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Epidemia deixa 290 milhões fora da escola

Avanço do coronavírus já obrigou 22 países do mundo a fechar suas instituições de ensino
Epidemia deixa 290 milhões fora da escola
Segundo a Unesco, o número de crianças e jovens fora da escola é “sem precedentes”. Crédito da foto: AFP / Sam Panthaky

O fechamento de escolas em treze países para conter a disseminação do coronavírus, por meio do Covid-19, está atrapalhando a educação de 290,5 milhões de estudantes em todo o mundo. Os dados são da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que em comunicado à imprensa classificou a situação como “um número sem precedentes”. A organização está fornecendo apoio imediato aos países, incluindo soluções para o ensino a distância inclusivo.

“Estamos trabalhando com países para garantir a continuidade do aprendizado para todos, especialmente crianças e jovens desfavorecidos, que tendem a ser os mais atingidos pelo fechamento de escolas”, disse a diretora geral da Unesco, Audrey Azoulay. “Embora o fechamento temporário de escolas como resultado da saúde e de outras crises não seja novo, infelizmente, a escala e a velocidade globais da atual interrupção educacional são incomparáveis — e, se prolongadas, podem ameaçar o direito à educação”.

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No próximo dia 10, a Unesco realizará uma reunião de emergência, com ministros da Educação, para compartilhar respostas e estratégias para manter a continuidade do aprendizado e garantir a inclusão e a equidade. Até ontem, 22 países, em três continentes diferentes, já haviam anunciado ou implementado o fechamento de escolas. Apenas duas semanas atrás, a China era o único país a exigir o fechamento.

Desde então, treze países fecharam escolas em todo o território, impactando 290,5 milhões de crianças e jovens. Outros nove implementaram fechamentos pontuais de escolas localizadas mais próximas aos pontos de disseminação do COVID-19. Se esses países também pedirem o fechamento de escolas em todo o território, a estimativa é de que mais 180 milhões de crianças e jovens serão afetados.

Diante da situação, a Unesco se posicionou, publicamente, em apoio à implementação de programas de ensino à distância em larga escala. O órgão recomenda aplicativos e plataformas educacionais abertas que escolas e professores podem usar para alcançar os alunos remotamente. A organização está compartilhando as melhores práticas para alavancar tecnologias móveis baratas para fins de ensino e aprendizado, a fim de atenuar as interrupções educacionais.

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“O fechamento de escolas, mesmo quando temporário, é problemático por várias razões. Acima de tudo, é uma redução no tempo de instrução, que afeta o desempenho da aprendizagem. Quando as escolas fecham, o desempenho educacional sofre. A interrupção da escolaridade também leva a outras perdas mais difíceis de medir, incluindo inconvenientes para as famílias e diminuição da produtividade econômica, à medida que os pais lutam para equilibrar as obrigações de trabalho com a assistência à infância”, diz o comunicado da Unesco. “Os fechamentos também aumentam as desigualdades educacionais: famílias economicamente favorecidas tendem a ter níveis mais altos de educação e mais recursos para preencher as lacunas de aprendizado e fornecer atividades de enriquecimento às crianças que não podem frequentar a escola”, aponta o documento. (Da Redação)

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