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Evasão nas faculdades privadas chega a 30%

Segundo dados do Mapa do Ensino Superior, na rede pública, percentual dos que deixaram os estudos é de 18,5%
Índice cresceu, já que a evasão da rede privada, em 2015, era de 28,6%. Foto: Pedro Negrão / Arquivo JCS

A evasão dos cursos do ensino superior no País atingiu 30,1% na rede privada e 18,5% na rede pública. Nos cursos de educação a distância (EaD), o índice chegou a 36,6% nas faculdades e universidades particulares e a 30,4% nas mantidas pelos governos. Os dados são da 8ª edição do Mapa do Ensino Superior, levam em conta o ano de 2016 e foram divulgados pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), no 20º Fórum do Ensino Superior Particular Brasileiro, realizado na capital paulista.

De acordo com o levantamento, a evasão em 2015 foi de 28,6% na rede privada e 18,4%, na pública. Nos cursos EaD, 34,2% na privada e 28,7% na pública. O mapa detalha também a evolução do Programa de Financiamento Estudantil do Governo Federal (Fies). De 2010 a 2014, o número de contratos firmados pelo Fies cresceu 864% (eram 76 mil contratos em 2010 e passaram a 733 mil). Do final de 2014 até 2017, os contratos firmados caíram 77%, chegando a 287 mil em 2015, 204 mil em 2016 e 168 mil 2017. No primeiro semestre deste ano, foram ofertadas 80 mil vagas.

De acordo com a pesquisa, nos cursos presenciais, a maioria dos alunos matriculados (53,4%) está na faixa etária de 19 a 24 anos; na rede pública, o percentual é de 57,9%; na rede privada, de 51,6%. A média geral é de 22 anos nos cursos presenciais. Já nos cursos EaD, a média geral é de 30 anos. Nos cursos a distância na rede privada, o maior número (57%) encontra-se na faixa etária de 25 a 39 anos. Já na rede pública, 57,8% dos alunos está na faixa etária de 25 a 39 anos.

“O Brasil está perpetuando as gerações sem acesso ao ensino superior. Considerando a faixa etária do aluno do presencial e do EaD, aliada ao baixo crescimento e à estagnação dos cursos presenciais, é possível afirmar que o Brasil não está conseguindo ampliar o ingresso do jovem ao ensino superior. As principais razões são política de financiamento estudantil ineficiente, dificuldades de acesso ao ensino público e falta de motivação dos jovens”, afirmou o diretor executivo do Semesp, Rodrigo Capelato.

O Mapa do Ensino Superior mostra ainda que a taxa de escolarização líquida, que estima o percentual de jovens de 18 a 24 anos que estão matriculados no ensino superior, em relação ao total da população nessa mesma faixa etária, era de 18,5% em 2016. No total, havia 8,05 milhões de alunos matriculados no ensino superior em 2016. Destes, 6,06 milhões em cursos presenciais (75%) e 1,99 milhão em cursos EaD (25%).

Em comparação a 2015, o setor cresceu apenas 0,2%: uma leve queda de 0,3% na rede de ensino privada e um pequeno acréscimo de 1,9%, na rede pública. “Historicamente, os jovens foram excluídos por anos do ensino superior. E ainda hoje a taxa líquida de escolarização no Brasil, entre os jovens de 18 a 24 anos, é de apenas 18%, bem abaixo da média mundial, e muito distante da meta 12 do Plano Nacional da Educação, que prevê ampliar para 33% o número de jovens no ensino superior até 2024”, disse Capelato. (Bruno Bocchini/Agência Brasil)

Censo aponta aumento das matrículas

A evasão se contrapõe dos dados do Censo da Educação Superior 2017, o mais recente divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que aponta que houve aumento no número de matrículas, de 3%, dos cursos presenciais e a distância. No entanto, quando analisado somente o percentual de matrículas do presencial, nas redes pública e privada, o total registrou ligeira queda de 0,4%. Já no EAD, o percentual de matrículas aumentou no total em 17,6%.

Na avaliação de Rodrigo Capelato, embora seja positiva a expansão do ensino a distância, o Brasil está fazendo uma leitura errada dos dados. “Levando em conta a faixa etária do estudante, o público do EAD é aquele que não teve oportunidade e condição de ingressar no superior assim que concluiu o ensino médio, e hoje está em busca de melhorar a sua posição profissional com o diploma, atraídos tão somente pelas facilidades do EAD, como flexibilidade de horário e mensalidades mais acessíveis, sem considerar a sua vocação. Além disso, por não levarem em conta aspectos mais relevantes para a sua formação e de não avaliarem se têm a disciplina necessária para cursar essa modalidade, muitos evadem”, afirmou Capelato.

Mais procurados

Direito, Pedagogia e Administração são os maiores cursos de graduação do País em número de alunos, aponta o Censo da Educação Superior. Juntos, eles representam mais de um quarto das matrículas, 27,4%.

Pelo menos desde 2009, esses cursos lideram a lista de mais procurados, tanto em número de matrículas quanto em ingressantes e concluintes. Do total das matrículas vigentes em 2017, 10,6% são em Direito; 8,6% em Pedagogia e 8,2% em Administração.

Segundo o Censo, no total, o ensino superior tem cerca de 8,3 milhões de estudantes em cursos de graduação. A maior parte dos estudantes está matriculada em instituições de ensino privadas, com 75,3% das matrículas. Ao todo, 6,5 milhões estão matriculados em cursos presenciais e, cerca de 1,8 milhões, em cursos a distância. Consideradas apenas as licenciaturas, que formam professores para atuar nas salas de aula, Pedagogia foi o curso mais procurado. Ao todo, as licenciaturas representam 19,3% das matrículas no ensino superior.

Dessas, 44,7% são em Pedagogia. O curso é seguido por formação de professor de Educação Física, com 11,7% das matrículas em licenciaturas; formação de professor de Matemática, com 6%; formação de professor de História, 5,7%; formação de professor de Biologia, 5,3%; e formação de professor de Português, 5%. (Da Redação, com informações do Semesp e Agência Brasil)

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