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Crianças aprendem muito com os mais velhos

Alunos do 5º ano do Sesi Votorantim se encontram com idosos para conhecer suas histórias de vida
Crianças aprendem muito com os mais velhos
Os estudantes e os idosos tiveram uma tarde de bastante bate-papo e carinho. Crédito da foto: Emidio Marques

Os mais velhos têm muito a dizer e ensinar. Já os pequenos detêm uma curiosidade enorme e ouvidos atentos. Unir gerações e promover diálogos foi o que a professora Tatiane Reis propôs para uma turminha bem animada da 5ª série do Sesi Votorantim. E o resultado desses encontros foi muito afeto, aprendizado e reflexão. “Descobri que as crianças estudavam bem menos, trabalhavam cedo, moravam no sítio e nasciam em casa”, contou, surpreso, Gustavo Andrey Raya Barros, de 10 anos. Assim como ele, outros alunos ficaram encantados com as histórias que ouviram e ao final das conversas, abraços e muito carinho marcaram as despedidas.

Gabriela Grandini do Prado, de 10 anos, disse que o que mais chamou sua atenção foi que todos os idosos com os quais conversou relembraram suas famílias grandiosas. “Eles falaram que tinham muitos irmãos e que os partos eram feitos em casa, sem médico.” Para Larissa Yuki Mariz Yahiro, 10, uma curiosidade foi descobrir que as pessoas andavam de carroça e não de carro. “Eles falaram muito da infância e me lembrou muito das conversas que tenho com as minhas avós.”

A avó materna também foi lembrada por Lívia Fara dos Santos, 10. Ela contou que sempre pergunta para a matriarca sobre sua vida e na atividade escolar aproveitou para “entrevistar” muitos idosos. Entre os questionamentos feitos pela menina teve de tudo um pouco: comida favorita, brincadeiras que mais marcaram a infância, cor predileta. A emoção também tomou conta de Lívia quando conversou com uma mulher que relembrou os primeiros anos de vida no circo. “A gente acaba descobrindo histórias incríveis e fica difícil não chorar”, confessou a estudante.

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Crédito da foto: Emidio Marques

Larissa Ros, de 9 anos, também se emocionou durante a atividade e o que mais a marcou foi ouvir o relato de uma mulher que, ainda criança, viu sua casa desabar. “Acho que são coisas que a pessoa nunca esquece e eles não se importam em compartilhar com a gente essas vivências.” Erick Derrer de Medeiros, de 11 anos, ficou surpreso com a história de Maria Anélia Stuckus Ribeiro, de 73 anos. “Ela foi uma das primeiras mulheres a entrar para a Polícia Militar de São Paulo”, contou orgulhoso.

Experiência compartilhada

Satisfeita por compartilhar sua história com as crianças, Maria Anélia relatou que ficou viúva muito jovem e então decidiu ser policial. Depois, foi para as salas de aula e lecionou por muitos anos. “Eu tenho paixão por criança e ter esse contato com eles aqui me fez relembrar os alunos que já tive.” Ela também contou aos estudantes que atualmente namora e seu companheiro é um amor da adolescência. “Dava para ver os olhinhos deles brilhando enquanto contava o meu romance.”

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Assim como Maria Anélia, Dirce Alves Vasquez, de 72 anos, também foi entrevistada pelas crianças e, assim como faz com os sete netos, falou principalmente da infância e viu os olhares curiosos direcionados a ela. “Quando falei que estudei só por três anos eles ficaram espantados”, disse a idosa, que ainda hoje guarda lembranças maravilhosas de sua primeira professora. “Espero que com o que eu contei eles valorizem ainda mais a escola, a oportunidade de aprender e se dedicar aos estudos. Na infância eu não tive essa chance.” Ela voltou a estudar já na vida adulta, mas desde os 10 anos trabalhava para ajudar com as despesas de casa.

Narrativas

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As crianças ouviram os relatos de alguns idosos, entre eles da Maria Anélia e da Dirce Alves. Crédito da foto: Emidio Marques

Ao todo são 35 alunos participando da atividade promovida pela professora Tatiane. Até junho os pequenos transformarão as histórias que ouviram em narrativas escritas. “Comecei a trabalhar com eles relatos de experiência de vida e nada melhor do que unir gerações para que eles tenham contato com realidade diferentes”, conta a educadora. Ela destaca que a atividade vai além do conhecimento do gênero textual, mas também faz com que os alunos coloquem em prática a empatia, a curiosidade e o diálogo.

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Tatiane explica que procurou a coordenação do projeto direcionado a terceira idade do Sesi e elaborou um questionário que foi entregue a 40 idosos que frequentam a escola. Eles responderam algumas perguntas e escreveram relatos sobre o tema de preferência. Com questionários preenchidos, crianças e idosos se encontraram para tornar a experiência ainda mais rica e o resultado completo, conta Tatiane, deve virar um livro! “O encontro foi maravilhoso e agora, em sala de aula, vamos trabalhar com tudo que eles descobriram. Depois vamos elaborar as narrativas e por fim vem a publicação que será entregue aos idosos que participaram do projeto.”

E você, já parou para perguntar e ouvir as histórias das pessoas mais velhas? Pode ser um avô, um vizinho, um professor, não importa. Com certeza, assim como os alunos da professora Tatiane, você vai se surpreender com histórias bem interessantes. Experimente! (Larissa Pessoa)

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