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Famílias ajudam alunos a manter dedicação exclusiva

Muitos estudantes têm de contar com a ajuda dos pais para pagar as contas ou desistem

07 de Janeiro de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Mestrandos e doutorandos contam com auxílio para manter os estudos
Mestrandos e doutorandos contam com auxílio para manter os estudos (Crédito: PIXABAY.COM)

Apesar de ser vista como importante pelos bolsistas e ainda figurar como exigência em alguns programas, a dedicação exclusiva à pesquisa vem sendo uma realidade possível para poucos. Muitos estudantes têm de contar com a ajuda dos pais para pagar as contas ou desistem das bolsas para trabalhar e custear as atividades.

‘Com dedicação exclusiva podemos participar de eventos e ter mais tempo para escrever, o que facilita a carreira acadêmica‘, diz o mestrando Vitor Hochsprung, de 23 anos, natural de Brusque (SC). Ele estuda na área de Linguística na Federal de Santa Catarina desde 2020 e recebe bolsa da Fapesc, com valor anterior ao reajuste.

Com os R$ 1.500, Hochsprung diz que até consegue viver em Florianópolis. O problema é a alimentação. Antes da pandemia, ele podia contar com o restaurante universitário, que cobrava R$ 1,50 por refeição. Com a quarentena, as contas passaram a não fechar e ele teve de pedir ajuda aos pais para manter a dedicação exclusiva. Agora, prestes a finalizar o mestrado e aprovado para o doutorado, diz que, na hora de buscar uma bolsa, vai dar prioridade à da Fapesc. “Com o reajuste, penso bastante nisso.”

A família também foi importante para que Lucas Gualberto, de 27, que vive em Nova Iguaçu, se tornasse mestre em Ciências Sociais em fevereiro de 2021, pela Unesp de Marília. Ele só obteve bolsa da Capes um ano após iniciar o mestrado. “Isso é comum. A maioria dos integrantes (dos programas) tem bastante dificuldade porque o número de bolsas está reduzido.” Ao conseguir a bolsa, em agosto de 2020, usou o valor para pagar as dívidas que contraiu desde o início da pós-graduação, em 2019.

Quando fez mestrado na Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), com bolsa que abatia o valor da mensalidade, a historiadora Daiane Pavão, de 27, nem tentou o incentivo da Capes ou do CNPq. “Não conseguiria viver só com a bolsa”, diz. Para se sustentar, precisou dividir a pesquisa com as horas como professora temporária da rede municipal de Caxambu do Sul, ao lado de Chapecó. “Foi assim que consegui permanecer na universidade.” (Da Redação com Agência Brasil)