Cultura brasileira em cores, sons e brincadeiras

Alunos apresentam trabalhos sobre a cultura brasileira e recebem a visita da Orquestra Filarmônica Jovem de Sorocaba

Por Gabrielle Camargo Pustiglione

Maestro Denis Vieira

Imagine chegar à escola e, em vez de encontrar apenas cadernos e livros, dar de cara com pinturas, brinquedos, pipas, receitas de família e uma orquestra tocando bem ali, pertinho de você.

Foi mais ou menos assim a Mostra Cultural da Escola Municipal Edward Frufru Marciano da Silva, em Sorocaba. Durante o evento, os alunos mostraram trabalhos sobre a cultura brasileira e também puderam assistir ao concerto da Orquestra Filarmônica Jovem de Sorocaba.

Uma escola cheia de descobertas

A diretora da escola, Cíntia Reis, contou que a Mostra Cultural foi preparada durante cerca de dois meses. “É sobre a cultura brasileira, as riquezas populares da cultura brasileira. Nós fizemos várias atividades, pensando na cultura em geral, nas brincadeiras, nas comidas regionais, nas questões das ervas aromáticas.”

Cada turma escolheu um tema para explorar. As atividades começaram na escola e, muitas vezes, continuaram em casa, com a participação das famílias. “As crianças levam para casa, seja criando a receita da família, trazendo uma receita tradicional deles, fazendo pinturas, fazendo brinquedos. Então, a família participa e traz isso para a gente. Nós finalizamos aqui para a exposição”, explicou a diretora.

Entre os trabalhos apresentados estavam as famosas pipas e brinquedos feitos pelos próprios alunos.

O estudante José Victor de Souza, de 9 anos, contou que gostou de colocar a mão na massa. “Eu fiz uma pipa, e fazer meu próprio brinquedo foi muito legal. Também gostei muito do bilboquê”, comentou.

Para ele, uma mostra como essa também serve para apresentar novas brincadeiras. “É uma forma de mostrar para as outras crianças outros tipos de brinquedos e de confecção própria”, explicou.

A aluna Ana Luísa da Silva Gambari, de 10 anos, também fez uma pipa e contou que recebeu uma ajudinha especial: “A professora e os meus amigos me ajudaram.”

Mesmo sem ter o hábito de brincar de pipa, ela descobriu que construir o brinquedo é muito divertido. “Eu tô achando muito legal, surgiram várias criações, coloridas e criativas”, contou.

A criatividade também apareceu nas atividades de desenho e pintura. Ana Laura dos Santos da Cruz, de 10 anos, contou que produziu trabalhos com diferentes materiais. “Eu desenhei nas pedras e nas telas.”

Na Mostra, também teve espaço para uma invenção que muita gente adora: os squishies, aqueles brinquedos macios que dão vontade de apertar sem parar!

A aluna Ana Clara Munhoz Gomes, de 10 anos, contou que sua turma produziu squishies e pipas. Segundo ela, os brinquedos foram feitos com papel, tesoura, fita e algodão. Ana Clara também explicou para que eles servem: “A gente brinca de apertar porque é gostoso, é relaxante. A gente fica apertando e é legal.”

Quando perguntaram do que ela mais tinha gostado na Mostra, a estudante não teve dúvida: “Eu gostei de tudo, tudo, tudo!” Ela também destacou um trabalho em formato de nuvem e outro feito com garrafa e material reciclável.

Música de pertinho

A Mostra Cultural ganhou uma trilha sonora especial, com a apresentação da Orquestra Filarmônica Jovem! Alunos e familiares puderam conhecer instrumentos musicais e ouvir diferentes músicas.

O maestro Denis Vieira explicou por que levar uma orquestra para dentro da escola é tão importante. “Muitas das pessoas, certamente, nunca tinham tido a oportunidade de assistir a uma orquestra, nunca tinham visto um violino, um violoncelo, uma trompa, um trompete, um trombone de perto.”

A ideia, segundo ele, é mostrar que a música e a cultura podem estar ao alcance de todos. “A gente poder difundir a cultura, mostrar que ela é acessível, cumprir com a nossa função social e não somente produzir arte, produzir música, mas levá-la às comunidades.”

O repertório também foi pensado para aproximar o público. “A gente toca desde música sinfônica, música clássica, mas também música popular, para que eles consigam cantar junto, porque a gente entende que essa é a forma do público também voltar a procurar, tanto a gente quanto outros grupos sinfônicos, e que tenha cada vez mais acesso à arte e à cultura”, explicou o maestro.

A aluna Mirella Maria Pinheiro Silva de Melo, de 9 anos, já tem contato com a música e contou que faz aulas de diferentes instrumentos. “Eu faço aula de violino, flauta e violoncelo.” Ver uma orquestra na própria escola foi uma experiência especial para ela. “É legal ficar aqui na escola com os meus amigos, é muito divertido.”

Mirella também participou da Mostra com um trabalho que ela mesma achou muito fofo: “Eu fiz um porta-lápis de gato.”

Sobre a apresentação da orquestra, a avaliação foi direta: “Legal.” Ela reconheceu algumas músicas e contou que ficou feliz com o concerto.

A jornalista Patrícia Silva, mãe de Mirella, também acompanhou o concerto. Ela ficou animada quando soube que a orquestra estaria na escola. “Eu fiquei muito feliz, porque minha filha já faz aula de violino no Projeto Guri há quatro anos. E ela também ficou naquela expectativa de ver a orquestra.”

Na opinião de Patrícia, o contato com a cultura pode abrir novas possibilidades e despertar vocações. “De repente, pode despertar em uma dessas crianças aí, quem sabe, a vontade de ser um grande maestro, ser um grande músico, até professor, e voltar à escola.”

A diretora Cíntia Reis também destacou que a apresentação musical foi muito além de um espetáculo. Ela contou que muitas pessoas da região nunca tiveram a oportunidade de assistir a uma orquestra de perto. “Muitos não conhecem, inclusive funcionários da escola nunca tiveram uma oportunidade como essa, nunca tiveram acesso.”

Para ela, abrir as portas para a comunidade foi motivo de alegria. “Então, trazer isso, não só para as crianças, mas para a comunidade, é um prazer imenso para a gente. É mais que educação. É a junção da educação e da cultura”, concluiu.