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Crianças aprendem a contar e a poupar em escola de Sorocaba

Feira de brinquedos ajudou alunos da Escola Estadual Professor Enéas Proença de Arruda a entender um pouco mais dos números e do valor do dinheiro
Crianças aprendem a contar e a poupar
Na hora de pagar é preciso atenção dos dois lados: de quem dá o dinheiro e de quem tem que cuidar do troco. Crédito da foto: Fábio Rogério

Escolher um brinquedo, ver se está no orçamento, fazer o pagamento no caixa, conferir o troco. Parece até que estamos descrevendo a rotina de compra em uma loja de brinquedos, mas, na verdade, essa foi uma atividade realizada pelos alunos da Escola Estadual Professor Enéas Proença de Arruda. Em uma feira que tinha à venda brinquedos doados pelas próprias crianças, dinheiro de mentira e caixas controlados pelos estudantes, além de aprender a matemática e exercitar os cálculos mentais, a coletividade também foi ponto alto.

Cada criança recebeu notas que somavam R$ 250 de mentira e todos os brinquedos estavam etiquetados com seus preços – alguns eram mais caros, outros mais baratos. Bonecas, carrinhos, instrumentos musicais e jogos podiam ser levados para a casa, mas não eram o que tinha de mais importante na atividade.

Isso porque algumas vezes a quantidade de dinheiro na mão era menor que o preço do brinquedo que se queria. Nessa hora, entrava em jogo a amizade: emprestar dinheiro ao colega para ajudar na compra daquilo que mais chamava atenção.

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O dinheiro não dá para comprar tudo. Então, é preciso saber quanto se tem e escolher. Crédito da foto: Fábio Rogério

Poupar para comprar o que é desejado é uma lição já conhecida pelos alunos do 5º ano. Iuri Santos Silva, 11, conta que não recebe mesada dos pais, mas que anualmente, em seu aniversário, os avós o presenteiam com uma quantia em dinheiro. “No ano passado e esse ano eu poupei o que ganhei o consegui comprar meu celular”, conta, entusiasmado. Na atividade escolar, Iuri foi um dos alunos que ficou no caixa e para não errar no troco aos colegas, pedia ajuda e contava as cédulas com cuidado.

Certeira nos cálculos, Gabrielle Martins Mate, de 10 anos, diz que para conseguir isso primeiro soma as quantidades maiores e depois as menores. Ela também estudou muito com a professora de matemática para trabalhar no caixa da feira de brinquedos. “Quando quero fazer alguma coisa diferente eu peço dinheiro em casa e acabo gastando para ir no cinema com a minha avó, por exemplo. Essa atividade é legal para que a gente possa ter mais contato com as cédulas.”

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Se o brinquedo escolhido custava menos, chegava a hora de emprestar o que havia sobrado para um amigo. Crédito da foto: Fábio Rogério

Outro que ficou responsável pelo caixa da feira foi o Mateus Willian Silveira Peixoto, de 10 anos. Contar duas vezes o troco antes de entregar ao comprador foi a maneira de evitar erros adotada por ele. “Conferi todas as notas e fazia isso com tranquilidade para não errar e acabar prejudicando o amigo.”

Lucas Augusto Santos Barbosa, 10 anos, antes ganhava mesada e fazia curso de piano. Ele era o responsável por levar o dinheiro que pagava as aulas de música. “Lidava mais com notas, mas minha mãe precisou economizar e eu parei o curso, mas meu avô sempre me dá dinheiro de presente”, conta. Na feira, por gostar muito de instrumentos, Lucas escolheu comprar uma flauta.

Paola Sofia Moraes Jerônimo, 11 anos, ganha mesada desde os nove anos e relata que com a preparação para a feira de brinquedos aprendeu a administrar melhor o seu dinheiro. “Eu acabava gastando tudo logo que recebia, mas agora estou aprendendo a economizar.”

Já Medilhin Karoline Fernandes Pereira, 11 anos, não recebe mesada, mas vez ou outra ganha dinheiro da mãe para comprar alguma coisa de seu interesse. “Eles me dão dinheiro no caso de alguma necessidade e o mais interessante na feira de brinquedos é que a gente precisa ter o raciocínio rápido.” Quando vai ao mercado a pedido da mãe, Medilhin conta que o pai sempre faz um alerta: “confira o troco certinho!”

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Ao todo, 450 crianças, do 1º ao 5º ano, participaram da feira, que aconteceu na última terça-feira em comemoração ao Dia das Crianças. Cláudia Janete Furtado, coordenadora da Escola Estadual Professor Enéas Proença de Arruda e responsável pela atividade, contou que a matemática costuma ser é um ponto fraco nas avaliações e a feira de brinquedos foi uma forma de estimular os cálculos mentais, a socialização e ainda divertir as crianças. (Larissa Pessoa)

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