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Professores se vêem em carreira desvalorizada

Em pesquisa, docentes se dizem prejudicados por não serem ouvidos para as políticas educacionais
Professores se vêem em carreira desvalorizada
Profissionais apontam necessidade urgente de mudanças no conjunto das políticas docentes. Crédito da foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

Impossível pensar na educação sem pensar nos professores. Uma pesquisa inédita feita com docentes de todo o Brasil sobre aspectos relacionados à atratividade da carreira, condições de trabalho e gestão escolar, revela que no País metade desses profissionais não recomenda a própria profissão, por considerá-la desvalorizada. Para reverter tal quadro, eles apontam como medidas mais importantes para a valorização da carreira, em primeiro lugar, a formação continuada (69%) e a escuta dos docentes para a formulação de políticas educacionais (67%), e em segundo lugar, a restauração da autoridade e do respeito à figura do professor (64%) e o aumento salarial (62%). Os dados são da pesquisa “Profissão docente”, iniciativa do Todos Pela Educação e do Itaú Social, realizada pelo Ibope Inteligência em parceria com a Conhecimento Social.

O levantamento entrevistou 2.160 professores da Educação Básica das redes públicas municipais e estaduais e da rede privada de todo o País. A amostra respeitou ainda a proporção de docentes em cada rede, etapa de ensino e região, segundo os dados do Censo Escolar da Educação Básica (MEC/Inep).

De acordo com a pesquisa, a maioria (78%) dos professores afirma ter escolhido a carreira principalmente por aspectos ligados à afinidade com a profissão. Entretanto, quando se olha os níveis de satisfação com a atividade docente, 33% dizem estar totalmente insatisfeitos — e apenas 21%, totalmente satisfeitos.

Mudanças urgentes

Segundo Priscila Cruz, presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação, o que os professores dizem por meio da pesquisa confirma a necessidade urgente de mudanças no conjunto das políticas docentes, desde as relacionadas ao ingresso na carreira, como formação inicial, até aquelas voltadas a quem já está na ativa, como a formação continuada, e os planos de remuneração e progressão na carreira, passando pela melhora nas condições de trabalho e pela ampliação do envolvimento dos professores nas decisões relacionadas às políticas educacionais. “Mais do que desafios, os resultados da pesquisa revelam oportunidades para a valorização docente que são factíveis e podem ser alcançadas em um período de curto e médio prazo, uma vez que a Educação seja, de fato, prioridade na gestão, e o professor seja entendido como ator central de um projeto de educação”, afirma Priscila.

Formação

Em relação à formação, observa-se um forte desejo de aprimoramento profissional dos docentes, uma vez que 77% deles têm cursos de especialização. Os cursos de formação inicial, todavia, parecem não contemplar todos os quesitos que consideram importantes para começar a dar aulas: somente 29% dos professores concordam que essa formação os preparou para os desafios do início da docência.

Nesse sentido, além de políticas voltadas a melhorar a formação inicial, a formação continuada é determinante para o aprimoramento da prática docente de quem já está dando aulas. Para Juliana Yade, especialista em Educação do Itaú Social, a formação continuada precisa articular a teoria e a prática, de modo que propicie o desenvolvimento profissional e ao mesmo tempo dialogue com os desafios do dia a dia do professor. “Quando isso acontece, o docente se sente mais valorizado e apoiado, ampliando as oportunidades de aprendizagem tanto para ele como para os estudantes. Esse processo impacta de forma significativa na melhora da educação.”

Segundo a pesquisa, os professores entendem que é papel da Secretaria de Educação oferecer oportunidades de formação continuada (76%), mas não concordam que os programas educacionais como um todo estão bem alinhados à realidade da escola (66%). Apontam ainda que falta um bom canal de comunicação entre a gestão e os docentes (64%), e que não há envolvimento dos professores nas decisões relacionadas a políticas públicas (72%). Também consideram aspectos ligados à carreira mal atendidos, como o apoio à questões de saúde e psicológicas (84%), e o salário (73%). A remuneração média no País, segundo os professores pesquisados, é de R$ 4.451,56 atualmente. A maioria dos docentes (71%) tem a principal renda da casa e 29% deles afirmam ter uma outra atividade como fonte de renda complementar.

Segundo a pesquisa, um em cada três professores têm contrato com carga horária de menos de 20 horas semanais, o que pode ter impacto na renda e também no cumprimento de 1/3 da carga horária prevista na Lei do Piso do Magistério para atividades extra-classe. De acordo com a pesquisa, 58% dos professores afirmam ter tempo remunerado fora da sala de aula. Contudo, somente cerca de 30% dos docentes dispõem de aproximadamente ou mais de 1/3 da sua carga horária para atividades como planejamento de aula. Veja o relatório completo sobre a pesquisa no link https://bit.ly/2MVoQhE.

Todos Pela Educação é um movimento da sociedade brasileira que tem como missão contribuir para que o País assegure Educação Básica Pública de qualidade a todas as crianças e jovens. (Fonte: Todos Pela Educação e Itaú Social)

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