue. As entrevistas foram com professores de educação física, zeladores e diretora da escola. Entre os assuntos abordados, destacou-se a Educação de Jovens e Adultos (EJA). A gravação ainda exibiu cenas extras, com os erros da filmagem. Isso acontece com profissionais da televisão, no dia a dia também — quando uma exibição não é feita ao vivo, é possível corrigir muitas coisas.

Assumiram a função de repórteres Kauan Mazini de Souza, Heloise Lima dos Reis e Thainá Beatriz Coelho Fungeri, todos com 10 anos. “Minha participação foi vergonhosa, teve bastante erro”, disse Kauan, a quem coube a tarefa considerada por todos a mais difícil: entrevistar a diretora.

A equipe pensou em diversos detalhes, inclusive na identificação dos repórteres, que usaram crachás. Enquanto uma parte da sala ficou responsável pelas funções jornalísticas, outra parte fez os comerciais. A turminha que falou sobre bullying e dengue resolveu gravar não apenas esclarecendo com palavras, mas interpretando cenas, para mostrar como acontece. “Aprendi que a gente tem de respeitar as pessoas. Já sobre o comercial da dengue, temos de prevenir, evitando deixar água parada em casa. Agora estou sempre avisando minha mãe”, afirmou Maria Alice Gomes de Souza, 10 anos.

Os que assumiram as câmeras foram Luciano Teixeira Filho e Kaio Wilkerson Dias Rossi, ambos de 11 anos. “Estávamos com muito medo de quebrar, além de ser um equipamento de ponta, é muito caro. No início a gente não sabia mexer e deu errado, mas depois começamos a fazer muito rápido”, afirma Kaio, acrescentando que com isso aprendeu a trabalhar em equipe.

Todo esse trabalho de gravação durou uma semana. O telejornal foi exibido para pais, professores e colegas da escola. Os estudantes disseram que foi uma das aulas mais legais, porque aprenderam se divertindo — e todos ficaram satisfeitos com o resultado.

Estudantes do 7º ano se dedicaram aos impressos

Crianças produzem os seus próprios jornais
Ao todo, os alunos da Escola Estadual Professor Renato Sêneca de Sá Fleury produziram seis jornais. Crédito da foto: Fábio Rogério

Na Escola Estadual Professor Renato Sêneca de Sá Fleury, a reportagem do Cruzeirinho conferiu a produção dos jornais impressos. Duas turmas, dos 7ºs A e B, se dividiram e ao todo produziram seis jornais. Os estudantes tiveram como parâmetro o Cruzeiro do Sul, inclusive fizeram uma visita à sede do jornal para ver de perto como funciona. Conforme a professora Maria Emília Delgado, cada equipe teve a liberdade de escolher como seria o seu e que assuntos entrariam em cada edição.

Para entender melhor como funciona um jornal, eles estudaram muito antes de começar a fazer. Aprenderam que a notícia mais importante é chamada de manchete. Ela ocupa lugar de destaque na capa, tendo título com letras enormes, maiores do que as outras notícias. Matheus Oliveira Andrade do Nascimento, 12 anos, ficou responsável pela capa do “The New Sêneca Times”. Segundo ele, de todas as notícias que foram publicadas, sua tarefa foi escolher as que julgou serem mais interessantes, para colocar um resumo na capa. Isso é feito para chamar a atenção das pessoas e despertar nelas a vontade de ler. Matheus também teve que organizar sua equipe, tarefa atribuída ao editor-chefe. Ele que escolheu quem iria fazer o jornal, qual seria a função de cada um, como por exemplo repórter, editor, fotógrafo…

Os temas

Bem, já falamos um pouco sobre a capa, então vamos para o conteúdo interno. Ao abrir o jornal, o leitor encontra páginas divididas por temas como Economia, Esportes, Cultura, Cidades. Logo na primeira ou segunda página, tem o editorial. Trata-se de um texto que comenta sobre um acontecimento, mas emitindo uma avaliação sobre esse fato. É o único espaço em que o jornal pode dar sua opinião. Os jornalistas, quando escrevem suas reportagens, não podem colocar nos textos o que pensam — apenas contar o que aconteceu. E para isso devem ouvir várias versões, para poderem reproduzir com fidelidade o que houve.

Ainda nas primeiras páginas tem os artigos. Artigos são textos escritos por colaboradores, que também são livres para falar de suas opiniões. Quem escreve artigos não precisa ser jornalista.
Dois jornais produzidos pelos estudantes se preocuparam em colocar editorial e artigos: o “Jornal Sul América” e o “Jornal RSSF”. “Pensamos em colocar artigo para mostrar o que as pessoas achavam sobre o que estava acontecendo”, explicou Quézia Julia Sílvia Amorim, 12 anos, do “RSSF”.

Também nas primeiras páginas tem a Coluna do Leitor, um espaço para os leitores se manifestarem sobre o que quiserem, inclusive reclamar do jornal. A turminha que produziu o “Sêneca News” fez questão de deixar um espaço para os seus leitores. Aliás, o “Sêneca News” foi o que mais focou em assuntos do universo escolar, como “O que fazer com a matéria acumulada”, informações sobre os alunos que saíram e entraram na escola, a formatura e o nascimento do bebê de uma professora.

Vale destacar que a grande maioria dos jornais feitos pelos estudantes estampou assuntos da atualidade, como a queimada na amazônia e a epidemia de sarampo. Alguns ficaram tão completos que colocaram inclusive data, preço e até o endereço da versão eletrônica do periódico, como fez o “Sorocity News”.

Conforme Lívia de Lima Costa, 12 anos, que assumiu a função de fotógrafa, a professora explicou tudo. “Foi muito legal, eu gostei, principalmente de fotografar, porque gosto de ver a emoção das pessoas. Fiquei com vontade de ser fotógrafa.”

Bryan Seiziro Tsuchiya Cravito, 13 anos, do “Jornal da DZ 7”, disse que acompanha notícias pela TV e internet, mas como foi a primeira vez administrando um grupo, ficou confuso. “Depois acostumei”, contou. Ele considerou importante fazer esse trabalho para saber como funcionam as distribuições das notícias por editorias.

Os estudantes ainda produziram dois jornais televisivos, sendo um deles sensacionalista, ou seja, que divulga notícias apelativas. (Daniela Jacinto)

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